sexta-feira, 31 de outubro de 2014

O Gigante nanico

Com 51,64% dos votos Dilma Rousseff é reeleita presidente do Brasil contra 48,36% de votos dados a Aécio Neves. A Dilma venceu em 15 estados enquanto o Aécio venceu em 12 (incluindo o Distrito Federal). A Dilma também ganhou em Pernambuco com 70,20% contra 29,80% de Aécio, apesar do apoio da Marina e da família de Eduardo Campos. Em Minas o Aécio também foi derrotado, Dilma ficou com 52,41% e Aécio com 47,59% dos votos. No Ceará, Maranhão e Piauí a Dilma conseguiu mais de 75% dos votos. Já o Aécio venceu na região Sul, no Distrito Federal e em São Paulo.
Olhando a distribuição regional dos votos. O Aécio ganha na parte mais desenvolvida do país, do ponto de vista econômico, industrial e social e Dilma ganha na parte menos desenvolvida do país com destaque para o Nordeste que ainda vive uma fase anterior a industrialização, sendo que na parte mais desenvolvida do país a presidente não obteve o mesmo resultado. 
Teremos então mais quatro anos de PT no poder, porém, de um PT que precisa se reformar. De um PT que está devendo e está em dívida com o país depois de tudo que ficamos sabendo neste primeiro mandato da Dilma. Assim, o PT vai fazer 16 anos de governo com dois mandatos de Dilma, dois mandatos de Lula, com uma pá de coisas a serem explicadas ao povo brasileiro como os fatos de corrupção, dentre outros.
A representação popular disse muito nestas eleições. Mas, por outro lado, o PT foi castigado duramente ao eleger seus deputados que teve sua base reduzida. E o segundo governo de Dilma vai contar com muita dificuldade na hora de se entender com o Congresso Nacional. Ela vai ter que tomar providências enérgicas logo de saída, para ter um mínimo de apoio Congressual.
Especialistas políticos dizem que realmente o país encontra-se dividido politicamente. São 50 milhões de brasileiros que não querem o PT no governo, não querem a política do estado que aí está e que foram profundamente esfacelados numa das campanhas mais sórdidas (contrária a moral, a ética, as normas e aos bons costumes), mais baixas, mais mentirosas da história das campanhas políticas no Brasil. O que foi dito nesta campanha, pela primeira vez, fortemente através das redes sociais, o que foi desconstruído, o que foi atacado da biografia de adversários políticos, possivelmente, não tem volta.
Em seu discurso de vitória a presidente propõe a união dos brasileiros, o que tem certa lógica, pois ela não iria propor a desunião. Porém, o discurso presidencial foi um discurso que não bate com o perfil da presidente. Pois a união e o diálogo fazem parte de personalidades que tem leveza e humildade suficientes para reconhecer os seus erros e mudar de rumo, caso contrário torna-se impossível o processo de conciliação. Essas duas qualidades não fazem parte da personalidade da presidente Dilma Rousseff que tem entre as suas posturas atuais, juntamente com seus assessores uma postura arrogante.
Por outro lado especialistas acreditam que a presidente cometeu um erro clássico já de início. Ela fez uma proposta, não percebida, que detona o diálogo com o Congresso Nacional com o qual ela teria que estender a mão para negociar, buscando o grande líder da oposição, seu adversário político, o Senador Aécio Neves, o qual foi destruído em sua biografia pelo PT através de uma prática proveniente do fascismo. 
