sábado, 24 de fevereiro de 2018

Entendendo o Governo Temer


O governo Michel Temer teve início no dia 12 maio de 2016 quando o vice-presidente da República assumiu interinamente o cargo de presidente da república, após o afastamento temporário da presidente Dilma Rousseff, em consequência da aceitação do processo de impeachment pelo Senado Federal. Concluído o processo, no dia 31 de agosto do mesmo ano, Temer assumiu o posto de forma definitiva.
Temer chegou à presidência em meio a uma grave crise econômica no país, herdada do governo anterior e afirmou, no ato de posse, que seu governo haveria de ser um governo reformista. 
Foram trazidas à tona diversas propostas econômicas, como o controle dos gastos públicos, por intermédio da já aprovada PEC 55, que imporia limites aos gastos futuros do governo federal; a necessária reforma da previdência, que está em fase de discussão, embora com menores chances de entrar em pauta devido a sabida intervenção na segurança pública no estado do Rio de Janeiro; a reforma trabalhista, já aprovada; e a liberação da terceirização para atividades-fim. 
Desse modo, o governo se centrou mais nas questões econômicas, com o objetivo inicial de tirar o país da recessão e retomar o crescimento. Por outro lado, houve também mudanças no campo social, como a conclusão e inauguração de parte da obra de transposição do rio São Francisco, e no campo da educação, veio a aprovação da reforma do ensino médio, dentre outras.
Desde a ascensão de Temer ao Planalto, o envolvimento de aliados, ministros e do próprio presidente em escândalos de corrupção trouce polêmicas, embora com o passar do tempo nota-se que a armação dos donos da JBS, não provou de todo o envolvimento do presidente. Mesmo assim, o governo vem conseguindo manter uma base sólida no Congresso, o que tem possibilitado a aprovação de reformas importantes para estimular o crescimento econômico.
Embora tenha realizado muito num curto espaço de tempo e tirado o país da recessão econômica as pesquisas dão um percentual ruim ao atual presidente apresentando uma rejeição de 70% e parte desse desgaste e dessa avaliação negativa diz respeito a uma Reforma da Previdência que não foi concluída. Curiosamente, se olharmos os indicadores econômicos, para a realidade econômica do país, a vida das pessoas, evidentemente, melhoraram muito em relação ao governo Dilma.
Em realidade, não há razão objetiva para haver essa avaliação negativa. O que existe são percepções nas chamadas, esferas subjetivas de percepção, e parte dessa avaliação diz respeito a Reforma da Previdência.
Poucos percebem que a Reforma da Previdência tem caráter de longo prazo, o que traria uma convergência positiva das contas públicas em longo período, não havendo, portanto, nenhum reflexo no governo atual.
Caso a Reforma da Previdência não saia este ano ela entrará, certamente, na pauta do próximo governo, pois se nada for feito nesse sentido, o governo brasileiro colapsará em 2020. Ou seja, se nada for feito, em 10 anos, estaremos gastando 80% do orçamento público apenas com a previdência, tornando o governo insolvente, portanto, sem recursos para a saúde, segurança, educação, etc.
É preciso entender que os agentes econômicos (empresas, famílias e instituições), observam o futuro do país para fazer suas apostas de investimentos, através de perguntas simples:  o déficit do governo brasileiro tem uma resposta no médio e no longo prazo? As medidas tomadas faz o país entrar no azul? Pelo menos, se caminha para um déficit sustentável?
Por outro lado, uma percepção dos investidores, da existência de um déficit crescente e explosivo no curto e médio prazo, faz com que ele se afugente. Assim, a aprovação da reforma da previdência mudaria as expectativas de longo prazo do país.
Por outro lado, poucos se dão conta de que o Congresso votou matérias essenciais para a economia voltar a crescer, como por exemplo, o Teto dos Gastos; a nova lei da Petrobrás que permite outras empresas a fazer a exploração do Pré Sal, etc.
