domingo, 17 de fevereiro de 2019

Tecnologia 5G


A quinta geração da telefonia celular chamada de 5G já chegou e veio para mudar as nossas vidas.
Assim, com velocidade de “download” e de “upload” de dados ultra rápidos, essa nova tecnologia proporcionará a seus usuários baixar filmes de elevada definição em exíguos sessenta segundos de tempo, através de conexões, extremamente, estáveis. Isso proporcionará o acompanhamento em tempo real de um jogo de futebol como se estivéssemos no próprio estádio; ou mesmo, assistir ao vivo, em nossas casas, todos os shows da turnê de nossas bandas favoritas, sem o aperto das primeiras fileiras do evento. E as vídeo chamadas se tornarão mais claras e menos irregulares do que acontece hoje.
Interessante nessa inovação é a possibilidade da criação de novos empregos, de novas plataformas de serviços e de novas atividades, as quais, em grande parte, ainda serão criadas e que em seu todo ainda não se pode prever.
Neste contexto, a tecnologia 5G, vai além dos celulares, chegando ao que chamamos de conectividade. Portanto, essa inovação será crucial para que veículos autônomos conversem entre si, leiam mapas e dados de tráfego em tempo real, dentre outros.
Desse modo, a profusão de “drones” é outro ponto interessante, pois eles poderão contribuir em missões de buscas e salvamentos, em avaliações de incêndios e no monitoramento de tráfego das grandes cidades. Com um diferencial: esses equipamentos estarão se comunicando entre si, sem fios, com bases terrestres por meio das redes 5G; onde dispositivos estarão sendo utilizados para monitorar a saúde do ser humano em tempo real, notificando aos médicos qualquer emergência ou anormalidade.
Especialistas apontam que estamos consumindo mais dados a cada ano à medida que vem aumentando a popularidade das transmissões de vídeo e de música. As faixas de frequência existentes estão ficando congestionadas, levando a falhas nos serviços. Não é para menos, pois o mundo está se tornando cada vez mais móvel, dado a eficiência do 5G em lidar, simultaneamente, com milhares de dispositivos de celulares, de sensores de equipamentos, de câmeras de vídeo, e de até mesmo os relacionados às iluminações urbanas inteligentes, etc.
Nessa toada, a tecnologia 5G também chegou aos negócios. A “SPRO It Solutions”, uma empresa especializada em estratégias de negócio e de tecnologia paranaense, instalou sensores para monitorar a ambiência, a temperatura, a umidade, a luminosidade, entre outros itens, em viveiros para aves. Interessante é, que a partir desses dados transmitidos pela rede celular a seus gestores, os ajudarão na tomada de melhores decisões, o que, certamente, acrescentará muito na produtividade e na competitividade dessas empresas.
A velocidade de acesso é sem dúvida o principal chamariz dessa nova tecnologia, mas as possibilidades vão muito além, chegando à internet das coisas. Mas, o que é a internet das coisas?
A chamada internet das coisas trata dos objetos conectados à internet, como hoje conhecemos nos aparelhos de TV e nos relógios inteligentes, que ganharão cada vez mais espaço em nosso cotidiano. Esses equipamentos dispensarão comandos dos usuários e conversarão entre eles, criando casas, prédios e cidades mais inteligentes.
Por exemplo, se o ar condicionado de sua residência estiver conectado à internet, você poderá avisá-lo que está chegando em casa e acionar seu funcionamento. Assim, ao entrar em sua casa, a temperatura ambiente já estará ajustada a seu gosto.
Portanto, veículos, prédios, eletrodomésticos e outros objetos poderão estar conectados à internet e serem acionados remotamente, assim como eles mesmos, remotamente, poderão enviar-lhe informações que lhe sejam úteis.  
Com isso, muitas possibilidades poderão ser criadas, embora, muitas sejam ainda impensáveis. Porém, outras delas já podem ser visíveis como, por exemplo, a luz do quarto ir se acendendo, gradualmente, até que seu usuário acorde. Quando isso ocorrer, a lâmpada enviará um comando para a cafeteira começar a funcionar e preparar o seu café.
Dados da empresa de tecnologia Sueca “Ericsson” estimam que, em 2022, 70% dos objetos conectados, ou seja, 1,5 bilhão de aparelhos usarão redes de telefonia para conexão entre si.
Os EUA estão iniciando a utilização da tecnologia 5G por suas residências. Ou seja, o proprietário do imóvel ao invés de contratar uma banda larga fixa, ele agora adquire uma solução 5G, que entrega maior velocidade através de uma tecnologia sem fios, incluídas aí toda a conectividade exigida.  
Do lado financeiro, pesquisa da empresa americana “Qualcomm” aponta que o 5G vai movimentar US$ 3,5 trilhões em 2035 em todo o mundo, com possibilidades de impulsionar essa tecnologia em setores como educação, transporte e entretenimento, permitindo a criação de 22 milhões de novos empregos.
Para o cientista Indiano, “Amol Phadke”, líder global da “Accenture”, uma empresa de Estratégia e Consultoria de Redes, os países da América Latina provavelmente adotarão de maneira mais lenta o novo padrão 5G.
Por outro lado, a maioria dos países não deve lançar a tecnologia 5G antes de 2020, porém, a Coreia do Sul pretende sair na frente e oferecer o serviço a partir deste ano. A China também está correndo para estrear a tecnologia agora em 2019 e já vem testando transmissões em tempo real com “drones” de alta definição usando o 5G.
Deste modo, no curtíssimo prazo, o 5G será, predominantemente, um serviço urbano para áreas densamente povoadas, sendo improvável que os moradores de áreas rurais se beneficiem do 5G no curto prazo.
No Brasil, há muitos desafios e o lançamento do 5G está previsto para 2020. 
Veremos!