A proposta inicial da presidente de se realizar a reforma política através de um plebiscito ao país é um gesto, que por si somente, provoca a negação do diálogo com o Congresso Nacional onde se encontram as forças representativas da sociedade brasileira. Na realidade os especialistas se perguntam: fazer um plebiscito para que? Para propor o que? Para manipular uma massa que está saindo de uma eleição ferida, onde dois blocos estão se odiando e precisa de apaziguamento?  Um plebiscito posto neste momento é uma proposta insana que pode proporcionar mais acirramento à divisão do país.
De nossa constituição moderna para cá houve apenas um único plebiscito para decidirmos entre monarquia ou república e entre presidencialismo ou parlamentarismo? Sabemos, portanto, que não é uma tradição cultural da política brasileira devolver ao povo o mandato que foi outorgado nas urnas através de plebiscito.
Por outro lado, essa eleição foi a mais apertada da historia da republica brasileira desde 1894, desde o início da república neste país, portanto, a eleição mais apertada de todos os tempos. E há que se tomar muito cuidado para que não se transforme em uma fobia daqui para frente, já que vem acontecendo ataques, sobretudo, nas redes sociais ao Nordeste brasileiro, o que demonstra ânimos ainda acirrados que ainda não baixou guarda.
É interessante lembrar que cada um vota de acordo com seus interesses. Isso acontece em todos os lugares do mundo. Apesar da existência de um voto com opinião critica mais informada contra um voto de opinião crítica menos informada dos acontecimentos em nosso país. Porém, ambos são racionais.
Assim, o mapa eleitoral de 2010 é quase idêntico ao mapa eleitoral de hoje, com uma única diferença, o Distrito Federal que votou com a Dilma em 2010, votou com Aécio agora. De resto é a mesma coisa. O mapa é igual. Roraima votou em 2010 com o PSDB votou de novo agora, com duas distinções somente, o Espírito Santo e Roraima.
Numa leitura mais detida das urnas vê-se que o PT ao longo de todas as suas vitórias vem perdendo espaço. O Lula ganhou com um pouco mais de sessenta por cento em sua primeira eleição e agora a Dilma ganha com uma diferença apertadíssima de 3% dos votos.
Em realidade a atual presidente vai pegar um governo muito ruim que é o de seu próprio governo. Ela vai encontrar uma crise econômica muito grave e vários desacertos país afora.
Outro destaque das eleições são os 30 milhões de eleitores que deixaram de ir às urnas no segundo turno contra quase 28 milhões que no primeiro turno não foram votar.
A margem de abstenção é uma margem aproximada da margem histórica. A presidente Dilma obteve 53 milhões de votos, o Aécio obteve 50 milhões de votos e registrou-se 30 milhões de pessoas que se abstiveram, votaram em branco ou anularam o voto. Isso é conseqüência do afastamento das pessoas da política, portanto, é algo que precisa ser modificado. Uma nova geração de políticos precisa ser convidada a participar, pois se a gente analisar caso a caso no Congresso Nacional, mais de 70% dos deputados com menos de 29 anos de idade são de famílias de pai, tio e avô que são políticos profissionais e isso dificulta a renovação.
A questão da rejeição é algo curioso. Existe um movimento que vem crescendo muito no Brasil que é o movimento Anarquista. Eles têm por base abster-se de votar. Portanto, não votar é uma característica desse movimento que esteve presente nas ruas com os “Black blocs”. Eles se recusam a votar e fazem uma oposição a todos os partidos pela simples causa do “sou contra”. Eles formam um movimento com a postura de não se identificar com nenhum tipo de representação do que aí está como forma de participação e de organização de governo e estado.
Como ficamos 12 anos apenas com assistencialismo e corrupção, não avançamos. Donde deduzimos que o gigante pela própria natureza continua sendo um grande nanico. 