Olhando os números da economia do atual governo através do Boletim Focus do Banco Central de 19/02/2018, vemos que a prévia do PIB para 2017 é de crescimento de 1,04% - primeira alta anual do índice de atividade econômica desde 2013.
Para 2018, a expansão do PIB, segundo dados do mercado financeiro, chega a 3%, e a expectativa da Inflação fica em 3,81%. Já a taxa básica de juros para o final deste ano permanece em 6,75% aa.
Em 2017 a balança comercial teve um saldo positivo de US$ 67 bilhões – o melhor resultado desde o início da série histórica em 1989.
Dados do Ministério da Indústria e Comércio Exterior e Serviços apontam que as exportações brasileiras superaram as importações em US$ 6,200 bilhões. O resultado é 21,1% maior do que o registrado no mesmo período de 2017; e a previsão do governo é de que as exportações superem as importações em US$ 50 bilhões este ano.
A Inflação oficial do país fecha janeiro em 0,29% e fica abaixo do esperado. Essa é a taxa mais baixa para o mês desce a criação do Plano Real em 1994, e no acumulado dos últimos 12 meses o índice de inflação é de 2,86%, o menor nos últimos 11 anos.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Usiminas – Novo Pacto de Governança Corporativa


Com novo pacto de governança corporativa os grupos Ternium e Nippon Steel fecharam acordo em 08/02/2018, para encerrar as disputas em torno da gestão da Usiminas; o qual prevê alternância na presidência da empresa a cada 4 anos, além da adoção de um mecanismo de saída que permite a cada um dos sócios majoritários a aquisição da participação do outro na empresa, em caso de novas desavenças. Assim a Usiminas, a maior produtora de aços planos da América Latina adotará novas regras que permitirão a alternância de presidente-executivo e de presidente do conselho de administração a cada quatro anos entre os dois grupos.
Essa nova composição começará com o grupo Ternium indicando o Presidente-Executivo, o atual ocupante do cargo, o Sr. Sergio Leite; enquanto a Nippon Steel nomeará para a Presidência do Conselho de Administração o executivo Ruy Hirschheimer, ex-presidente da Electrolux na América Latina entre 1998 a 2016, o que se efetivará na eleição para a diretoria da Usiminas, prevista para maio deste ano.
Desse modo, o termômetro do acordo ficou por conta do desprendimento entre os sócios em aceitar esse mecanismo de saída, ao qual um deles, poderá comprar a maioria, ou até mesmo, a totalidade da participação do outro na siderúrgica; após quatro anos e meio da eleição da nova diretoria da Usiminas.
Por outro lado, o formato do mecanismo de saída, porém, não foi detalhado pelas empresas participantes do acordo; foi comunicado apenas que o recurso poderá ser iniciado por qualquer uma das partes, com ou sem causa definida, a qualquer momento, após período de negociação de seis meses, onde qualquer das partes poderá comprar um determinado número de ações ordinárias detidas pela outra parte, consolidando o controle. Embora a parte vendedora possa optar por manter cerca de 10 por cento das ações ordinárias  da Usiminas.
Outro detalhe do acordo, diz respeito às demais ações da empresa em circulação, onde  Ternium e Nippon acertaram que nenhum dos dois grupos, e suas subsidiárias poderá comprar ações ordinárias da Usiminas sem a permissão do outro.
O acordo entre os acionista traz ainda que a diretoria da empresa composta por seis membros, incluindo o diretor-presidente, terá nomeações que serão divididas de forma que cada sócio escolha os nomes de 50% dos executivos. 
Dentro de todo esse entendimento faltou esclarecer o papel dos minoritários onde a CSN é a maior acionista.
Cabe destacar que o acordo veio em boa hora, principalmente, depois que a Agência de Classificação de Risco Moody’s, elevou em 24/01/2018 a classificação da Usiminas referente ao rating de crédito de longo prazo em moeda estrangeira de Caa1 para B2, com perspectiva estável.