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

O Brasil, Minas Gerais e a Vale


A Vale, uma das maiores e mais importantes empresas listadas na Bolsa de Valores de São Paulo e de Nova York, controlada por fundos de pensão e bancos públicos e privados brasileiros, bem como de investidores estrangeiros, se meteu, novamente, com problemas de derramamento de barragens causando perdas humanas, biológicas, destruindo biomas e rios por onde passa a lama.
Na realidade, os impactos ambientais da mineração em si são diversos e acontece em variadas escalas visíveis em alterações biológicas, geomorfológicas, hídricas e atmosféricas de grandes proporções. Portanto, conhecer e compreender essas adversidades nos ajudam a buscar meios para minimizar seus efeitos na busca de garantias à preservação dos ambientes naturais aos seres vivos.
As principais alterações nas paisagens e os impactos gerados pela mineração são a remoção da vegetação em todas as áreas de extração; a poluição dos recursos hídricos (superficiais e subterrâneos) pelos produtos químicos utilizados na extração de minérios; a contaminação dos solos por elementos tóxicos; a proliferação de processos erosivos, sobretudo em minas antigas ou desativadas que não foram reparadas pelas empresas mineradoras; a sedimentação e a poluição de rios através do indevido descarte dos materiais produzidos e não aproveitados como rochas, minerais e equipamentos danificados; a poluição do ar a partir da queima ao ar livre de mercúrio, muito utilizado na extração de vários tipos de minérios; a mortandade de peixes em áreas de rios poluídos pelos elementos químicos oriundos das minas; a evasão forçada de animais silvestres previamente existentes na área de extração mineral; a poluição sonora gerada em ambientes e cidades localizadas no entorno das instalações, embora a legislação vigente limite a extração mineral em áreas urbanas; a contaminação de águas superficiais tanto doce como salgada pelo vazamento direto dos minerais extraídos.
Estudos ambientais diversos, indicam, que muitos dos materiais gerados pela mineração são rejeitos, os quais muitas vezes são descartados erroneamente. Embora, nos rejeitos da mineração existam materiais nobres como fero, ouro, cobre e níquel, dentre outros, que podem ser reaproveitados, as mineradoras os deixam em barragens, infelizmente, sujeitas a riscos diversos de engenharia.
Estudos qualificados no Brasil e no exterior demonstram a existência de práticas obsoletas e mais modernas no armazenamento de rejeitos da mineração. Neste sentido, e diante dos desastres de Mariana e Brumadinho, cabe à empresa Vale admitir que está atuando com procedimentos e armazenamentos ultrapassados.
Neste particular é preciso considerar uma nova filosofia de trabalho; o planejamento dos procedimentos; uma estrutura qualificada de pessoal; critérios de contratação e de elaboração de projetos; controle e acompanhamento da construção; controle da operação do sistema de disposição dos rejeitos; um programa de monitoramento e de inspeções; um programa de auditorias e de avaliações de segurança; um plano de atendimento a emergências; critérios de desativação e de armazenamento de rejeitos; estrutura para evacuação de pessoal nas proximidades das barragens; dispositivos de alarme para alerta de pessoal, etc.
Por outro lado, as leis brasileiras precisam acompanhar os protocolos internacionais de segurança e se tornarem rígidas o suficiente na aprovação e controle de projetos de risco. Mais importante do que leis, é fazer com que elas sejam rigorosamente cumpridas sob pena de paralisação  da produção empresarial, até que o evento esteja de acordo com as normas estabelecidas.
Agora, depois dos trágicos acontecimentos em Mariana e Brumadinho, fica patente que punições rigorosas devam ser estabelecidas, logo após severas investigações que constatem crimes à vida humana e ao meio ambiente.
Embora, sejamos um país terceiro mundista, não aceitamos e não aceitaremos procedimentos obsoletos de mineração, seja de empresas nacionais privatizadas ou não, seja de empresas multinacionais que procedam em desacordo com a legislação vigente.
Cabe perguntar: os procedimentos adotados no Brasil estão de acordo com os procedimentos nos países de origem das empresas, ou mesmo, de acordo com as normas e os protocolos internacionais? As legislações municipais, estaduais e federais estão atualizadas e ajustadas às modernizações tecnológicas atuais, atendem às normas de segurança pretendidas atualmente?
Todos sabemos que as atividades mineradoras são importantes para as sociedades. Porém, isso não pode significar um manejo realizado de maneira não planejada, obsoleta e desprovida de fiscalização competente das instalações empresariais por parte do setor público brasileiro.
Neste cenário, cabe às empresas mineradoras promover medidas para o correto direcionamento do material descartado e a contenção da poluição gerada pelos elementos químicos do processo e fazer uma utilização sustentável dos recursos minerais a fim de garantir a sua existência para as gerações futuras. 
Dados internacionais, mostram que uma mina que tenha sido desativada por trinta anos tem seu risco aumento por vinte vezes, o que se registraria um risco anual cumulativo de 0,666%. Diante dessa informação podemos concluir então que uma barragem que apresente melhor custo-benefício é aquela que não se rompe.
Diante de tantas dificuldades, países como o Canadá vêm adotando procedimentos na forma de “dry stacking” (empilhamento a seco), o que dispensa o uso de barragens.
E mais, considerando a finitude dos minerais se tornou consenso nos meios da mineração que os rejeitos de hoje poderão ser o minério de amanhã. Isso reintroduz mais rigor nos procedimentos de geração e armazenagem de rejeitos, o que pode ser traduzido na otimização dos processos, já que os rejeitos possuem aplicabilidades variadas para os setores da agricultura, indústria cerâmica, indústria do vidro, construção civil, dentre outras. Tudo isso nos coloca diante de uma mineração sustentável com procedimentos de “compliance and commitment”, ou seja, conformidade e compromisso.
Afinal, o Brasil, Minas Gerais, Mariana e Brumadinho não podem se transformar no quintal das mineradoras, sejam elas de capitais nacionais ou internacionais!

