quinta-feira, 23 de março de 2017

Tentações da Carne

Fomos surpreendidos, nesta última sexta-feira, com o estardalhaço da “Operação Carne Fraca”, da Polícia Federal. Porém, todos os profissionais envolvidos nos programas de qualidade dentro das empresas sabem que é preciso segregar, inspecionar, rastrear lotes e todo o processo de produção para identificar onde está o problema e estabelecer os pontos de correções e de melhoria.
Longe de defender os empreendimentos citados pela PF, é preciso dizer que fora, inapropriada, o modo de divulgação da comercialização de produtos estragados, vencidos, maquiados, etc., de forma generalizada. Ao fazer isso, acabou-se por atingir toda essa cadeia produtiva do agronegócio. Certamente, isso não ocorre na totalidade da produção brasileira de proteína animal, cuja participação no mercado internacional é intensa, como intensa também são as inspeções de qualidade dos produtos consumidos internamente e aos produtos destinados à exportação.
É preciso notar ainda que durante a longa investigação da Policia Federal deva ter sido constatado também as boas práticas do setor, o que, essencialmente, deveria também vir a público.
Outro ponto importante é que a comercialização de carnes, tanto no mercado interno quanto no mercado externo é de fundamental importância para a economia brasileira; o que coloca em cheque não somente a credibilidade das unidades frigoríficas, como também de todo o trabalho desenvolvido da porteira para dentro das fazendas, uma vez que um crime dessa proporção pode fechar mercados internacionais diminuindo os índices de consumo da carne brasileira.
Por outro lado, será preciso que a Polícia Federal vá à fundo nas investigações, pois, a indústria brasileira de carnes atingiu nas últimas décadas elevado nível de segurança e qualidade em suas operações, sendo admirada e reconhecida internacionalmente.
Os padrões de biosseguridade (cuidados sanitários), os avanços genéticos e a atenção extrema à sanidade e ao manejo fizeram de nossa produção agropecuária uma das mais seguras de todas as cadeias produtivas, graças ao empenho e profissionalização dos produtores rurais e aos intensos e contínuos investimentos das agroindústrias.
As indústrias brasileiras de carnes, principalmente as de aves e suínos, adotam o que há de mais avançado em máquinas, equipamentos, processos e recursos tecnológicos, assegurando alimentos cárneos confiáveis e de alta qualidade.
Problemas existem e o país não estará livre deles no curtíssimo prazo sendo que muitos deles se apresentam escamoteados.
Assim, a  JBS ocupa o centro do noticiário por razões óbvias, sendo a gigante, nacional e internacional do setor e um dos grupos que mais fizeram doações para as campanhas eleitorais, portanto, íntima das linhas de financiamento do BNDES nos governos passados.
Dentro deste quadro pode-se verificar um destino sombrio aos gigantes criados na era petista, que teve como prática a ajuda estatal.
Neste sentido a Odebrecht, que já era grande, assumiu essa dimensão;  a OI, recebeu recursos do BNDES para que a Telemar comprasse a Brasil Telecon de Daniel Dantas, e, portanto, criasse a OI, e todos sabemos como anda a OI. E o caso mais espetacular de todos: a injeção de recursos do BNDES ao empresário Eike Batista, que deu no que deu e todos sabem o que aconteceu com ele.
Assim não da para ignorar que as evidencias de relações não republicanas vieram se multiplicando, desde 2003, com a criação do chamado  Capitalismo de Estado, com suas múltiplas faces distintas e combinadas onde as empresas estatais, obviamente, fazem parte e estão no centro do escândalo do “petrolão” com investigação serrada pela Operação Lava-jato.
Estudiosos sabem que este modelo de Capitalismo de Estado com a eleição de amigos do rei e a participação de conglomerados em sociedade com o poder político está muito mais para economias de regime fascista do que para um regime liberal. Desse modo, repudia-se o estado regulador (liberal), para se tornar o estado, sócio do capital privado com seus anéis burocráticos onde os fiscais formam um deles, criando seus próprios círculos de burla e interesse.
Desta maneira, as corporações vão se fechando dentro do estado tornando os empreendedores dependentes das tetas do governo e vice versa.

