terça-feira, 24 de abril de 2018

Brasil, Eleições e Economia


Após dois anos de recessão, o ano passado marcou o início, mesmo que lentamente, da retomada do crescimento da economia brasileira. O Produto Interno Bruto (PIB) teve uma alta de 1,1% em 2017 e o Ministério da Fazenda estima um crescimento de 3% em 2018. Porém, a eleição presidencial poderá pôr em risco o crescimento projetado, também de 3% para 2019. Isso porque, aos olhos de investidores e credores do governo, alguns candidatos podem não estar comprometidos com as reformas e o ajuste fiscal promovido  pelo atual governo; e essa incerteza política pode levar a uma queda nos investimentos, por exemplo, em máquinas e instalações produtivas, que, se realizados, poderiam dar um impulso maior ao PIB.
Cabe então a pergunta: é possível que uma agenda de reformas com ganhos no desempenho econômico consiga alavancar um candidato reformista para disputar a eleição de outubro? Parece que sim. Porém, somente o tempo dirá.
Assim, caso um candidato que não defenda as reformas tenha chance de vencer o pleito, o cenário mudará completamente, pois os empresários pisarão no freio diante da possibilidade da agenda reformista e pró-ajuste fiscal não se confirmar. Esse é um grande perigo e um grande retrocesso que ronda o país neste ano.
Caso isso ocorra, os juros tenderiam a subir, já que os credores cobrariam mais para emprestar e os investidores retirariam dólares do país, fazendo com que o real se desvalorizasse. Outros efeitos seriam a alta da inflação, a consequente queda no consumo e o desaquecimento da economia.
Desse modo, as reformas, sobretudo a da Previdência, para equilibrar as contas públicas são extremamente necessárias e podem gerar na economia e na sociedade um impacto positivo no médio e no longo prazo.
Neste particular, precisaremos de candidatos que tenham compromissos muito claros para levar o país de volta à responsabilidade fiscal, social e na gestão da coisa pública, onde não se misture interesses públicos com interesses privados.
Já o desemprego que se encontra elevado, atualmente, na casa dos 12,6%, num quadro anti-reformas, persistiria. Como o custo de contratação é muito alto e as indústrias permanecem com capacidade ociosa elevada,  nas fábricas, em torno de 20% a 25%, os empresários tentarão crescer neste primeiro momento sem contratar, fazendo uso de horas extras, quando necessário.
Por outro lado, existe um ambiente externo favorável justaposto a um aumento, ainda que tímido, da demanda interna. Porém, à medida que as eleições se aproximam, investidores estrangeiros ficam mais cautelosos e dão um passo atrás à espera de definições no campo político, pois, existem preocupações de como o novo governo vai arcar com a responsabilidade do ajuste fiscal.
O atual governo tirou o Brasil do buraco, fez reformas, baixou a inflação e também os juros, porém, a redução das taxas de juros leva um tempo para ter impacto na economia real. Enquanto o mercado reage rapidamente, as empresas levam um tempo para tomar decisões de investimento. Assim, muito do que foi realizado pelo governo no ano passado terá impacto na economia neste ano e nos próximos anos. 
Do lado das empresas, elas têm um cenário externo positivo e os custos de financiamento declinantes por causa das baixas taxas de juros aqui dentro.
A recessão trouxe um comportamento novo nas empresas, a busca pela eficiência e a redução de custos e agora que a economia está reaquecendo, elas se beneficiarão desse processo, com maiores investimentos visando um crescimento do consumo interno.
A Bolsa segue batendo recordes, embora a nota de crédito do Brasil tenha sido rebaixada mais uma vez e a reforma da Previdência foi adiada.
Se olharmos bem veremos que em 2017 os mercados globais de ações, foram positivos, onde o Brasil se destacou. O contexto global de crescimento deu suporte para o mercado acionário, e o Brasil não é exceção. Além disso, a queda da Selic tirou a atratividade da renda fixa para ela se concentrar mais fortemente no mercado de ações.
Lembre-se que os mercados tendem a olhar para frente, e não exatamente o que está acontecendo agora. Daí o olhar para 2019, ou seja, pós-eleição.  
Os eventos políticos são cruciais em decisões econômicas, por isso a volatilidade deve subir; e o Brasil se tornou um caso particular, dado a dificuldade  de se saber quem de fato vai concorrer às eleições. E a reação do mercado pode variar muito, dependendo da disposição dos candidatos em estarem ou não, focados na agenda de reformas, como a da Previdência, e outras medidas de equilíbrio fiscal.
Sob outra perspectiva, dados mostram que não será um mero cálculo econômico que vai decidir a eleição. A corrupção e as questões não estritamente econômicas vão contar mais na cabeça do eleitor neste ano.
A despeito das incertezas, estimativas incorporam um cenário em que o Brasil avance na agenda de reformas, sobretudo a da Previdência, pois ela é uma variável chave para uma retomada econômica sustentável.
Os brasileiros parecem estar alheios a uma possibilidade de um resultado ruim nas eleições. Porém é algo que não se pode descartar.
Por isso, é preciso que encaremos as eleições com maior seriedade, já que é uma das expressões máximas da democracia e da cidadania. Assim, no dia 7 de outubro é o momento correto para irmos às urnas e votar conscientemente, pois cada voto é que proporcionará toda a diferença!