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

O Brasil no Mundo


Como uma das dez maiores economias do planeta, não podemos ficar de fora do jogo internacional. Portanto, é hora de reinserirmos o Brasil no mundo. 
O mundo, de certa forma, olha para nós e espera que tenhamos posições internacionais de destaque, como em papéis positivos na evolução da economia global, do comércio internacional, e das questões relacionadas ao protecionismo exacerbado.
Para isso, será necessário atentarmos aos princípios legais, contidos, em nossa Constituição, precisamente, em seu artigo 4, onde diz que a República Federativa do Brasil, nas suas relações internacionais, rege-se pelos princípios da independência nacional; da prevalência dos direitos humanos; da autodeterminação dos povos; da não-intervenção; da igualdade entre os Estados; da defesa da paz; da solução pacífica dos conflitos; do repúdio ao terrorismo e ao racismo; da cooperação entre os povos para o progresso da humanidade, e da concessão de asilo político.
Com a chegada do novo governo, tem-se a impressão de que prevalecerá orientações de alguns setores das Forças Armadas para elaboração estratégica da inserção internacional do Brasil, certamente, com formulação de uma política externa proativa.
As forças armadas, têm conhecimento nessa direção como na preservação dos interesses nacionais, na condução das questões de estado, nos temas de defesa, na projeção do país sem uso da força.
Nesse jogo internacional, existem os interesses nacionais, os interesses internacionais e as nossas prioridades como nação. E, dentre as prioridades, nos cabe capacitarmos tecnologicamente para enfrentar os desafios da defesa nacional e das questões de segurança e da tecnologia nacional.
Quando se argumenta o lugar do Brasil no mundo, isso não é algo abstrato. Dentro deste contexto, temos que discutir a nossa posição levando em conta os desafios que nos apresenta, tanto no campo interno quanto no campo externo.
Os desafios internos, se encontram na estabilidade da economia, na redução dos gastos públicos, nas reformas tributária, na reforma da previdência, na reforma do estado, na desburocratização, sem o que não vamos avançar em outras agendas. E, do ponto de vista externo, tudo o que está acontecendo no mundo como o protecionismo americano, a nova geopolítica, a emergência da China como país hegemônico, etc.
Por aqui, falhamos, pela não formulação de um planejamento estratégico para o país. Infelizmente, não pensamos o país estrategicamente!
Desse modo, nossa condição atual é de isolamento nas negociações comerciais do mundo.
Nos últimos quatorze anos, o mundo negociou mais de 250 acordos de livre comércio, enquanto o Brasil negociou apenas três. Com a autoridade Palestina, com Israel e com o Egito. Ou seja, quase nada! Some-se a isso, o fato de estarmos atrasados em nível de inovação e tecnologia, com o restante do mundo.
Pesquisas, da CNI, e da FIESP, apontam que somente 2% das indústrias brasileiras, estão no nível da indústria 4.0, o que é o estado da arte da indústria no mundo; e 30% da indústria brasileira nunca ouviu falar nisso.
Essa é a realidade do Brasil. Perdemos poder, perdemos espaço no comércio internacional e na exportação de manufaturas, portanto, perdemos influência no mundo.
Além disso, estamos crescendo menos do que o resto do mundo. Esse é o grande desafio, antes de pensarmos nos projetos específicos. Portanto, um dos grandes obstáculos para o governo atual.
Na realidade, nossa projeção internacional depende de nossa conectividade e de nossa articulação com a política macroeconômica do país. É preciso ter visão de médio e longo prazo, com prioridades bem definidas, na defesa dos interesses do Brasil; pois, a política externa só tem força e somente tem voz, se tiver o respaldo e a conectividade na economia, o que não é diferente no resto do mundo.
Segundo especialistas, as principais prioridades do Brasil seria uma aproximação maior com os países desenvolvidos, sobretudo, os EUA e a Europa, por causa do componente de inovação e tecnologia; e a preservação da política em relação à China porque a China é o principal parceiro comercial com o Brasil.
Um dos aspectos da nova geopolítica, requer o fortalecimento do regionalismo. Nesse aspecto a Aliança para o Pacífico, seria uma mudança, uma inovação importante na política externa brasileira. Assim, cabe o comentário: ou a gente se integra direito nos fluxos dinâmicos do comércio internacional e da economia internacional e aumentamos a nossa voz no exterior ou vamos ficar do jeito que estamos.
Cabe, então, ao novo governo definir as prioridades. O que a gente quer do país internacionalmente? O que o Brasil quer com relação à China? O que o Brasil quer com relação aos EUA? O que o Brasil quer com relação à União Europeia? E quais são as definições importantes na defesa do interesse do Brasil?
O que conta no jogo internacional são os interesses do nosso país, e não apenas uma política de solidariedade. Todas as nações têm seus interesses, e nós também temos os nossos, o que é legitimamente, normal.
Afinal, somos a décima economia do mundo, um país de dimensões continentais, com apetite e condições de participar, proativamente, das questões do mundo e do comércio internacional.