quinta-feira, 16 de março de 2017

Aposentadorias e a Previdência Social

Os temas aposentadoria e previdência social voltaram ao centro do debate nacional depois da promulgação da Emenda Constitucional do Teto dos Gastos Públicos e da proposta de reforma previdenciária que altera a idade mínima de aposentadorias e prevê um novo cálculo de benefícios previdenciários aos brasileiros.
O texto da reforma foi entregue ao Congresso Nacional e se encontra em discussão nas comissões especiais do Congresso.
As regras sugeridas pelo governo apontam para uma concessão de aposentadoria aos brasileiros a partir dos 65 anos de idade e, para adquirir esse direito, o trabalhador deverá ter contribuído, no mínimo, 25 anos de trabalho, porém, para se aposentar com o benefício integral, o trabalhador deverá contribuir por 49 anos.
O governo vem buscando essas mudanças no intuito de atualizar os desvios do atual sistema da previdência e, ao mesmo tempo, equilibrar as finanças da União; que segundo o atual ministro da Fazenda, o déficit do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em 2016,  chegou a R$ 149,2 bilhões, correspondente a 2,3% do PIB e, o mesmo tem como estimativa para 2017, de um rombo de R$ 181,2 bilhões.
Por outro lado, com o aumento da expectativa de vida da população brasileira, é fato que a população está se envelhecendo. Some-se a isso, a diminuição de fecundidade, caracterizada pelo baixo número de nascimentos, significando que em algum momento, teremos menos pessoas trabalhando para bancar a massa de aposentados do país, o que gera uma situação insustentável para a Previdência no longo prazo.
Dados recentes mostram que em 2060, o país contará com apenas 131 milhões de brasileiros em idade ativa contra 141 milhões, atualmente, com um crescimento real de 263% de idosos, no mesmo período. Porém, a previdência social não é apenas um problema brasileiro. Ele ocorre tanto em países desenvolvidos, emergentes e subdesenvolvidos.
De acordo com estudos de especialistas em Políticas Públicas e Gestões Governamentais, o aumento da idade para requerer a aposentadoria foi a decisão mais comum entre os países pertencentes à Europa e à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), sendo que, na maior parte dessas nações, a idade mínima para aposentadoria chegará a 67 anos até 2050.
Comparativamente vamos mostrar as formas de aposentadoria nos Estados Unidos da América, onde prevalece a previdência privada.
Bem, uma das modalidades mais comuns de previdência nos EUA é o que eles chamam de IRA (Individual Retirement Account ou Conta de Aposentadoria Individual), que é uma previdência individual através da qual a pessoa irá guardar o seu pouco ou muito dinheirinho para ter direito à sua aposentadoria no futuro.
Esse modelo tem limitações anuais, ou seja, a pessoa não pode depositar mais de US$ 6.000 anuais até os 59 anos e 6 meses de idade. E após essa idade é facultado depositar mais US$ 1.000 por ano.
Este plano, vinculado a uma conta, é totalmente deduzível na declaração de Imposto de Renda, tornando-se assim, um incentivo para se economizar para a futura aposentadoria. Essa conta se constitui em uma conta normal de banco,  oferecida, naturalmente, pelos vários bancos a seus clientes, desde que a pessoa   tenha o “Social Security Number” (SSN), um documento oficial de identificação nacional dos americanos.
A segunda modalidade de aposentadoria é parecida com a primeira, porém, não é do indivíduo, mas sim da empresa.  Normalmente, as empresas oferecem a seus empregados, um plano, chamado de 401K que é um Plano de Poupança de Contribuição Definida, existente desde 1978 que tem esse nome porque foi tirado do parágrafo 401 do artigo K de uma Lei vigente.
O 401K é fornecido pela empresa a seu trabalhador e, tem como limite, atualmente, uma contribuição anual de US$ 18.000,  até os 59 anos e 6 meses de idade. Acima desta idade a pessoa pode depositar mais US$ 6.000 dólares nesta conta de aposentadoria, perfazendo US$ 24.000. Lembre-se que, nesta modalidade, a empresa colabora com a metade do valor ajustado para a aposentadoria no ato da contratação do funcionário.
As empresas oferecem ao funcionário a opção ou não desse dinheiro ser multiplicado através de investimentos em ações,  sendo investido na própria empresa que a pessoa trabalhe ou deixar que a própria empresa decida em quais empresas ela vai investir como Google, Apple, Facebook, Petrobrás, etc., ou deixar o dinheiro parado na conta.
Esse Plano 401K é semelhante ao PGBL - Plano Gerador de Benefícios Livre - comum aqui do mercado brasileiro. Lembre-se que se a pessoa retirar a aposentadoria do 401K, antes do prazo mínimo, a pessoa irá pagar multa de 10% do valor da conta e recolher os impostos correlatos.
Outra modalidade de previdência é a governamental chamada de “Social Security”. Para se aposentar pelo “Social Security” é necessário  também atingir uma idade mínima, a menos que a pessoa se torne um deficiente.
No “Social Security” a pessoa contribui e se qualifica para obter a aposentadoria através de pontuação. Ou seja, a cada contribuição de US$ 1.220, equivale a um ponto, porém, não se pode adquirir mais de 4 pontos anuais. Caso pontue acima do previsto contará apenas, os 4 pontos. Assim, não adianta a pessoa ganhar bilhões que não vai somar mais de 4 pontos para a aposentadoria.
E qual é o mínimo de pontos para que a pessoa se aposente? A pessoa tem o direito a se aposentar ao atingir 40 pontos para nascidos depois do ano de 1929 e de menos pontos para pessoas nascidas antes dessa data. E a aposentadoria ocorre  a partir de 65 anos de idade com benefício integral, desde que a pessoa tenha contribuído normalmente para o “Social Security”.