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

A Economia Brasileira em 2015

Os economistas vêm apontando para um momento de dificuldades para o ano que vem. Assim, quem vencer as eleições de outubro precisará iniciar reformas severas para conter uma crise desnecessária plantada nesta última década.
Os motivos são muitos. Em­presários, economistas e pensadores da economia estão ligados aos equívocos cometidos pelo governo federal, resultado da “nova matriz econômica” — co­mo ficou conhecida a política econômica adotada pela presidente Dilma Rousseff, em 2011.
Os sinais são sentidos por profissionais, investidores, economistas, empresários, e população em geral, visto que quem sente os efeitos mais severos do mau momento econômico é o povo.
O consumo das famílias vive um momento de desaceleração, tanto pelo fim dos programas de incentivo ao consumo quanto pela menor oferta de crédito. Provém daí parte da insatisfação que gerou os protestos iniciados no ano passado e endossados pelo início da Copa mais cara do Mundo. Isso acontece porque temos uma população até então acostumada a deter o poder de consumo que fazia girar a economia do país. O governo criou essa prerrogativa e reside aí uma parte dos equívocos dessa “nova matriz econômica”.
Aliado à retração da indústria, à inflação e à baixa taxa de investimentos, criou um cenário de crescimento baixo. Em 2013, por exemplo, o Brasil cresceu 2,5%. Média menor do que a apresentada pelo mundo (3%), pelos países emergentes (4,7%) e pela própria América Latina (2,7%). Não obstante, as projeções do último Boletim Focus apontam que o Brasil crescerá apenas 0,79% em 2014, fechando o governo Dilma com um crescimento médio de 1,5%, menor resultado dos últimos 20 anos.
Para o final deste ano, as previsões também não são animadoras, devido ao cenário pessimista demonstrado pelo setor de serviços, em função do comércio e de serviços da informação. Afora isso, a indústria também deve recuar ainda mais, em virtude da indústria de transformação (que transforma matéria-prima em produto final) e da construção civil, que sofre, entre outros motivos, com a desaceleração do crédito imobiliário.
A inflação fechou 2013 em 5,9%, bem acima da meta de inflação determinada pelo Conselho Monetário Nacional de 4,5% e acima também da “meta informal” do Banco Central (BC), que foi de 5,84%. Em maio, a inflação (em 12 meses) foi de 6,4%, e, segundo o último relatório Focus, deve encerrar este ano em 6,5%, no topo do intervalo de tolerância.
O controle de preços governamental fez com que a inflação dos preços administrados fosse de “apenas” 1,5%, enquanto a inflação dos preços livres está acima de 7%. A título de comparação, em 2012, a inflação dos administrados foi de 3,7%, e dos livres foi de 6,6%. À primeira vista, esse controle parece benéfico. Contudo, a redução drástica do preço de alguns produtos, como aconteceu com a energia elétrica, cria uma bola de neve que irá estourar no futuro, pois cria dívidas que serão pagas pelo povo e tudo indica que essa bolha estourará no ano que vem. É simples entender: compare com uma empresa, “se ela começar a vender produtos abaixo do preço de custo ela quebra. Já o governo não quebra, ele emite moeda e títulos das suas dívidas, que o povo irá pagar no futuro.” Um dos problemas da inflação alta é que ela aumenta a incerteza de longo prazo e dificulta a obtenção de financiamento em condições adequadas para toda a economia.
Além da inflação a falta de confiança na economia brasileira faz com que a taxa de investimentos seja menor. Sem investimentos não há melhorias no parque industrial e setores vitais da economia. Em comparação com outros países da América Latina, por exemplo, o Brasil está muito abaixo quando o assunto são investimentos. Em 2013, a taxa de investimentos brasileira foi de aproximadamente 18% do PIB. Em contrapartida, o mundo investiu 24,5%, os países emergentes 32,2% e a América Latina 21,3%. Países como Chile (24%), Colômbia (24,2%), México (22,2%) e Peru (27,6%), têm níveis bastante superiores aos brasileiros.
Outro fator que prejudica o crescimento econômico é a dificuldade para se negociar no Brasil que limita os mecanismos de investimento. É preciso recuperar a confiança do empresariado com regras mais claras que não mudem frequentemente.
A alta tributação é outro fato que traz dificuldades para a poupança interna brasileira que é baixíssima, (12,7%), o que também influencia nos investimentos. Por que, então, a nossa poupança é tão baixa? Porque a tributação no México é de 23%, na Colômbia de 28%, no Peru de 21%, no Chile de 24%. Uma média de 24,4%. No Brasil é de 37,7%. A média do PIB per capita nesses países é de 13,7% e no Brasil é de 11,7%. Ou seja, não sobra nem para as empresas nem para os indivíduos a capacidade de poupar.
A falta de crescimento brasileira é gritante. Por exemplo, a participação no PIB da previdência na China é de 2%. No Brasil, é de 12%.
O chamado Custo Brasil — um conjunto de dificuldades estruturais, burocráticas e econômicas prejudica o investimento no Brasil e é um dos fatores que comprometem a competitividade e a eficiência da indústria nacional, dificultando o comércio exterior.
A política protecionista do governo caracterizada como “nacional-desenvolvimentismo” gera efeitos negativos, já que torna as empresas menos competitivas e ineficientes, provocando distorções na economia e gastos públicos desnecessários. Assim, os gastos do governo brasileiro, em relação ao PIB, ficam na casa dos 19%, enquanto os investimentos estão em 1,3%.
O Brasil ainda é um país muito fechado, o que traduz um erro ideológico do governo central. Proteger a indústria e o trabalhador nacionais é uma largada para o atraso. Para se ter uma idéia, o nível de abertura do Brasil é de 21%, enquanto em países como o Peru é de 44%; no Chile é de 57%; na Colômbia é de 32% e no México é de 63%. Em realidade há muita ideologia e pouca criatividade.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Empreender ou concursar?