domingo, 9 de dezembro de 2018

O Liberalismo e o Estado Liberal


O liberalismo é uma teoria política e social que enfatiza, fundamentalmente, os valores individuais de liberdade e de igualdade. E de acordo com a filosofia política liberal, a sociedade e o governo devem proteger e promover a liberdade individual de seus cidadãos.
Nesta teoria a pluralidade e a diversidade devem ser encorajadas e a sociedade deve ser igual e justa na distribuição de oportunidades e recursos.
Neste sentido, o liberalismo defende instituições representativas, com autonomia da sociedade civil; defende o espaço econômico - chamado de mercado; defende a cultura que se funde com a opinião pública, frente à presença do Estado.
Normalmente, os sistemas democráticos assumem as premissas básicas do Estado liberal, no qual sua principal função seria o de garantir os direitos do indivíduo contra o autoritarismo político e, para atingir esta finalidade, exige formas, mais ou menos amplas, de representação política.
Já o liberalismo clássico tende a insistir que os direitos civis são fundamentais para os seres humanos, enquanto o liberalismo igualitário contemporâneo concentra-se mais na igualdade e argumenta que o governo ou a sociedade devem aumentar seu alcance de intervenção em áreas como saúde, educação e bem estar social.
Os liberais defendem uma ampla gama de pontos de vista, dependendo de sua compreensão desses princípios, mas em geral, apoiam ideias como eleições democráticas, liberdade de expressão,  direitos civis, liberdade de imprensa, liberdade religiosa, livre comércio, igualdade de gênero, estado laico, liberdade econômica, e a propriedade privada. E se apoia, determinantemente, na democracia representativa e no Estado de direito.
Os liberais entendem um Estado em que os poderes públicos são regulados pelas leis e por uma Constituição e devem ser exercidos no âmbito das leis que o regulam, podendo o cidadão recorrer a um juiz independente para reconhecer e rejeitar o abuso ou o excesso de poder.
Portanto, é uma doutrina que privilegia a superioridade do governo das leis sobre o governo dos homens, assim como a aplicação política da igualdade perante a lei. É um modelo onde as leis pairam, igualmente, acima de todos os grupos da sociedade, independente de cor, sexo ou cargo político, onde não deve representar determinado arbítrio, mas ser objetivamente imparcial.
No âmbito mundial o liberalismo foi responsável pelo estabelecimento de organizações globais, como a Liga das Nações, e, após a Segunda Guerra Mundial, o estabelecimento das Nações Unidas.
O liberalismo é uma proposta destinada a possibilitar que todos alcancem o mais alto nível de prosperidade de acordo com seu potencial, ou seja, em razão de seus valores, atividades e conhecimentos; com o maior grau de liberdade possível, em busca de uma sociedade que reduza ao mínimo os seus inevitáveis conflitos sociais.
O liberalismo se apoia em dois aspectos vitais que dão forma a seu perfil: a tolerância e a confiança na força da razão. Desse modo, os liberais acreditam que o Estado foi criado para servir ao indivíduo, e não o contrário.
Portanto, os liberais também acreditam na responsabilidade individual. Não pode haver liberdade sem responsabilidade. Os indivíduos são (ou deveriam ser) responsáveis por seus atos, tendo o dever de considerar as consequências de suas decisões e os direitos dos demais indivíduos.
Justamente para regular os direitos e deveres do indivíduo em relação a terceiros, os liberais acreditam no Estado de direito. Isto é, creem em uma sociedade governada por leis neutras, que não favoreçam pessoas, partido ou grupo algum, e que evitem de modo enérgico os privilégios.
Os liberais também acreditam que a sociedade deve controlar rigorosamente as atividades dos governos e o funcionamento das instituições do Estado.
Na economia, os liberais, em linhas gerais, não acreditam em controle de preços e salários, nem em subsídios que privilegiam uma atividade em detrimento das demais.
Para os liberais, a principal função do Estado deve ser a de manter a ordem e garantir que as leis sejam cumpridas. A igualdade que os liberais almejam não é a utopia de que todos obtenham os mesmos resultados, e sim a de que todos tenham as mesmas possibilidades de lutar para conseguir os melhores resultados. Nesse sentido, uma boa educação e uma boa saúde devem ser os pontos de partida para uma vida melhor.
Assim, o liberalismo é um modo de entender a natureza humana e uma proposta destinada a possibilitar que todos alcancem o mais alto nível de prosperidade de acordo com seu potencial.
Porém, o fato de que o governo tenha tamanho reduzido não quer dizer que ele deva ser débil. Pelo contrário, deve ser forte para fazer cumprir a lei, manter a paz e a concórdia entre os cidadãos e proteger a nação de ameaças externas.
Nesse sentido, as principais características do Estado liberal são: liberdade individual, igualdade, tolerância, liberdade da mídia, e livre mercado.
Entre os países que adotam o liberalismo estão a Alemanha, o Japão, os Estados Unidos, a Inglaterra e Portugal, dentre outros.
Assim, fica o lema: se você deseja que as pessoas se desenvolvam, deixe que elas mesmas, cuidem de si.

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Hora de virar a chave!