domingo, 12 de março de 2017

Economia e Política

A melhora dos indicadores econômicos está ajudando na recuperação da confiança dos mercados e na retomada do crescimento do país, mas a estabilidade econômica pode ser prejudicada pela incerteza no campo político.
Em seis meses de Governo de Michel Temer os juros caíram de 14,25%, os mais altos nos últimos 10 anos, para os atuais 12,25%, o menor patamar desde 2015.
Alguns analistas apostam que a Celic (taxa básica de juros da economia) continuará caindo nos próximos meses e que ela alcançará um dígito até o final do ano, chegando a 9,3% ao ano, algo que não acontece desde 2013. A expectativa é que a redução da Celic contribua para estimular a economia, que passa por recessão e alta do desemprego.
Outras notícias que vêm agradando mercados, empresários e consumidores é a taxa de inflação que deve fechar o ano em 4,43%, portanto, abaixo do centro da meta que é de 4,5%, e a estabilidade no câmbio (relação entre o Real e as demais moedas estrangeiras).  
O resultado dessa combinação de fatores é a confiança do mercado trazida pelos indicadores, o que não se traduziu ainda na melhora da atividade econômica como um todo, o que deverá acontecer no segundo semestre de 2017, ou mesmo, em 2018.
Por outro lado, para que o país volte aos trilhos de vez, ainda será preciso resolver as intrincadas questões políticas, incluindo aí, os desdobramentos da Operação Lava Jato.
Como as investigações correm em sigilo de justiça, tem havido vazamentos que, provavelmente, poderão não corresponder à verdade dos fatos e, por isso mesmo, tecnicamente, o que se tem noticiado não possui ainda nenhum efeito legal; o que tem trazido mais confusão do que luz.
Voltando à economia, podemos dizer que ela não caminha por si somente, o país não caminha por si somente, é preciso haver uma liderança para fazer as coisas andarem. Porém, quando essa liderança se torna alvo de questionamentos jurídicos criminais, mesmo que não confirmados tecnicamente, a crise política se instala e pode engolir a melhoria da economia.
Especialistas admitem que a situação política poderá comprometer totalmente a economia pelo fato de não se saber o teor de qualquer acusação, de qualquer processo adicional da Operação Lava Jato ou de qualquer dessas operações em curso e essa incerteza, essa intranquilidade quanto ao rumo político do país coloca em risco a recuperação econômica que vem se mostrando firme e sustentada.
A queda da inflação, principal elemento de medição da temperatura da estabilidade econômica, é superpositiva, e vem permitindo a redução da taxa de juros. Embora a taxa de juros real, ainda seja muito alta, uma das maiores do mundo, essa redução vem trazendo a possibilidade de financiamentos e de investimentos produtivos na economia.
Desse modo, aumentando os financiamentos e os investimentos, há possibilidade de melhoria na geração de empregos, que deve ser o último a se normalizar.
A dificuldade mesmo fica por conta das reformas prioritárias do governo que precisam caminhar. A Reforma da Previdência; a Reforma Trabalhista e Terceirização; a Reforma Política; as Concessões e Privatizações, etc.,  cujo objetivo é entregar um país mais moderno e arrumado do ponto de vista econômico e político para o próximo presidente a ser eleito em 2018.
A conclusão é simples. A perspectiva econômica é positiva, porém,  estamos em risco constante colocada pela instabilidade política.