Essa elevação do rating da empresa reflete, principalmente, a conclusão do processo de renegociação da dívida, com a amortização dos bônus de 2018 emitidos pela Usiminas, o que removeu as pressões de liquidez, o permite agora que a empresa foque ainda mais em suas operações do dia a dia.
Segundo a agência Moody’s a elevação do rating incorpora a expectativa de que os indicadores de crédito vão melhorar gradualmente, apoiados principalmente, na recuperação lenta, mas gradual na indústria de aço do Brasil, facilitando a empresa a gerar fluxos de caixa livre positivo nos próximos anos.
Todo esse conjunto de medidas, vêm na direção de ampliar a parceria entre os sócios, de melhorar a governança corporativa e de ampliar a expansão da empresa com vistas ao médio e longo prazo, na busca de maior produtividade e de assertividade nas políticas empresariais voltadas para manter o papel de liderança da siderurgia brasileira. 

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Capacidade Tecnológica brasileira e a Indústria 4.0

Estamos percorrendo uma era de imensos avanços e ganhos tecnológicos e, infelizmente, as empresas brasileiras estão presas a tecnologias ultrapassadas, o que afeta diretamente a produtividade do país.
Essa defasagem tecnológica tem várias explicações. Uma delas é que o Brasil ainda tem uma economia muito fechada. Assim, com o mercado doméstico garantido, as indústrias instaladas por aqui têm menos incentivos para investir em aumento de produtividade.
Outra razão que inibe o investimento em tecnologia é o custo Brasil. Podemos dizer que uma empresa brasileira gasta, em média, 37% mais do que uma companhia americana na aquisição do mesmo maquinário.
A terceira razão vem da elevada burocracia existente no país. Isto fica claro, quando analisamos as aquisições de  máquinas e equipamentos. Aquelas que trazem inovação tecnológica estão livres de impostos de importação, porém, para conseguir o benefício, a empresa precisa submeter o seu pedido de importação ao governo, que, por sua vez, consulta as entidades patronais, levando esse processo a durar perto de três meses.
Por outro lado as empresas expostas à competição internacional, como a Embraer, se tornaram, justamente, as mais avançadas tecnologicamente.
Outro dado interessante, é que no Brasil, a idade média de máquinas e equipamen­tos é de 17 anos, ante sete anos nos Estados Unidos e de cinco anos na Alemanha. 
Para termos uma ideia sobre a produtividade individual do brasileiro, basta olhar a estudos que dizem: nos anos oitentas um americano trabalhava por três brasileiros e por vinte e cinto Chineses. Em 2013 um americano trabalhava por cinco brasileiros e por quatro chineses.
O distanciamento brasileiro dos mercados globais é o que nos tem causado dificuldades. Será preciso alterar esse quadro para inserirmos a indústria brasileira globalmente e aproximarmos das melhores práticas tecnológicas existentes, e fazer com que elas atuem em nosso favor.
Estudo inédito sobre difusão tecnológica no Brasil produzido pelo SENAI, com os nove principais setores da indústria nacional, mostra um quadro desalentador. Na área metal mecânica, por exemplo, apenas de 10% a 30% do mercado deverá adotar robôs de soldagem e montagem nos próximos cinco anos.
Dados revelam que o problema é maior nas pequenas e médias empresas. Elas demoram até dez anos para adquirir uma tecnologia lançada hoje no mercado, o que é preocupante. As exceções estão nos setores mais dinâmicos da indústria.
Outro canal de inovação no Brasil são as multinacionais, que trazem plataformas globais de produção.
Embora liderado pela indústria automobilística, o processo de robotização no País se espalha por outros setores, com destaque para as indústrias de alimentos e bebidas, eletroeletrônica e química. O uso de robôs em diversas etapas da produção é um importante passo para fazer parte da chamada Indústria 4.0, ou fábricas inteligentes, totalmente automatizadas.
Até recentemente a robótica era considerada somente pelas grandes multinacionais, mas agora começa a ser adotada também por médias e pequenas empresas. Assim, a robotização se tornou um dos  segmentos tecnológicos que mais crescem no mundo.