Existe uma idéia generalizada no Brasil de que prestar concurso público seria uma melhor opção para a solução financeira ou profissional dos indivíduos. Porém, não é bem assim.
O que se percebe neste contexto é uma persistência exagerada do estado em estimular seus jovens e a elite universitária a prestar concurso público, fazendo com que o país plante, para si mesmo, um problema que, certamente, interferirá no futuro da nação mais adiante.
É preciso entender que o serviço público não gera receita, é simplesmente, um custo para o país. Isso não impossibilita que os grandes cérebros possam e devam buscar o serviço público, pois, a nação precisa de bons cérebros.
Por outro lado vem aumentando, cada vez mais, a percepção da importância do empreendedorismo e a vontade dos jovens em se tornar empreendedores, enfrentando as imensas dificuldades, fazendo com que perto de 50% dos jovens brasileiros que se dizem interessados em empreender, não o fazem, pela adversidade burocrática existente.
Além das dificuldades predadoras, presenciamos um avanço muito forte do estado brasileiro na economia e uma péssima tendência da população em acreditar que o estado deva empreender em quase tudo, o que se torna um desastre ao país. Enquanto nos países importantes e de economia avançada, do mundo todo, já se abandonou esse dilema entre quem vai empreender, se é a sociedade civil ou o estado? Nós aqui ainda estamos gastando energia preciosa a esse embate. Na realidade, o estado nunca teve condições de empreender; ele é mau empreendedor, mau administrador, e infelizmente, corrompe.
Dessa forma, ainda não nos libertamos dessa concepção envelhecida e não deixamos a sociedade civil agir como ela deva agir, pois, é a sociedade civil a única que sabe empreender e a única que possui recursos financeiros para isso, e a falta desse entendimento prévio do cidadão tem trazido um problema adicional ao país.
Cabe então o questionamento: por que empreendemos tão pouco no Brasil?
A realidade nos mostra que não temos prática em empreender. A história econômica do Brasil nos diz que quando houve a revolução industrial, era proibido abrir indústria por aqui. O comércio era exclusividade daqueles nascidos em Portugal. No século 19 o próspero empreendedor Barão de Mauá foi detonado pelo estado de então e no século passado não houve estimulo concreto à inovação no Brasil.
O Brasil sempre importou tecnologia. As empresas nacionais e as multinacionais, sempre tiveram como fonte de tecnologia um braço que vem de fora. Assim, ou as empresas nacionais compravam tecnologia ou as empresas multinacionais estrangeiras traziam essa tecnologia para cá. Com isso, a universidade ficou distante da atividade empreendedora.
Nós temos essa raiz de distanciamento do empreendedorismo. Nosso marco regulatório é construído tendo em vista as grandes empresas, com participação exagerada do governo.  O país não tem um acolhimento decente e saudável a quem deseja empreender. O Brasil é um dos piores lugares do mundo para quem deseja empreender segundo pesquisa do Banco Mundial (Doing Business/2014) que coloca o Brasil em posição desconfortável, (116 entre 189 países).
É preciso entender que quem gera riqueza é o empreendedor e que o empreendedorismo é a única forma de construir justiça social; a única forma de se passar de uma economia de dependência para uma economia sustentável e a única forma de fazer o PIB crescer com geração de empresas, renda e empregos.
De outro modo, é preciso dar mais atenção às pequenas e médias empresas, pois são elas que inovam e possuem uma taxa de geração de emprego positiva, enquanto as grandes empresas, por sua lógica, tendem a ter uma taxa de geração de emprego negativa. Elas demitem. Essa é a tendência. A margem de lucro das mega-empresas, de grande escala é reduzida. A competição é muito elevada, elas ganham com apoio de processos de automatização e de eliminação de mão de obra.
Já a pequena empresa é essencial, gera emprego, gera inovação, gera um movimento de destruição criadora que, ao inovar, faz com que a economia se dinamize eliminando as empresas obsoletas do mercado.
Um ambiente economicamente saudável não pode prescindir das pequenas e médias empresas. Ou seja, não se faz um grande país apoiado apenas nos grandes empreendimentos.
As alternativas existem e esse atraso do empreendedorismo nacional pode ser contornado e resolvido com soluções brasileiras.
O professor Fernando Dolabela, coordenador da Oficina do Empreendedor e especialista do Instituto Millenium, desenvolveu na Universidade Federal de Minas Gerais um projeto denominado “Oficina do Empreendedor” acoplado ao CNPQ, o qual possui ótima metodologia e, que por sua natureza, vem mudando o perfil de nascimento do empreendedorismo em diversas universidades brasileiras.
O professor tem desenvolvido seminários para professores de filosofia, odontologia, de música, de balé, de engenharia, os quais foram preparados para trabalhar com seus alunos no sentido de mudar o paradigma brasileiro, seguindo a tese: “Pare de ser empregado; existem outras opções; há outra coisa a fazer no mundo. Abra a sua empresa”.
Atualmente, o trabalho do professor é desenvolvido com crianças, a partir de quatro anos na educação básica, pois o jovem que entra na universidade com 17 ou 18 anos de idade, já está culturalmente completo. Ou seja, coletar cerca de 5% dos alunos que desejam empreender é muito pouco e não muda o Brasil.
É preciso trabalhar a educação agricultora, a educação que trabalha na base, que é a grande transformadora do país. Trabalhando as crianças que estão nas escolas públicas teremos condições de dar um novo vetor cultural para elas, desenvolvendo a sua auto-estima para que ela se sinta protagonista do processo através de duas perguntas importantes: qual é o seu sonho? E o que você vai fazer para transformar o seu sonho em realidade?
Tudo isso para desmistificar o diagnóstico escolar que traz um comportamento desalentador ao aplacar e inibir a criatividade, inibir a ousadia, inibir a rebeldia que é, em síntese, o motor do empreendedor. O empreendedor é alguém absolutamente rebelde que contesta os padrões existentes. E o único modo de se romper com os padrões vigentes é através da inovação.
Assim, empreender não é somente abrir empresas. E preparar os alunos ao empreendedorismo, não é apenas uma questão de QI ou de inteligência, mas sim, de uma questão de cultura como acontece nos países desenvolvidos onde, principalmente, Estados Unidos e Europa ensinam o empreendedorismo nas escolas, diferentemente do Brasil. 