domingo, 5 de março de 2017

Microfranquias

Em tempos difíceis de crise, como os de agora, onde o desemprego prospera, é possível se expandir e crescer através das microfranquias, porém, é preciso entender que abrir e gerenciar uma empresa ou um negócio depende de uma série de conhecimentos para se atingir mais rapidamente o sucesso.
Assim, todo negócio precisa estar focado em inovação, mesmo aqueles empreendimentos considerados seguros, como as franquias, as quais atentamente precisam se adaptar às dificuldades a qual o país passa.
Pesquisas indicam que os modelos mais enxutos de franquia devem ganhar força e crescimento este ano, mesmo diante da crise.
Deste modo, com investimento inicial de até R$ 90 mil, as microfranquias costumam ser indicadas para quem quer entrar para o mundo do “franchising” e não tem como investir muito capital, o que não reduz o comprometimento de franqueadores e franqueados, obviamente.
Estudo inédito sobre o perfil das microfranquias pela Associação Brasileira de Franchising (ABF), divulgada recentemente, mostra que em 2016, operavam 557 marcas com unidades no modelo de microfranquias, sendo que quase 80% delas atuam, exclusivamente, nesse formato e que o investimento inicial médio de uma microfranquia variou de R$ 44 a R$ 54 mil e que este modelo deverá se deslanchar em 2017 atendendo aos propósitos e necessidades de franqueados e franqueadoras onde as microfranquias têm atendido aos que desejam empreender.
Assim, tanto pessoas desempregadas quanto aquelas que desejam complementar sua renda, ou mesmo, profissionalizar um comércio, ou uma prestação de serviço, já existente, têm tido como aliada as microfranquias.
O estudo mostra ainda que o perfil mais comum dos microfranqueados acontece entre os jovens de 26 a 35 anos com ensino superior completo, atendendo a uma faixa de jovens capacitados que ainda não construiu tanto patrimônio, mas que mesmo assim, buscam uma fonte de renda que vai além do salário de funcionário.
Outro detalhe é que as microfranquias necessitam de menos funcionários em comparação aos formatos tradicionais de franquia, gerando menos custos operacionais. Assim, enquanto o modelo de microfranqueados pede 2,8 funcionários por unidade, as demais franquias contam com um padrão de 6,1 funcionários por unidade.
Além de possuem um investimento inicial abaixo da média, as microfranquias também possuem um prazo de retorno do capital investido, estatisticamente menor, o que as torna superinteressante. Os dados mostram que nas redes que operam somente com microfranquias, 39% das unidades possuem prazo de retorno de capital entre 12 e 18 meses, e mais, que 33% delas devolvem o valor investido após 6 a 12 meses de operação da empresa.
A atenção aos controles é outro ponto a ser o focado, pois, todo empreendedor possui um pró-labore: uma espécie de “salário” do dono da empresa, que nunca deve ser o lucro do negócio, o qual deve ser reinvestido na operação do próprio empreendimento.
Segundo o estudo da ABF, o pró-labore mensal de um microfranqueado varia entre R$3.611 para redes com vários formatos, incluindo microfranquias e de R$3.819 para redes, exclusivamente, de microfranquias, onde de 20 a 25% dos franqueados, chegam a ter um pró-labore acima de R$ 5 mil.
Assim, como as grandes redes, as microfranquias apostam nas lojas de rua como principal local de suas atividades e as estatísticas mostram que enquanto nas maiores franqueadoras essa porcentagem chega a 94%, nas marcas com microfranquias chegam entre 55,8% e 64,2% de unidades que operam nas ruas. Isso abre margem a outros locais de operação como as unidades de trabalho em casa que representam 17,9% das redes com modelos mistos e 29,7% das redes que operam somente com microfranquias, alavancando os modelos de “home office” no Brasil, o que tem se mostrado como uma alternativa viável para os negócios.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Os Juros no Brasil