segunda-feira, 16 de abril de 2018

O Liberalismo e um Estado Liberal fariam bem ao Brasil


O liberalismo é um modo de entender a natureza humana e uma proposta destinada a possibilitar que todos alcancem o mais alto nível de prosperidade, de acordo com seu potencial, através de seus próprios valores, de suas próprias atividades e de seus próprios conhecimentos; se fazendo valer do maior grau de liberdade possível, em uma sociedade que reduza ao mínimo os inevitáveis conflitos sociais. Além disso, o liberalismo se apoia em dois aspectos vitais que dão forma a seu perfil: a tolerância e a confiança na força da razão.
Os liberais acreditam que o Estado foi criado para servir ao indivíduo, e não o contrário. Os liberais consideram o exercício da liberdade individual como algo intrinsecamente bom, como uma condição insubstituível para alcançar níveis ótimos de progresso. Dentre outras, a liberdade de possuir bens (o direito à propriedade privada) é fundamental, já que sem ela o indivíduo se encontra permanentemente à mercê do Estado.
Portanto, os liberais também acreditam na responsabilidade individual do indivíduo, não podendo haver liberdade sem responsabilidade. Os indivíduos são, ou deveriam ser responsáveis por seus atos, tendo o dever de considerar as consequências de suas decisões e os direitos dos demais indivíduos. E justamente para regular os direitos e deveres do indivíduo em relação a terceiros, os liberais acreditam no Estado de Direito. Isto é, creem em uma sociedade governada por leis neutras, que não favoreçam pessoas, partido ou grupos quaisquer, evitando, de maneira enérgica os privilégios.
Assim, os liberais acreditam que a sociedade deve controlar rigorosamente as atividades dos governos e o funcionamento das instituições do Estado.
Os liberais trabalham com ideias ratificadas pela experiência de como e por que alguns povos alcançaram maior grau de eficiência e desenvolvimento, com melhor harmonia social; mas a essência dessa maneira de ver a política e a economia repousa no fato de não planejar de antemão a trajetória da sociedade, mas em liberar as forças criativas dos grupos e dos indivíduos para que estes decidam espontaneamente o curso da história. Os liberais não têm um plano que determine o destino da sociedade, e até lhes parece perigoso que outros tenham tais planos e se arroguem o direito de decidir o caminho a qual todos devemos seguir.
No ideário econômico dos liberais a ideia mais marcante é a que defende o livre mercado, em lugar da planificação estatal. Já na década de 20 o filósofo liberal austríaco Ludwig von Mises demonstrou que, nas sociedades complexas, não seria possível planejar de modo centralizado o desenvolvimento, já que o cálculo econômico seria impossível. Mises afirmou com muita precisão (contrariando as correntes socialistas e populistas da época) que qualquer tentativa de fixar artificialmente a quantidade de bens e serviços a serem produzidos, assim como os preços correspondentes, conduziria ao desabastecimento e à pobreza. (Vide Venezuela). Obviamente, os liberais, em linhas gerais, não acreditam em controle de preços e salários, nem em subsídios que privilegiam uma atividade em detrimento das demais.
Para os liberais, a principal função do Estado deve ser a de manter a ordem e garantir que as leis sejam cumpridas. A igualdade que os liberais almejam não é a utopia de que todos obtenham os mesmos resultados, e sim a de que todos tenham as mesmas possibilidades de lutar para conseguir os melhores resultados. Nesse sentido, uma boa educação e uma boa saúde devem ser os pontos de partida para uma vida melhor.
Os liberais são inequivocamente democratas. Acreditam no governo eleito pela maioria dentro de parâmetros jurídicos que respeitem os direitos inalienáveis das minorias. Tal democracia, para que faça jus ao nome, deve ser multipartidária e organizar-se de acordo com o princípio da divisão de poderes.
Embora esta não seja uma condição indispensável, os liberais preferem o sistema parlamentar de governo porque este reflete melhor a diversidade da sociedade e é mais flexível no que se refere à possibilidade de mudanças de governo quando a opinião publica assim o exigir.
Os liberais acreditam que o governo deve ser reduzido, porque a experiência lhes ensinou que as burocracias estatais tendem a crescer parasitariamente, ou passam a abusar dos poderes que lhes são conferidos e empregam mal os recursos da sociedade.
Porém, o fato de que o governo tenha tamanho reduzido não quer dizer que ele deva ser débil. Pelo contrário, deve ser forte para fazer cumprir a lei, manter a paz e a concórdia entre os cidadãos e proteger a nação de ameaças externas.
Os liberais, por sua vez, são totalmente laicos e não julgam as crenças religiosas das pessoas.
Para os liberais, a tolerância é a chave da convivência, e a persuasão é o elemento básico para o estabelecimento das hierarquias.
Que tal?