terça-feira, 30 de setembro de 2014

A Consul na Berlinda

A cooperativa Consul que veio no bojo da estruturação da Usiminas e da cidade, e que surgiu há um ano após o nascedouro da Usiminas, tem agora, o desafio de firmar-se sozinha no mercado, após a solicitação por parte da Usiminas de área, no Shopping do Vale, onde se encontra instalada.
Nascida em 1962 com apenas 2.700 cooperados, hoje a cooperativa conta com aproximadamente 77 mil associados, com 715 colaboradores diretos e aproximadamente 1.500 empregos indiretos. Seu faturamento é da ordem de R$ 200 milhões anuais e se distingue como a maior recolhedora de impostos (ICMS), no ramo supermercadista, para o município, com R$ 2,7 milhões, enquanto os demais concorrentes juntos, recolhem aproximadamente, R$ 1,6 milhão aos cofres públicos estaduais.
Mercadologicamente, podemos dizer que a Consul é um sucesso e, dentro do espírito cooperativista, preserva eficientemente o balizamento de preços na região e detém o importantíssimo papel de provedora de produtos a todo o Vale do Aço, constituindo-se em a maior cooperativa de consumo de Minas Gerais e ranqueada como a quinta cooperativa de consumo do Brasil.
Seu comodato com a Usiminas, assinado no passado, assegura-lhe 99 anos de atividade, ou seja, estabelece uma concessão de funcionamento e atuação até o ano de 2090. Como todo contrato possui uma cláusula de desistência coube legalmente a empresa Usiminas solicitar o imóvel de volta, portanto, 76 anos antes do vencimento do acordo, com a intenção de vendê-lo a terceiro pelo valor de R$ 30 milhões, considerando os juros.
Assim, a Usiminas pede o recolhimento do imóvel concedido à Consul, direito que lhe cabe. Por outro lado, cabe à Consul buscar seus direitos junto ao comodato firmado, pelo fato de ter disponibilizado imóveis que foram objeto de permuta para viabilização da construção da Consul na área estabelecida à época da concessão.
Interessante perceber que a Consul possui condições econômico/financeiras plenas para adquirir o imóvel em questão, porém, é compreensível que alguém que tenha documentação proba e assinada pelas autoridades da Usiminas no passado, não queira dispor de recursos financeiros para aquisição do imóvel.
Outro fato interessante é o espírito de proximidade entre os empreendimentos Usiminas e Consul desde as suas constituições e que R$ 30 milhões não chegam a ser um recurso financeiro determinante para o Grupo Usiminas cujo faturamento anual ultrapassa R$ 12 bilhões. 
Olhando mais à distância, acredito que uma solução viável ao impasse seria a volta ao diálogo, passar a limpo a questão e utilizar-se deste momento para dar contornos mais adequados e atuais à documentação existente, mesmo que haja algum tipo de negociação dentro do contexto, dotando a Consul do direito natural de preferência do espaço questionado.
De certa forma não é salutar a geração de incertezas à região, à cidade, aos empregados, aos fornecedores e ao ente público, que em realidade são as partes mais interessadas deste embate e sim procurar fazer com que a marca Consul, já identificada com o público da região possa seguir seu processo de bem atender ao Vale do Aço e que a maior holding do setor siderúrgico brasileiro, a Usiminas, possa seguir o seu foco principal atendendo a toda a América Latina e a mercados como o japonês, o americano e o europeu. 