Os juros no Brasil são sem dúvida, um dos principais problemas da economia, trazendo efeitos diretos aos setores públicos, privados e à sociedade como um todo.
Isso acontece, principalmente, pelo desequilíbrio das contas governamentais, incluindo aí, os três níveis de gestão: o governo federal, os estados e os municípios. Assim, quando um governo gasta mal os recursos provenientes dos impostos ou gasta mais do que arrecada, ele é obrigado a recorrer ao dinheiro do setor privado para se financiar. Isso faz com que sobrem menos recursos para as empresas e o preço do dinheiro sobe.
Embora tivesse havido um esforço de ajuste nos anos 90 até 2002, o governo brasileiro continua registrando déficits em suas contas, forçando assim a taxa básica de juro da economia para cima.
A coisa não fica por aí. O desequilíbrio fiscal do governo apresenta outras consequências danosas como o de fazer subir o risco dos empréstimos internacionais ao país.
Nas transações financeiras, de um modo geral, o normal é se cobrar juros mais baixos a clientes que têm uma situação financeira melhor e por serem aqueles que, normalmente, não causam problemas no momento de quitar suas dívidas. Com países não é diferente. Em tempos de globalização, os investidores estão sempre comparando os riscos que envolvem cada empréstimo e o Brasil acaba se dando mal nesse quesito. Deste modo, a gastança promovida por anos de descontrole estatal produziu uma dívida pública de tamanho considerável.
Outro quesito ao qual dificulta o país é o histórico de um passado e de um presente de violações contratuais, de calotes financeiros, de moratórias, de choques econômicos mal sucedidos e de mudanças de regras, principalmente, as mais recentes patrocinadas pelo partido dos trabalhadores, que perigosamente, introduziu um ambiente de insegurança jurídica aos negócios de terceiros para com o país, o que se reflete na formação dos juros.
O Brasil, como qualquer outra nação exerce relações de troca com os demais países, fazendo parte de sua rotina efetuar pagamentos a cada ano em moeda forte. Como o governo não pode fabricar dólares, ele precisará garantir por outros meios, dólares que venham a engordar o caixa do Banco Central para que não falte moeda no momento de cumprir seus compromissos e desembolsos financeiros.
Desse modo, os países possuem amplo comércio com os demais países, fazendo com que as exportações viabilizem a entrada de divisas de maneira natural. No caso brasileiro, existem dificuldades pelo fato de que a maior parte das empresas não exerce com profundidade o mercado internacional por falta de competitividade. Isso obriga o governo central a se utilizar dos juros para atrair capital externo sempre que se vislumbre algum tipo de turbulência por aqui.
Caso o atual governo consiga avançar na resolução fiscal interna e externa, isso fará com que a taxa básica de juros recue para níveis mais civilizados. Mas, ainda restaria resolver o outro lado da equação: o spread bancário (diferença entre o que os bancos pagam na captação de recursos e o que eles cobram ao conceder um empréstimo para pessoas físicas ou jurídicas).
Atualmente os juros básicos estão em 14% ao ano. Porém, o consumidor final chega a pagar taxas de até 359% ao ano se tiver de usar o cheque especial, por exemplo. Portanto, tão ou mais importante que reduzir a taxa básica de juros é trabalhar para atenuar a enorme diferença de juros entre o banco cedente e o tomador final.
Uma maneira de encurtar essa distância depende de uma reforma tributária para esse fim, pois existem vários impostos incidentes nos empréstimos, como o Imposto de Renda, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, entre outros, que somados, chegam a 25% do spread total, segundo estudos do Banco Central do Brasil.
Outro componente importante do spread bancário é o custo da inadimplência que responde por 35% do total da taxa. Como a maior parte dos brasileiros paga as contas em dia, o peso da inadimplência chama a atenção. Assim, o aparente paradoxo pode ser explicado pela dificuldade que os bancos têm em cobrar os empréstimos não pagos. O resultado é que o risco de não recebimento acaba fazendo com que a conta fique salgada para todos, o que não acontece com os empréstimos para a compra de automóveis. Como há a garantia do próprio bem na transação, este se torna um dos empréstimos mais baratos do país.
Outro ponto, é que uma fatia considerável do spread acontece pelo elevado custo de administração e pelo lucro bancário. Isso pode estar refletindo uma situação de competição relativamente baixa no setor, o que concluiu um estudo realizado, recentemente, pelo Fundo Monetário Internacional. Ou seja, os bancos brasileiros são lucrativos, porém, menos eficientes do que os de outros países da América Latina, dos Estados Unidos, da Europa e do Japão, o que faz elevar os custos administrativos.
Outro dado interessante, é que o spread se torna elevado também, pelo simples fato, de que o consumidor brasileiro, aceita pagá-lo. 