No Brasil são instalados em média 1,5 mil robôs por ano, mas, embora seja um avanço em relação a períodos recentes, é um volume considerado ainda muito baixo em relação aos países mais desenvolvidos. A nossa instabilidade política e econômica tem inviabilizado investimentos nessa área, além do que nos deparamos ainda com um custo de capital é elevado.
Dados da Federação Internacional de Robótica (IFR, na sigla em inglês), mostram que na Coreia do Sul, país que lidera o processo de automação, há 531 robôs para cada grupo de 10 mil trabalhadores na indústria.
Em Cingapura, no Japão e na Alemanha, a proporção é superior, existem 300 robôs para cada grupo de 10 mil trabalhadores. Na China existem 49 robôs, mas com previsão de chegar a 150 até 2025. No Brasil, empresários do setor de automação avaliam que há apenas 10 robôs para cada 10 mil trabalhadores na indústria.
Fica o alerta. Sem nos prepararmos, adequadamente, para enfrentar esse quadro, com máquinas americanas e europeias, deixaremos apenas rastro no final dessa fila. O que não nos deixa outra opção a não ser a de abraçarmos a inovação, sem restrições!

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Neutralidade da Internet

O fim da neutralidade da internet nos EUA pode afetar o Brasil. A medida adotada pelos “yankees”, pode reabrir o debate por aqui, embora a nossa legislação preveja, atualmente, a neutralidade da rede.
Pois é. A agência que regula a Internet nos Estados Unidos aprovou, recentemente, o fim do princípio de neutralidade da rede no país. Dessa maneira, a Comissão Federal de Comunicações (FCC, na sigla em inglês) reverteu o entendimento da Internet como um serviço público, no qual os provedores são obrigados a tratar todos os dados da rede de maneira igual, sem importar sua origem, tipo ou destino. Caso a decisão seja, realmente, referendada pelo Congresso americano,  será permitido às operadoras separar conteúdos, priorizar alguns e cobrar por pacotes diferenciados de acesso à internet.
Críticos à nova legislação temem que ao utilizar serviços de transmissão de vídeos (streaming) como os da Netflix (Provedora Global de filmes) ou de jogos online, suas operadoras passem a cobrar taxas ou planos de acesso à Internet, o que os tornariam parecidos aos pacotes de TV a cabo.
No Brasil, a neutralidade da rede passou a ser garantida a partir de 2014, quando o Marco Civil da Internet entrou em vigor. Assim, de acordo com a legislação brasileira, as empresas não podem discriminar os dados que trafegam na rede e tem o dever de tratar de forma isonômica quaisquer pacotes de dados, sem distinção por conteúdo, origem e destino. 
Na opinião de especialistas, o maior problema da decisão americana é possibilitar um possível bloqueio à inovação na rede. Hoje, a legislação garante igual acesso a todas as empresas que queiram lançar serviços e produtos na internet. Temos uma rede aberta e democrática. Com a quebra da neutralidade pode haver certa burocratização de acesso, o que pode obrigar aos criadores de novos aplicativos e ferramentas a terem que negociar com as operadoras o acesso aos seus serviços.
O princípio da neutralidade da Rede garante a igualdade de acesso a conteúdos e evita que haja conteúdos de primeira e de segunda classe. A supressão dessa regra coloca em perigo o espírito fundador da Internet, que nasceu como uma infraestrutura descentralizada para conectar computadores dispersos por todo o planeta e não como um espaço comercial.
O fim dessa norma pode afetar aspectos relevantes como o bloqueio de conteúdos, de tal forma que as empresas imponham suas normas para o acesso a alguns conteúdos; assim como a diminuição de velocidade de serviços, onde priorize aqueles que paguem um valor adicional para determinado serviço; o que abre brecha entre uma Internet para os ricos e outra para os pobres, transformando-se em privilégio o acesso a serviços de empresas de telecomunicações cada vez mais criadoras de conteúdo, como Netflix e Movistar (empresa espanhola de conteúdos).