terça-feira, 16 de setembro de 2014

A Economia e o Emprego

O número de trabalhadores na indústria recuou 3,6% em julho na comparação a julho do ano passado, a maior queda desde novembro de 2009. A piora foi generalizada. Em todos os setores o nível de emprego caiu.  Em 14 regiões pesquisadas pelo IBGE e em 15 setores, dos dezoito pesquisados na indústria a queda foi flagrante.
Estes dados refletem, naturalmente, a situação da economia e o momento de dúvidas e incertezas em relação à sucessão presidencial.
Assim, a indústria parou de investir. A onda de consumo de eletrodomésticos está caindo, a onda de compra de carros já passou e as montadoras estão dando férias coletivas ou demitindo seus funcionários. Alguns setores estão, definitivamente, fechando e vem caindo as compras de produtos importados.
Há certa resistência ao desemprego em setores ligados ao pré-sal, mercado digital, tecnologia da informação e setores de alimentos, mas, eletrodomésticos, televisores, móveis, etc., o desempenho vai mal.
Grandes setores da indústria estão refletindo o momento de incertezas e de recessão, retraindo os seus investimentos, com reflexos em demissões de pessoal, no elevado nível de estoques indesejados, que vai desaguando na diminuição de cargos e postos de trabalho.
Especialistas acreditam que quem está empregado já pode colocar as barbas de molho, pois, em realidade a coisa está realmente preta e escamoteada com a retenção dos preços de combustíveis e energia elétrica, administrados pelo governo, até as eleições.  
Outros especialistas, que concordam também, que o país passa por recessão, dizem que muitas pessoas se iludem ouvindo os conselhos indignos de quem governa o país para que, enfeite a sua casa, compre coisas para a sua casa, compre televisores, sofás, geladeiras e tal, no sentido de estimular compras, se esquecendo que isto trás endividamento das famílias, ancorados em programas governamentais que doam casas e não estimulam a dignidade e o esforço das próprias famílias em trabalhar para conseguir atender as suas necessidades através de seu próprio esforço e de seu próprio mérito.  
Tudo isto resulta em que as famílias brasileiras estão super endividadas e 66% delas estão dependuradas em algum tipo de dívida. Vejam bem: 66% das famílias estão com dívidas e estão convivendo agora com dívidas e o desemprego. Onde iremos parar? Pesquisas apontam que existem mais de 55 milhões de brasileiros endividados no país. Isto é um número assustador!
O país está realmente numa situação difícil a qual os economistas chamam de “estagflação”, ou seja, estagnação econômica associada à inflação alta. Por outro lado, o baixo crescimento econômico do Brasil nos últimos anos foi movido ao mercado interno.
A presidente Dilma tem falado em crise internacional, mas o mercado internacional brasileiro representa 20% do PIB do país, isto é o que está ligado a exportação. O grosso de nosso PIB se refere aos outros 80% do mercado interno, que depende, exclusivamente, da gestão governamental, diga-se de passagem, ruim.  
Em função da má gestão governamental temos tido inflação alta e juros elevados, porque tardiamente o governo central teve que se curvar ao aumento de juros para combater a inflação, acrescido do elevado nível de endividamento das famílias e também de 3,5 milhões de empresas.
Interessante comentar que esse crescimento baixo que temos tido, aconteceu artificialmente, quando o governo se utilizou da base de isenção de impostos que, simplesmente, gerou um buraco de R$280 bilhões no caixa da nação, desde os últimos 5 anos o qual foi implantado, o que os economistas chamam de “renúncia fiscal”, ou seja, impostos que o governo deixa de arrecadar para beneficiar a indústria automobilística e de eletrodomésticos, ao mesmo tempo em que exerce uma tremenda transferência de renda através do programa “Bolsa Família” às famílias que nem sempre são realmente carentes, sem que cobre de seu beneficiário uma contrapartida de promessa de trabalho de quem recebe o benefício.
O programa Minha Casa Melhor distribui R$ 5 mil às famílias cadastradas para comprar móveis, etc. Mais uma vez o artificialismo de aquecimento de consumo sem que isto partisse de uma base de renda através do trabalho das pessoas. Porém, o ciclo se esgotou.
O governo não tem mais munição para manter este tipo de artifício. Tudo isto trouxe apenas endividamento das famílias e inflação alta. Com isto o governo está estourando e maquiando todas as suas contas, levando o país para a recessão. Sem novos caminhos, esse processo não nos deixa nenhuma perspectiva no curto prazo e médio prazo para reversão da situação.
Em um processo de recessão, o emprego é o primeiro a sofrer os impactos, pois, em geral, os empresários, não diminuem suas margens de lucro, e certamente irão se valer da demissão de funcionários para equilibrar o seu orçamento.
A situação da indústria também é ruim pela concorrência dos produtos industrializados importados, principalmente, da China. Imaginem se não houvesse essa concorrência dos produtos estrangeiros, a inflação seria ainda mais elevada pelo simples fato de que não teríamos produtos suficientes no mercado para atender aos consumidores brasileiros, o que, invariavelmente, faria os preços subirem ainda mais.
A indústria acaba sofrendo por todos os lados, pois, quando você diminui o consumo, o comerciante não vende e não faz encomendas à indústria, a indústria não produz, não produzindo tende a dar férias a seus empregados, depois da volta das férias, o funcionário normalmente é demitido. Vira um efeito cascata.
O Brasil, ao longo do tempo e em diferentes momentos, ao desprezar a educação formal, o ensino profissional e a pesquisa, limitou a modernização do país, aniquilou a competitividade e, em conseqüência disso, perdeu a visão do desenvolvimento econômico, auto-sustentável, como projeto permanente. Perdeu o seu tempo, ao crescer marginalmente, nos últimos anos. Aceitou, assim, a mediocridade do subdesenvolvimento imposto por sistemas e hábitos políticos que dominam o Poder Executivo e toda a vida nacional, com visão personalista, cartorial, eleitoreira e de curto prazo.
Nesse quadro, dificilmente se pode esperar, em curto e médio prazo, o benefício de reformas político-institucionais macroeconômicas, capazes de aliviar o peso absurdo do Estado brasileiro sobre a sociedade, e abrir caminho para a modernização e a desburocratização do país, condição para alcançar maior capacitação competitiva, que estimule o crescimento econômico e viabilize a desejada inserção internacional como instrumento da sustentação do crescimento e não fator para o seu aviltamento.
Assim, governos que mentem para o público o tempo todo acabam mais cedo ou mais tarde mentindo para si mesmos e, pior ainda, acreditando nas mentiras que dizem; o resultado é que sempre chegam a uma situação em que não sabem mais fazer a diferença entre o que é verdadeiro e o que é falso.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