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

O Desserviço sindical

O sindicalismo, de um modo geral, é mesmo um tremendo fiasco, não somente aqui no Brasil como também em outras partes do mundo.
Na vizinha Argentina foi o sindicalismo peronista que levou a Argentina a três décadas de decadência e até hoje turva o panorama político de uma nação que deveria ser a potência hegemônica da América do Sul, a esta altura do século 21.
Por aqui não é diferente, analogamente, foi o sindicalismo que garantiu e, que ao mesmo tempo, avalizou o suicídio de Getúlio Vargas. E, logo adiante, segundo historiadores, os sindicalistas pelegos se tornaram os responsáveis pela deformação da imagem de Jango e, portanto, os corresponsáveis pela deposição de um presidente eleito democraticamente, que fora arruinado pelo golpismo udenista – a UDN (União Democrática Nacional) que era um partido que se dizia democrático, mas que, na prática mesmo, vivia insuflando ideias golpistas para chegar ao poder.
Depois da quartelada dos militares em 1964, a UDN chega ao poder, mas com os seus melhores quadros na condição de agentes políticos e administrativos dos generais presidentes, um destino que não estava nos planos deles.
Com Lula, os sindicalistas, sempre ávidos de poder, voltaram com suas artimanhas. O ministro do Trabalho de Lula – com a plena aquiescência do presidente – acabou com a ideia democrática do pluralismo sindical, fazendo prevalecer a unicidade que em seguida impediu que a contribuição sindical se tornasse facultativa, como em qualquer lugar civilizado no mundo, continuou obrigatória com o feitio de obrigação tributária com dispêndio de um dia de trabalho por ano do membro da categoria, seja ele sindicalizado ou não.
Outro desserviço do sindicalismo consistiu na legalização das chamadas “centrais sindicais” com o agravante de não se submeterem à fiscalização do Tribunal de Contas da União (TCU). Ora, se o poder de arrecadar tributos foi repassado do Estado aos sindicatos, o dinheiro arrecadado tem que passar pelo crivo do Legislativo e, consequentemente, pelo exame técnico e rigoroso, neste caso, do TCU. Tão desmesurada “autonomia sindical” vale para as centrais sindicais algo por volta de R$120 milhões anualmente. Para que tanto dinheiro? Onde são aplicados esses recursos? Prestam contas a quem? A notícia que se tem é que esses recursos vão abastecer os partidos políticos da esquerda. Lembremos que o dinheiro que sustenta as centrais sindicais é meu, é seu, é nosso.
Uma pesquisa do Centro de Pesquisas e Documentação da Fundação Getúlio Vargas no Rio de Janeiro identificou um crescimento de 400% de pessoas ligadas aos movimentos sindicais durante o governo Lula. Essas pessoas ocuparam ou ainda ocupam os cargos DAS (de direção e assessoramento superior), sendo que 45% deles estão nas mãos dos sindicalistas.