As preocupações podem ser também transferidas ao campo das pequenas empresas com negócios hospedados na Rede. Caso a velocidade de tráfego, por exemplo, dependa de pagamentos realizados aos servidores, as empresas com menor orçamento passariam a ocupar uma posição desigual diante das gigantes comerciais.
Quase 50 países adotam a regra que determina isonomia no tratamento de dados pelas empresas provedoras de conexão, onde a neutralidade estipula que todo conteúdo trafegue com a mesma velocidade.
Com a neutralidade da internet, nenhum site, serviço ou aplicativo usufrui de maior rapidez ou de privilégios. Isso dá ao usuário poder de decisão sobre qual informação disponível ele queira acessar na rede.
Entre os efeitos possíveis da nova decisão, são esperados riscos à liberdade de expressão, à privacidade e à inovação, não somente para os Estados Unidos como também para o resto do mundo.
Podemos dizer que o conflito econômico básico da internet está entre encará-la como uma estrutura de interesse público, fundamental para a circulação de informações, ou como uma infraestrutura de telecomunicações sob a lógica empresarial.
Desse modo, um dos maiores embates sobre o funcionamento da rede de internet acaba de recomeçar, o que não terá solução imediata, pois ele está apenas recomeçando.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Os Microsseguros

O microsseguro é uma modalidade de seguro pensada para pessoas com pequenos investimentos, focado principalmente, nas classes D e E; o que podemos considerar como o primeiro passo, para inclusão de pessoas que nunca puderam ter algo segurado na vida.
Portanto, o alvo dessa modalidade de seguro são os consumidores de baixa renda, para os quais são desenhadas coberturas sob medida para ampará-los em situações de risco como grandes choques econômicos que possam afetar o orçamento doméstico dessa classe social, ameaçando  jogá-los degraus abaixo no nível de pobreza; seja ainda em virtude de morte; doenças prolongadas ou invalidez permanente, por exemplo.
O Brasil reúne indicadores para uma acelerada expansão do microsseguro, dado o numeroso mercado formado por pessoas de baixa renda, sendo  consenso entre os especialistas de que o Brasil possui o maior mercado voluntário de microsseguro, com um contingente de, aproximadamente, 100 milhões de pessoas adultas.
Assim, as coberturas são diversas para este nicho de mercado. Para termos uma ideia, existem coberturas como as existentes no seguro prestamista; as de apólice de vida em grupo conjugada com as de acidentes pessoais; e a de assistência funeral. Mas cabe ressalvar que tais exemplos de coberturas não devem se constituir em limitador do mercado, cabendo aos prestadores desse serviço à missão de desenvolver cada vez mais produtos adaptados às necessidades e à realidade dessa numerosa população de renda baixa.
Por definição, o Microsseguro, é uma proteção securitária fornecida por entidades autorizadas a operar no território nacional, com o objetivo principal de preservar a situação socioeconômica do segurado; assim como pessoal ou familiar desse contingente populacional contra riscos específicos, mediante o pagamento de prêmios proporcionais às probabilidades e aos custos dos riscos envolvidos, em conformidade com a legislação e os princípios dos seguros globalmente aceitos.
Nesse contexto, o Microsseguro se torna uma ferramenta de  inclusão de serviços de seguros, poupança ou crédito, para esse segmento de baixa renda da sociedade, contribuindo assim para o acesso à proteção contra riscos.
Como todo modelo securitário, para a concessão do microsseguro, são consideradas algumas variáveis como: renda, nível de escolaridade, condições de moradia, dentre outros; podendo participar trabalhadores informais ou com carteira assinada, assim como microempreendedores.
Outro fato interessante, é que o Microsseguro e Seguro Popular não significam a mesma coisa. O Microsseguro é uma modalidade de seguro direcionado, especificamente, para pessoas de baixa renda, enquanto o Seguro Popular é o termo que define o seguro de prêmios com valores menores, porém voltados para todo tipo de consumidor.