sábado, 7 de abril de 2018

A quarta revolução tecnológica chega ao campo brasileiro


A tecnologia 4.0 com forte conteúdo digital chega à agricultura brasileira a qual vem inspirando as novas gerações à sucessão no campo. Diante disso, nossa agricultura passa a se utilizar dos conceitos de Internet das Coisas, de Inteligência Artificial e de “Machine Learning” (aprendizado de máquina) para viabilizar tecnologias de ponta no sensoriamento remoto e na captura de dados em tempo real, tanto na agricultura quanto na produção animal. E dentro deste contexto, nasce a agricultura de precisão e de automação com mapeamento através de drones, facilitando o progresso e a administração rural.
Desse modo, o agribusiness brasileiro que já é pujante, vive agora um novo período de transformação na conectividade do produtor rural de forma remota à sua propriedade, às cooperativas de plantio e a agroindústria.
Assim, a adoção dessas tecnologias permitem aos produtores um gerenciamento com maior eficiência de suas propriedades, com planejamentos mais precisos, com controles financeiros adequados, com controles de estoque e de safra, na busca de diminuição de perdas por lotes e por meio de análises preditivas onde a reunião de informações em tempo real vão além da automação. Elas integram os processos, as operações e o gerenciamento da produção, proporcionando profunda capacidade analítica ao produtor.
O mundo digital vem trazendo novas fronteiras ao agronegócio brasileiro, ao lado de oportunidades e desafios em diferentes áreas, onde a inovação e a sustentabilidade se tornaram os principais temas do momento.
A tecnologia corre assim: satélites e drones colhem informações das condições da agricultura, do solo e das condições meteorológicas e repassam em tempo real para produtores e pesquisadores. Sensores instalados nas plantações começam a guiar tratores e colheitadeiras automatizados, reduzindo custos e melhorando a eficiência das safras, além da utilização de diversos tipos de aplicativos que vêm ajudando agricultores e pecuaristas a terem na palma da mão opções para entenderem melhor suas propriedades, suas culturas e criações; bem como auxiliar pesquisadores e entes públicos na formulação de políticas públicas, ajudando os bancos a mensurarem prováveis riscos no fornecimento de subsídios e de empréstimos.
Os exemplos práticos vêm de várias áreas onde se utilizam de aplicativos que avisam aos produtores de leite quando está na época de colocar uma vaca para ser emprenhada; ou mesmo quando um bezerro deve ser desmamado, assim como aplicativos que agregam informações de 1.600 estações meteorológicas do país que processam dados produzindo modelos e estudos para várias culturas, indicando a melhor época de plantio para cada local ou região. Essas previsões são atualizadas diariamente, bem como os índices de seca, as probabilidades de geada, e a quantidade de água no solo, além de outros fenômenos climáticos. Um software permite ainda reconhecer, por meio de fotos, pragas que possam estar assolando as colheitas e indicar tratamentos preventivos e corretivos.
Assim, podemos dizer que as decisões que os agricultores tomavam até algum tempo atrás, com base em sua experiência e na tentativa e erro, pode ser realizada agora com os rigores científico e analítico.
Órgãos públicos como o Ministério da Agricultura e Embrapa também têm feito parte desses desafios através de novas possibilidades e demandas de pesquisadores, de produtores e de associações empresariais de tecnologia através de novas formas de atuação. Assim, no passado recente estes órgãos governamentais atuavam na pesquisa e desenvolvimento, atualmente, têm atuado como facilitadores, fazendo a ponte entre empresas, startups de tecnologia e investidores.