As pesquisas não adentraram as empresas estatais, aquelas em que a União é acionista majoritária, sem levar em conta a intromissão sindicalista nos gigantescos fundos de Pensão como Previ (BB), Funcef (CEF), Funcesp (UnB), Petros (Sistema Petrobrás), Valia (VALE), Centrus (Banco Central), Real Grandeza (Furnas), dentre outros. Perceba que os quinze maiores fundos de pensão administram mais de R$277 bilhões, ou seja, 70% do patrimônio dos 243 fundos de pensão do país. Pois é, some-se a tudo isso o desastre econômico, fiscal e moral ao qual o sindicalismo de estado nos meteu.
Lembremos ainda, que na republica sindicalista, inexistem regras, apenas acordo de cavalheiros onde o lema é o vale tudo em nome do poder e do dinheiro. E no Brasil de hoje o poder do dinheiro faz governos. E os governos controlam muito dinheiro.
“Robert Michels” sociólogo Alemão radicado na Itália que influenciou Max Weber, já alertava quanto à conduta de líderes sindicais. Em seu livro Political Paties (A Sociologia dos Partidos Políticos) publicado em 1911, que se tornou um clássico da Sociologia Moderna diz que traição e pusilanimidade (traição, covardia) não são os únicos fatores determinantes aos sindicalistas. Nesse livro há um capítulo particularmente interessante sobre líderes sindicais com origem na classe trabalhadora. A principal tese de Michels é que esses líderes são tão ou menos confiáveis, para a classe trabalhadora, do que os líderes provenientes de outras classes ou grupos sociais. E mais, que os indivíduos que controlam determinadas organizações, os burocratas, os líderes sindicais, etc., definem objetivos e implantam medidas que atendem, em primeiro lugar, aos seus próprios interesses.
Assim, em sua análise dos traços característicos do padrão de conduta dos líderes sindicais, Michels considera que o que sobressai e se manifesta com maior intensidade é o amor ao poder e tendo sido bem sucedido em livrar-se das correntes que usava como trabalhador assalariado e vassalo do capital, ele (o sindicalista), assim como todo homem liberto, ele tem uma tendência de abusar da liberdade recentemente conquistada, tendendo à passividade.
Michels comenta ainda, que em todos os países são conhecidas histórias de algum líder da classe trabalhadora de origem proletária que se tornou errático e despótico (regime político em que o governante ou grupo governante não responde à Lei), e que eles têm grande aversão a ser contrariado. Essa característica é, sem dúvida, parcialmente dependente da sua condição de “parvenu” (pessoa que atingiu súbita ou recentemente riqueza e/ou posição social de proeminência, sem, no entanto, ter adquirido os modos convencionais adequados), pois está na natureza do parvenu manter sua autoridade com ciúme extremo e de olhar toda crítica como uma tentativa de humilhá-lo e diminuir sua importância, como uma alusão deliberada e mal-intencionada ao seu passado, sendo extremamente sensíveis à bajulação, mas isso parece o menor entre os seus defeitos. Em muitos casos eles não passam de serviçais pagos pelo capital. Deste modo podemos concluir que não é mera coincidência o que acontece no Brasil de hoje.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Economia Colaborativa