Dados recentes da Superintendência de Seguros Privados (Susep) mostram que em 2015 o microsseguro teve aumento de 11% em relação a 2014, com ganhos de R$ 91 milhões; e entre janeiro e setembro deste ano, o segmento de microsseguros movimentou R$ 245,6 milhões; representando um crescimento real (descontada a inflação) de 63,39% em relação, ao mesmo período, do ano passado.
Já o relatório americano “The State of Microinsurance” mostrou que apenas na América Latina o volume comercializado do microsseguro em 2015 foi de US$ 830 milhões, cobrindo cerca de 50 milhões de pessoas agora seguradas.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

O Bitcoin

O Bitcoin é uma moeda totalmente virtual criada há mais de dez anos, a qual vem atraindo à atenção de investidores em todo o mundo e já se tornou aceita como meio de pagamento em alguns países. Ela se transformou numa moeda, assim como o real ou o dólar, porém, bem diferente dos exemplos citados.
Uma das diferenças marcante dessa moeda é o fato de não ser possível mexer no bolso da calça e encontrar uma delas esquecida, pois, ela não existe fisicamente. Sua existência é totalmente virtual.
Outro fato inusitado é que sua emissão não é controlada por nenhum Banco Central. Ela é produzida de forma descentralizada por milhares de computadores, mantidos por pessoas que “emprestam” a capacidade de suas máquinas para criar “bitcoins” e registrar todas as transações realizadas com ela.
No processo de nascimento de uma bitcoin, chamado de “mineração”, os computadores conectados à rede competem entre si na resolução de problemas matemáticos onde o vencedor recebe um bloco da moeda. 
Portanto, não é necessário ser um especialista para compreender o funcionamento das bitcoins. O nível de dificuldade dos desafios é ajustado pela rede, para que a moeda cresça dentro de uma faixa limitada, que é de até 21 milhões de unidades até o ano de 2140.
Esse limite foi estabelecido pelo criador da moeda, um desenvolvedor misterioso chamado “Satoshi Nakamoto” — que, até hoje, nunca teve a identidade comprovada.
De tempos em tempos, o valor da recompensa dos “mineiros” também é reduzido. Quando a moeda foi criada, em 2009, qualquer pessoa com o software poderia “minerar”, desde que estivesse disposta a deixar o computador ligado por dias e noites. 
Com o aumento do número de interessados, a tarefa de fabricar bitcoins ficou apenas com quem tinha super máquinas. A disputa aumentou tanto que surgiram até computadores com hardware dedicados, exclusivamente, a essa tarefa como o Avalon ASIC.
Além da mineração, é possível possuir bitcoins comprando unidades em casas de câmbio específicas ou aceitando a criptmoeda ao vender coisas.
As moedas virtuais são guardadas em uma espécie de carteira, criada quando o usuário se cadastra em um software específico.
Depois do cadastro, a pessoa recebe um código com letras e números, chamado de “endereço”, utilizado nas transações. Quando ela quiser comprar um jogo, por exemplo, deve fornecer ao vendedor o tal endereço. As identidades do comprador e do vendedor são mantidas no anonimato, mas a transação fica registrada no sistema de forma pública. Detalhe, a compra não pode ser desfeita.
Com bitcoins, é possível contratar serviços ou adquirir coisas no mundo todo. O número de empresas que a aceitam ainda é pequeno, porém, vários países, como a Rússia se movimentam no sentido de regular a moeda. Em abril deste ano, o Japão começou a aceitar bitcoins como meio legal de pagamento. O esperado é que até trezentos mil estabelecimentos no Japão aceitem, até este fanal de ano, esse tipo de moeda. 
Por outro lado, países como a China tentam fechar o cerco das criptomoedas, ordenando o fechamento de várias plataformas de câmbio e proibindo a prática conhecida como ICO (initial coin offerings), uma espécie de abertura de capital em uma bolsa de valores, porém, realizada com criptomoedas.
Já o valor da bitcoin segue as regras de mercado, ou seja, quanto maior a demanda, maior a cotação.