Depois de treze anos de esquerdismo no Brasil, é hora de virarmos a chave. É hora de fazermos algumas considerações pertinentes, e mesmo, o de considerar um choque de realidade.
Visitando o sociólogo e filósofo francês Raymond Aron em seu livro o “Ópio dos Intelectuais”, publicado há mais de sessenta anos, verificamos que o mesmo conserva uma impressionante atualidade; pois nele se registra que o esquerdismo, também pode ser uma religião e uma igreja que abriga fanáticos e fundamentalistas.
Com uma concepção sistemática da realidade política e histórica, o pensamento de Aron está calcado na realidade, não em abstrações teóricas. Segundo o sociólogo, o conhecimento verdadeiro do passado nos remete ao dever da tolerância, enquanto a falsa filosofia da história dissemina o fanatismo.
Portanto, é nesse atrito deliberado com a realidade tal qual ela é, e não como gostaríamos que ela fosse, que Aron elabora sua defesa da razão, da democracia e da liberdade, onde tece sua crítica lúcida ao autoritarismo, ao fanatismo e à idolatria política.
Sem temer qualquer patrulhamento ideológico, o autor partiu da constatação de que os mesmos intelectuais e acadêmicos que costumavam ser impiedosos em suas análises das falhas da democracia liberal demonstravam uma tolerância infinita diante dos desastres econômicos e das atrocidades políticas cometidas em nome da doutrina que eles consideravam correta. Assim, qualquer semelhança com o Brasil de hoje não é mera coincidência. As mesmas pessoas que fecham os olhos às consequências calamitosas de quase quatorze anos de um projeto de poder fracassado torcem o nariz diante de reformas tornadas urgentes pela irresponsabilidade e pela incompetência inerentes aquele mesmo projeto.
Aron demonstra uma virtude cada vez mais rara, e traz para nossa reflexão a ideia da inteligência do bom senso; onde ao longo de cinco décadas, fez análises certeiras de fenômenos sociais e políticos os mais diversos, enxergando muito mais longe e mais fundo do que outros pensadores de sua época.
Na primeira parte de “O ópio dos intelectuais”, ele se dedica a mapear mitos políticos que ainda estão em vigor: o mito da esquerda, o mito da revolução e o mito do proletariado. Em seguida, faz reflexões sobre o sentido da História, em capítulos como “A ilusão da necessidade” e “Homens de igreja e homens de fé”, nos quais classifica o comunismo como "uma versão aviltada da mensagem cristã", por sacrificar as liberdades e as diferenças humanas no altar da ortodoxia do Estado onipotente.
O autor mostra, ainda, que o desenvolvimento da economia contrariou diversas previsões marxistas aos quais acadêmicos de esquerda ainda teimam em se ancorar. Por fim, ele investiga a relação dos intelectuais com a ideologia, apontando para uma busca inconsciente por uma religião.
Na conclusão, Aron pergunta se é possível vislumbrar o “fim da era ideológica” e o triunfo do poder da razão?
Caso estivesse vivo e visitasse o Brasil, ele veria que as ideologias estão mais fortes do que nunca, e que a atração de intelectuais por projetos autoritários ainda continua.
É uma pena que Raymond Aron seja hoje tão pouco lido. Na verdade, nem Sartre se leem mais. O nível dos pensadores baixou muito, e, infelizmente, o nível do debate político também. 
Voltando para hoje e para o Brasil, podemos dizer que a esquerda caducou e não evoluiu, mas, despudoradamente se infiltrou nos meios acadêmicos, artísticos, culturais, religiosos, nos movimentos sociais, e em grande parte do meio político e do judiciário.
Este é um autor que deveria ser recomendado em todos os cursos de graduação do país e, excepcionalmente, colocado como tema de redação do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio), lembrando as atividades de nossos estudantes nesses dois finais de semana.

terça-feira, 23 de outubro de 2018

O País de 2019


Neste domingo, dia 28, iremos às urnas para mudar o Brasil. Isso é um fato. Porém, após esse processo, será indispensável focarmos nas dificuldades que se apresentam para o país, no próximo ano.
Refiro-me, mais precisamente, à reestruturação da nação através das reformas urgentes, as quais não poderão mais ser adiadas.