O Setor Elétrico Brasileiro

O setor elétrico brasileiro antes de sua reestruturação em 1995 era basicamente monopolista, com forte presença estatal em todos os seus segmentos e a integração de suas atividades operacionais era coordenada pelo governo federal, através da Eletrobrás.
O novo setor então implantado a partir daí, é fundamentalmente competitivo, com presença marcante de agentes privados e trouxe a redução do papel do Estado no setor, o qual se tornou agente regulador.
O novo modelo se ajustou pela segmentação das atividades de geração, distribuição e transmissão de energia com agentes distintos e trouxe uma regulamentação que coíbe comportamentos anticompetitivos com estímulo ao tratamento transparente e igualitário a todos os agentes setoriais.
Com a introdução da política de concorrência criou-se a figura do "produtor independente" com regras para a renovação das concessões existentes no mercado cativo; concebeu o "mercado livre" (consumidores livres) e extinguiu a exclusividade de fornecimento de energia para áreas de concessão, inserindo o "livre acesso" aos sistemas de transmissão e distribuição.
Com o fim do mercado cativo, os consumidores passaram a escolher livremente o seu fornecedor de energia elétrica. Desta forma, as concessionárias transformaram-se em empresas de risco, buscando competitividade, eficiência e lucro.
Após a nova estruturação do setor elétrico, coube ao Estado a responsabilidade pela regulamentação e fixação de políticas setoriais. Desta forma, os próprios agentes se tornaram operadores do sistema com papel fundamental no planejamento e administração da eficiência energética utilizando-se de pesquisas e desenvolvimento tecnológico, próprios; assim grande parte da comercialização de energia é efetuada através de contratos bilaterais de longo prazo, complementada por contratos de curto prazo.
Nos contratos de longo prazo as negociações têm o preço livre, sem interferência governamental. Já a energia de curto prazo é adquirida no mercado “spot” (com pagamento à vista) a um preço calculado por uma fração de hora que reflete o custo do sistema para gerar energia adicional.
Já o financiamento do sistema que, tradicionalmente, era executado por recursos públicos ficou restrito a recursos privados com suporte do BNDES e as empresas que eram verticalmente estatais passaram a ser concessionárias segmentadas por atividade de geração, transmissão, distribuição e comercialização.
Os pilares básicos de funcionamento do setor passaram a seguir o processo de competição nos segmentos de geração e comercialização de energia, e as expansões e os investimentos, necessários aos negócios, passaram a ter aportes do setor privado com regulação dos segmentos que são monopólios naturais como os setores de transmissão e distribuição de energia visando assim garantir qualidade dos serviços e o suprimento de energia de forma compatível com as necessidades de desenvolvimento do país.
A criação da ANEEL como uma autarquia vinculada ao Ministério das Minas e Energia tem como finalidade a regulação e fiscalização da produção, transmissão, distribuição e comercialização de energia elétrica, zelando pela qualidade dos serviços prestados pelas concessionárias a qual se responsabiliza também pela universalidade de atendimento aos consumidores, bem como ao estabelecimento de tarifas e a preservando de viabilidade econômica e financeira do setor.
Pois é, o que estava bem equacionado gerou distorções a partir do momento em que a presidente Dilma Rousseff, através de medida provisória, convoca os agentes do setor, num gesto populista, a baixar os preços da energia de maneira forçada, levando os “players” do setor a polvorosa, já que não se respeitou os princípios estabelecidos pela legislação vigente a qual o governo atua como agente regulador do sistema. Com a ameaça de não renovação das concessões obrigou-se parte das empresas a baixarem os preços, desrespeitando o princípio de viabilidade econômica do empreendimento, trazendo uma total desorganização ao setor, traduzido em afastamento de investidores através do chamado risco regulatório.Ao baixar os preços forçadamente as empresas se colapsaram. Com perdas de receitas as empresas contabilizaram déficits (prejuízos) espetaculares detonando a viabilidade dos negócios. Recentemente veio ao cenário uma autorização do governo central para que as empresas busquem empréstimos no mercado bancário com aval governamental já que os bancos, ressabiados, não quiseram topar os empréstimos de alto risco ao setor. O “governo” então resolve financiar o sistema, porém, com seu caixa combalido busca resolver o problema através de aumento de preço de tarifa, jogando o ônus de suas ingerências para o consumidor que nada tem a ver com as atrapalhadas administrativas e ideológicas do Partido dos Trabalhadores.
As distorções não param por aí! Por falta de transparência administrativa resolve-se jogar os aumentos de tarifas para depois das eleições, significando um gesto escamoteador da situação, com a intenção de enganar a população no momento do voto.Com elevado grau de descrédito e instabilidade no setor elétrico os bancos privados solicitam mais garantias para deferir empréstimos. Daí a batata quente do problema recai sobre o Banco do Brasil, Caixa Econômica e BNDES para salvar a área elétrica com dinheiro público e atenuar a situação com um volume de recursos da ordem de R$ 53 bilhões, não se importando, porém, com os riscos que esse empréstimo trará aos bancos públicos, um gesto caracterizado como “populismo irresponsável”.
Considerando estudos recentes de que o consumo “per capita” de energia elétrica no Brasil até 2050 se estabilizaria num nível três vezes superior ao consumo atual, é de se supor, que se nada for feito de probo no setor, o risco de apagão se torna iminente, o qual ainda não ocorreu pelo simples fato de a economia brasileira ter simplesmente parado.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