Historicamente, a moeda virtual apresenta alta volatilidade. Em 2014, sofreu uma forte desvalorização; no entanto, retomou sua popularidade nos anos seguintes.
Nos últimos anos, o interesse pela bitcoin explodiu. Em dado período a moeda era negociada a pouco mais de mil dólares, para depois chegar a mais de 10 mil dólares.
Os entusiastas da moeda dizem que o movimento de alta deve continuar com o interesse de novos adeptos e com maior aceitação da moeda; enquanto críticos afirmam que a moeda vive uma bolha semelhante à Bolha das Tulipas, do século XVII na Holanda, e que estaria prestes a estourar.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Desigualdade Previdenciária no Brasil

Especialistas em desigualdade social e contas públicas têm sido unânimes em afirmar que uma relevante reforma da Previdência tanto na ótica fiscal quanto na social, deveria começar atacando os privilégios do sistema como um todo, e mais precisamente, os privilégios das aposentadorias do setor público.
Na Previdência Social os descalabros são imensos. Vejam que o aposentado do  regime geral aquele do INSS, em média ganha, R$ 1.450,00 de aposentadoria; enquanto a média de ganho dos servidores municipais é de R$ 5.289,00 - quase 4 vezes mais a renda dos aposentados do INSS.
Nos estados, país afora, a média de ganho chega a R$ 5.900,00; no executivo federal se ganha, R$ 7.716,00 em média de aposentadoria; já a média de ganho do funcionalismo federal é de R$ 7.700,00. Os militares federais  ganham em média,  R$ 9.700,00; o Ministério Público federal fica com R$ 19.128,00, em média, equivalente, a mais de 10 vezes o ganho do aposentado do INSS. E lembre-se que o Ministério Público tem como prerrogativa defender e proteger a sociedade brasileira, por ser uma espécie de advogado do cidadão brasileiro.
O Judiciário Federal é outra dureza, ganham em média, R$ 22.336,00, enquanto os deputados e senadores juntamente com os funcionários das casas da Câmara e do Senado, ganham R$ 28.900,00 em média. Isso representa 20 vezes mais a aposentadoria média dos aposentados do INSS.
É preciso fazer alguma coisa, o país não aguenta mais isso! Os brasileiros não querem mais pagar essa conta que gera uma enorme transferência de renda dos mais pobres para os mais ricos!
E a reforma da Previdência deverá ser feita para corrigir essas injustiças e resolver esta situação; não é para diminuir a aposentadoria de pobre, como dizem por aí. A reforma é para garantir o pagamento das aposentadorias dos aposentados ao longo de sua vida.
Por outro lado, os desajustes das contas públicas é uma realidade. Daí a existência de grande preocupação com a evolução das contas; e o reequilíbrio das finanças do setor público é um ponto de sustentação da estabilidade e do crescimento econômico atual. Caso não haja esse reequilíbrio isso gerará  desconfiança em relação à economia brasileira, o que pode trazer pressões com consequências danosas como a inflação, dentre outras.
Todo esse descontrole acaba por afugentar investimentos e os empresários, não somente os da indústria acabam adiando investimentos por ainda estarem com capacidade ociosa e pelo fato de terem consciência da gravidade de uma situação de desequilíbrio fiscal. E como a previdência é a responsável pela maior parte do rombo das contas publicas, as mudanças passam por ela.
Espera-se um crescimento maior da economia brasileira no ano que vem e a consolidação dessa melhoria é ainda muito gradual, o que vai depender da confiança dos agentes econômicos e da capacidade do governo de voltar a ter superávits fiscais e de buscar condições de reduzir a dívida pública.
Diante dos obstáculos que se apresentam o governo poderá ter dificuldades para cumprir a meta fiscal do ano que vem o que pode esfriar os investimentos esperados e trazer dificuldades no encaminhamento das concessões realizadas por parte do setor público.
Estamos sim num ciclo mais positivo da economia, porém, a consolidação, propriamente dita, dependerá, fortemente, dos ajustes das contas públicas, e isso passa, invariavelmente, pela Reforma da Previdência.