O Brasil não poderá passar por 2019 sem que haja mudanças importantes e as pessoas já entenderam que as reformas são necessárias.
Precisamos cuidar das contas públicas, manter esse ciclo de juros, estruturalmente baixo, pois, será importante não voltarmos a ter juros elevados, como antes.
De acordo com projeções do FMI, a dívida bruta do país ficou em 84,0% do PIB em 2017, chegará a 88,4% este ano e avançará a 90,5% do PIB em 2019. Caso não se resolva esse problema, a dívida continuará subindo até chegar a representar 98,3% do PIB em 2023.
Para termos uma ideia, antes da recessão de 2015 e 2016, a dívida bruta estava no patamar de 60% do PIB. Assim, pode-se dizer que a dívida bruta brasileira já estava acima da média dos 40 países emergentes, que é de, 50,7%.
Deste modo, quem vier assumir a Presidência da República, haverá de ter clareza da necessidade urgente de resolver o desafio fiscal, que é o de ajustar as contas do governo que convive, de há muito, com uma monumental dívida.
Essa é a premissa inicial, sem a qual, não haverá como o país reverter sua trajetória deficitária que teve início em 2014. Assim, para pensar no futuro, o Brasil precisará rever suas prioridades de gastos para buscar o crescimento no longo prazo.
Historicamente, o Brasil se acostumou a resolver os problemas de crescimento das despesas com aumento de impostos ou com inflação, o que a sociedade mais consciente, não deseja mais.
Estamos, desse modo, diante de um desafio, que traz com ele a oportunidade para a construção de consensos em busca das resoluções de diversos problemas do país, já tão adiados. E, dentre esses consensos a serem construídos, estão as reformas, que possibilitem ao país voltar a crescer sustentavelmente.
Sabemos que as nações desenvolvidas avançaram muito nas últimas décadas em relação ao aumento de produtividade; algo que o Brasil esquerdista deixou passar, para dizer o mínimo. Perdemos esse foco e, literalmente, estamos atrasados em relação ao resto do mundo.
Para buscar o cenário de crescimento, transformador, necessitaremos de reformas fiscais; de crescimento mais expressivo da escolaridade de nossos alunos e de amplas reformas micro e macroeconômicas. Com esse direcionamento, é possível ao Brasil almejar um crescimento médio do PIB próximo a 4%, entre os anos de 2020 e 2031.
Assim, todo esse processo, deverá ser realizado democraticamente, buscando sempre o consenso entre o executivo e a nova casa congressual, porém, sem se furtar aos debates e embates naturais que, certamente surgirão, diante da nova realidade a ser construída.
De outro lado, a sociedade tem um papel fundamental nesta questão: seja compreendendo e apoiando as mudanças, seja fiscalizando a postura dos seus representantes democraticamente eleitos.
Estamos em um outro momento, no qual todos os agentes como sociedade, o meio empresarial e os políticos, precisam participar mais, dialogar mais e, construir mais.
Deste modo, em janeiro 2019 um novo governo tomará as rédeas de uma economia com renda per capita 9% abaixo do nível de 2014; desemprego de 12,1%; déficit elevado; a qual entrega inflação e juros baixos, porém, insuficientes para tirar o país das dificuldades a qual se encontra.
Entre os economistas, constata-se um consenso para a reforma da previdência; reforma tributária; reforma do Estado - onde se inclui a reforma do funcionalismo público; assim como, de um consenso para um programa de privatizações e de estímulo a modernização da infraestrutura, conjuntamente, à ampliação do comércio exterior.
A prioridade do governo no começo de 2019, deverá então ser, a de garantir a aprovação no Congresso, da Reforma da Previdência, que se torna medida essencial para o reequilíbrio das contas públicas no curto, médio e longo prazo.
Registre-se ainda, a possibilidade de se realizar a Reforma da Previdência neste final de ano. Para isto, será necessário um diálogo de consenso entre o atual presidente e o presidente que entra, juntamente, com suas respectivas, equipes de governo.
Na realidade, o Brasil precisa mesmo, é de um projeto de longo prazo, algo que seja preestabelecido para daqui a 50 anos.
Assim, como diria Machado de Assis, aos vencedores as batatas!