As agruras da América Latina

A América Latina constituída por países de línguas derivadas do Latim se compõe de 20 países: Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Uruguai e Venezuela.
A região não é pequena, é composta por 600 milhões de habitantes e a totalidade dos países são subdesenvolvidos, apesar da ostentação de certas nações por serem industrialmente e tecnologicamente mais avançadas. Quem controla o avanço industrial e tecnológico na grande maioria dos países latino-americanos é o capital transnacional ou capital estrangeiro, como é o caso de BrasilMéxico e Argentina, países de maior expressão na região. Assim, a economia da maioria dos países da América Latina provém da agricultura que se baseia na primitividade de técnicas e numa desigualdade de distribuição de terras, que sempre dá privilégio aos grandes proprietários.
A maior presença da população ativa se encontra no setor primário (agricultura, pesca e pecuária) que é um dos elementos que caracterizam o grau de desenvolvimento da região. Somente alguns países apresentam significativas parcelas da população economicamente ativa no setor secundário (indústria e construção civil), porém é o setor terciário, de prestação de serviço que mais tem crescido em quase todos os países latino-americanos.
Em geral os países latinos, são dependentes da exportação de commodities agrícolas e minerais. Brasil, Argentina, México e Chile se destacam também na produção e exportação de manufaturados, pois possuem uma boa base industrial que lentamente vem se deteriorando. Quase a totalidade dos países é capitalista e seguem os fundamentos da economia de mercado, exceto Cuba que segue uma orientação equivocada no socialismo. Por outro lado Brasil, Argentina e Venezuela, embora capitalistas vem-se distorcendo dessa orientação, infelizmente.
O futuro da economia da América Latina se apresenta no momento com mais incertezas do que clarividências. Segundo especialistas, o baixo crescimento das economias centrais vem impondo aos países da região a necessidade de realizar “reformas estruturais” para serem mais competitivas.
A queda dos preços internacionais das commodities e a mudança da política monetária americana empurraram os países latino-americanos a uma encruzilhada. Em médio prazo, o cenário trará mais incertezas. O crescimento potencial da região tende a se manter abaixo da média da década passada, segundo especialistas. A região será mais pressionada pela sociedade e pelo empresariado a expor resultados positivos em termos de aumento de produtividade e de competitividade.
Fenômenos como a redução do crescimento na China, a queda nos preços internacionais das commodities exportadas pela região e o possível aumento dos juros dos Estados Unidos a partir de julho de 2015 trarão efeitos diferentes à região e vai exigir qualidade de gestão macroeconômica dos países centrais.
O México e os andinos, em especial, Peru, Chile e Colômbia – terão maior fôlego para enfrentar o cenário desfavorável e devem manter a curva de crescimento. Já o México, Integrado aos Estados Unidos, deverá se beneficiar da recuperação americana e também de reformas adotadas em 2013 no setor energético e na tributação das empresas.
Os andinos (Chile, Colômbia e Peru) souberam como se valer do aumento dos preços das commodities na década passada, mantiveram a inflação e as contas públicas sob controle e ampliaram seus mercados consumidores.
Venezuela e Argentina formam o grupo oposto. Seus modelos econômicos centralizados estão esgotados. Favorecidos pelo aumento dos preços das commodities nos anos 2000 ambos os países expandiram seus gastos públicos, foram lenientes com a inflação e criaram dificuldades ao investimento produtivo. A Argentina tem seu quadro agravado desfavoravelmente com o chamado calote de sua dívida internacional com fundos de investidores.
O Brasil pode ser considerado em um grupo de crescimento frustrante. O País está atrasado nas reformas estruturais para expandir seu potencial de produção e aumentar a competitividade. O desemprego baixo é considerado uma “característica benigna”, mas não vem acompanhado por aumento de renda. Junte-se a isso o gigantesco dispêndio com o “Seguro Desemprego”, o que caracteriza uma tremenda contradição, acrescido do “Bolsa Família”, considerados por especialistas como um assistencialismo deslavado. A situação das contas públicas não é confortável, a inflação está acima do centro da meta e conta apenas com margem monetária – aumento de juros - em especial para enfrentar um cenário mais desfavorável.
O déficit em transações correntes (transação de um país com o exterior) é um grave problema macroeconômico da América Latina, e isso afeta o crescimento regional embora não deva causar dificuldades cambiais porque o nível de reservas internacionais da região é elevado, ou seja, perto de US$ 800 milhões.
As reformas estruturais são o grande desafio para a América Latina. Os países da região terão inevitavelmente de enfrentar esses problemas. A agenda de reformas inclui redução da carga tributária e investimentos em infra-estrutura, educação e mão de obra qualificada. Brasil e México precisam reduzir a dependência de países com grandes economias. No caso do Brasil, em relação à dependência de exportações para Europa e China, enquanto o México é extremamente dependente da economia americana e européia.
Assim, a América Latina tem diversos desafios pela frente, como erradicar a violência que impede o desenvolvimento econômico e inibe investimentos estrangeiros, como realizar as reformas trabalhista, educacional, de infra-estrutura e de segurança, e contornar seu maior problema que é eminentemente político.