A economia colaborativa ou compartilhada vem ganhando força ao redor do mundo. Mudanças na relação de consumo ganham adeptos no Brasil e no mundo. Muitos jovens entre 20 e 30 anos privilegiam a experiência ao invés do ato da compra. Nesse cenário se popularizam serviços de aluguel e de compartilhamento.
As mudanças vieram para ficar e cabe às pequenas, médias e grandes corporações fazerem parte desse novo movimento da economia para não serem atropeladas por esse fenômeno.
Neste contexto, empresas precisarão repensar o seu formato de organização estabelecendo novos conceitos administrativos e mercadológicos, ajustando-se às novas realidades do século 21.
Olhando para a cadeia de valor da Economia Colaborativa é possível identificar como as empresas podem repensar seus modelos de negócios focando agora em empresas Prestadoras de Serviços, Fomentadoras de Mercado ou Provedoras de Plataformas.
Desse modo, as empresas com visão de futuro empregam um dos modelos citados, enquanto as mais inovadoras buscam empregar os três modelos conjuntamente, se posicionando no centro das atividades empresariais do futuro, lembrando que a nova ordem se estabelece nas razões do compartilhamento, portanto, não mais nas razões da centralização de bens e produtos.
Assim, no coração da economia colaborativa estão empresas e projetos que surgiram a partir de variações do compartilhamento pessoa-para-pessoa (peer-to-peer), o chamado consumo colaborativo, num arranjo que inclui carros, alimentos, serviços, motos, moradia, informação, tecnologia, entre outros bens, que possam ser compartilhados.
Para as empresas, agregar valor em cada nível de atividade gera retorno financeiro, uma vez que os modelos representam um aumento de maturidade, exigindo investimentos e resultados com benefícios para os vários níveis de atividades da economia colaborativa.
Esse novo conceito vem se colocando como um movimento duradouro, abrangente e revolucionário. Assim, grandes corporações vêm adotando estratégias baseadas no compartilhamento em seus principais negócios, como a Toyota, ao alugar carros de concessionárias selecionadas e o Citibank, ao patrocinar um programa de compartilhamento de bicicletas na cidade de Nova York, como já ocorre no Brasil.
Pesquisa realizada em 60 países mostra que sete em cada dez pessoas compartilhariam bens em troca de dinheiro e 66% usariam ou alugariam produtos oferecidos em sites especializados.
Assim, a economia Colaborativa é fruto da união de três pontos de sucesso que fazem o conceito cada vez mais atrativo a partir da evolução da sociedade, onde se elege o Social, com destaque para o aumento da densidade populacional; a Sustentabilidade, com o desejo da comunidade de abordagem mais altruísta, ou seja, de preocupação com o outro; o Econômico, focado na monetização do estoque em excesso ou ocioso, no aumento da flexibilidade financeira, na preferência por acesso ao invés de aquisição, além da abundância de capital de risco; o Tecnológico, beneficiado pelas redes sociais, com dispositivos e plataformas móveis e um bom sistema de pagamento.
Para pegar carona nos novos caminhos que as forças de mercado vêm traçando, as empresas devem incorporar um ou mais dos três modelos colaborativos citados, ou seja, Prestadoras de Serviços, Fomentadoras de Mercado ou Provedoras de Plataformas, evoluindo ao lado de seus clientes.
Já o aprendizado empresarial fica por conta do saber que o relacionamento com os clientes mudou, portanto, é momento de se libertar a empresa para os novos mercados, em sintonia com o compartilhamento que já é uma realidade entre os consumidores globais, o que se convencionou chamar de nova percepção de mundo.