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Civilidade Política


Estamos na reta final do primeiro turno das eleições. É um momento decisivo para nós e para o país. É hora de escolhermos o país que queremos. Um país que avança ou o país do crime organizado comandado da cadeia? Por isso, o seu voto é muito importante. E a sua escolha pode fazer um Brasil melhor ou um Brasil pior do já está. Perceba que países não quebram como as empresas quebram; porém eles podem piorar e muito. Basta olhar nossos países vizinhos.
Toda essa difícil realidade que vivenciamos nos coloca a possibilidade de respondermos com a responsabilidade necessária de nosso voto. Portanto, não é cabível a incivilidade grosseria, estupida e inconveniente que grassa no mundo virtual. E não somente na virtualidade, mas também nas ruas, com o inconcebível atentado a um dos candidatos à corrida eleitoral deste ano, com a clara intensão de eliminar um dos postulantes à corrida eleitoral. Não nos esqueçamos disso!
As pessoas têm se esquecido de que todos, independentemente de cor, credo, sexo e religião tem o direito de ter opinião própria e, principalmente, o direito de escolha. Afinal estamos em plena democracia, o que pressupõe um mínimo de civilidade política.
Nos últimos anos a sociedade brasileira avançou muito em conceitos básicos como moralidade, ética e bons costumes. O povo brasileiro está mais politizado. Entretanto, ainda falta muito para o nosso ideal.
Até então, temos que lidar com grupos repulsivos que se acham no direito de fazer política como se estivessem chamando, literalmente, seus adversários para uma guerra. Isso não faz sentido algum e não coopera com a nossa precoce democracia.
Estamos em pleno século 21, onde deveria prevalecer os embates no campo das ideias, dos projetos e das plataformas de políticas consistentes para o país.
A esquerda, como sempre, promete tudo, resolve tudo, e quer se livrar da crise que ela mesma gerou para colocar no colo de outrem, apostando no desconhecimento da sociedade que ela mesma abandou nos treze anos de poder; embora o discurso seja o contrário. Mas, quando se pergunta a algum esquerdista sobre ética e a corrupção desenfreada produzida por eles, eles se desconversam e fogem como o diabo foge da cruz!
A direita extremada nada oferece de novo, apenas a possibilidade de frear o esquerdismo massificado nos grupos de menor escolaridade. Sobra então o centro que ainda não mostrou competitividade eleitoral.
Neste contexto, é preciso solicitar aos candidatos postulantes ao Palácio do Planalto a verbalização da verdade, da realidade do país e que discorram sobre o seu posicionamento ético, de dignidade e de cidadania durante os debates eleitorais para que se possa novamente organizar os comportamentos sociais com foco na justiça, na equidade, e no respeito interpessoal. Não dá para ficar ouvindo apenas discursos periféricos, enquanto o país arde em sérios problemas.
Deste modo, que a vitória almejada por todos, uma vez conseguida, possa ser trilhada pelos caminhos da democracia, da dignidade e do respeito aos cidadãos e suas opiniões, para que o país possa se aperfeiçoar e vivenciar um novo momento que contemple a civilidade política; e que essa civilidade possa ser imperativa, estruturada no civismo e que leve em conta o respeito à sociedade, a preservação das leis vigentes e o fortalecimento das instituições, priorizando valores e princípios que orientam o comportamento dos indivíduos, buscando a convivência pacífica e o bem estar dos indivíduos em sociedade.
Será necessário estabelecer um diálogo claro, um debate civilizado sobre as dificuldades as quais o país se encontra, sem se apelar a platitudes, ideologismos partidários em que muitas vezes apenas revelam preconceitos reconditos.
Nesse sentido, que a estrutura e a qualidade do debate político, seja entre cidadãos ou entre políticos, se torne tão importante quanto as resoluções de um governo, onde se deva entender a importancia da política, conectada à tolerancia e aos bons modos de uma sociedade evoluída.
O que nos preocupa, neste momento, é que o nosso solo se tornou fértil para um tipo de discurso político agressivo, aberto ao populismo tanto de direita quanto de esquerda, onde ideologismos se misturam com partidarismo e ofusca os verdadeiros debates das reais necessidades de políticas públicas que o país necessita. Não importa se as medidas sejam amargas ou não.  O que importa é que elas estejam na direção correta e que a sociedade como um todo avance.
Por outro lado, é preciso reconhecer a existência de um argumento histórico a favor deste modelo agressivo e anti-intelectual, que vê a tolerância e a polidez na política como um sinal de fraqueza e de rendição ao sistema.
Consiste em outro grande perigo, a concepção de que todos os indivíduos sejam iguais, isso não é verdade. Ao excluirmos o direito democrático da diferença, eliminamos a possibilidade de pensarmos de maneira diferente, por que nascemos diferentes, vivenciamos realidades diferentes, portanto, nada mais normal do que sermos diferentes. 
Por outro lado, existe o marginalismo político de grande parte da nossa sociedade; ou seja, daquele que não participa, que se preocupa apenas com suas questões particulares e, que portanto, se conforma com qualquer decisão. Isso se torna um problema, à medida que, quanto mais marginalizado, maior é a sua dominação, o que faz prevalecer os interesses de poucos, onde eles são os únicos interessados, surgindo assim, uma sociedade servil.
Desse modo, nem tudo que é imposto como verdade deve ser aceito. Ao contrário, tudo deve ser questionado, pois nenhuma forma de governo opressor funciona com a finalidade do bem para todos.  
Assim, a generalidade da população desconhece a dinâmica legislativa e mostra profundo ceticismo quanto as atividades das legendas partidárias e ao comportamento moral dos políticos. Daí a necessidade do cuidado para não prevalecer a máxima do escritor Júlio Camargo que diz: “Política é a arte de governar com o máximo de promessas e o mínimo de realizações”, a qual parece perfeita a determinados candidatos que se apresentam nos debates e no horário eleitoral.
Outro perigo é a existência de teóricos brasileiros, tanto de esquerda, quanto de direita que flertam com a disrupção política (interrupção do curso normal do processo vigente), o que não faz sentido e traz um verdadeiro descumprimento à Constituição em vigor, e por tabela, à civilidade política.
Podemos dizer que a democracia é o único regime onde nem tudo é permitido daí o desprezo pela disrupção. Pois, isso se tornaria a desconstrução do nosso estado democrático de direito onde as regras vigentes foram votadas livremente, num momento de estabilidade política e segui-las é o caminho como acontece nas grandes democracias mundiais como Alemanha e EUA.
Cabe colocar que os extremos, literalmente, não gostam de democracia, e bem menos dos programas liberais, onde quase sempre, prevalece os regimes autoritários. Pelo menos, isso é o que se registra em experiências internacionais.
Lembremos ainda, que numa democracia quem vota e quem não vota, são igualmente, responsáveis pelo resultado produzido nas urnas, onde a oposição também é votada e eleita e, portanto, legitimada para defender as regras do jogo constantes na Constituição vigente, onde o Congresso Nacional com os deputados e senadores fazem a defesa das regras atuais. Caso contrário, estaríamos diante de um regime absolutista.
Nesse sentido, o ponto de chegada deve ser o Brasil e não os partidos políticos. Ganhar a eleição não é um fim, mas apenas um meio de iniciar quatro anos de administração pública que poderão representar progresso ou retrocesso.
Pense nisso!