sábado, 24 de março de 2018

“Trekonomics”


Estranhou o título? É natural. Este é um termo baseado no filme Star Trek, conhecido aqui no Brasil como Jornada nas Estrelas, para designar a economia do futuro, ou seja, a economia do futuro de a Jornada nas Estrelas.
Após 50 anos em que a nave “Enterprise” se aventurou pelo espaço sideral, com o capitão Kirk e sua tripulação com a finalidade de  explorar novos mundos e encontrar novas civilizações; essa série de ficção-científica, singular em muitos aspectos, é o tema de vários estudos sérios escritos ao longo de décadas por cientistas políticos, sociólogos, físicos, engenheiros e até teólogos.
Desse modo, vários executivos e pesquisadores do Google buscam criar tecnologias similares às da nave “Enterprise” para aumentar o conforto e facilitar a vida das pessoas por aqui. Nesta mesma direção, o Dr. Martin Cooper, da Motorola, declarou que se inspirou no comunicador usado por “Kirk e Spock” para criar o primeiro telefone celular. Neste mote, várias tecnologias que usamos hoje também são inspiradas por objetos fictícios da série ou dos filmes de Star Trek.
Contextualizando, podemos dizer que a série, Star Trek se passa em um universo onde a guerra, a fome e a pobreza foram eliminadas, bem como outras mazelas sociais, incluindo a discriminação e o racismo. É uma utopia audaciosa, onde a abundância gerada pela tecnologia eliminou também o capitalismo e outros modelos econômicos, até mesmo o dinheiro, embora o “capital” continue existindo, mas definido de outro modo.
A ideia de uma sociedade não monetária, ou “anumismática”, é um dos maiores destaques da saga de Jornada nas Estrelas. É um elemento relevante das ideias tecnológicas na narrativa, como o teletransporte, o tricorder, os torpedos fotônicos, e as naves que voam mais rápido que a luz.
Nesse aspecto, o ambiente da série Jornada nas Estrelas, despertou o interesse do escritor Manu Saadia,  que está escrevendo um livro chamado “Trekonomics”, para discutir a economia e a sociedade humana do século 23; onde a ideia para o livro surgiu a partir de conversas entre o escritor e Chris Black, que foi roteirista da série “Star Trek - Enterprise”.
Em “Trekonomics”, Saadia examina a “pós-economia” do universo da Federação Unida de Planetas, onde o dinheiro é desnecessário porque tudo pode ser produzido em “replicadores”, ou seja, máquinas que convertem energia em matéria e sintetizam desde alimentos até peças para naves espaciais sem custos para o usuário; onde se prevê que a Terra do século 23 conseguiu eliminar as dificuldades da escassez através da tecnologia.
Dentro da ideia de “ausência de escassez” se espera uma sociedade onde dinheiro, preços ou mercados sejam irrelevantes, portanto, não existirá a figura do lucro. Num mundo assim, por que as pessoas dedicariam suas vidas a projetos, carreiras e invenções, sem a expectativa de retorno material? Como avaliar as opções e mensurar os resultados do trabalho sem uma unidade monetária quantificável?
Neste novo contexto o escritor Saadia admite que isto se torna um grande salto de otimismo, o de imaginar que um mundo assim poderá emergir de nossa sociedade obcecada pelo consumo e pela acumulação de bens.
O livro de Saadia pretende avaliar as possibilidades de chegarmos a esse mundo utópico, usando os enredos de episódios das séries e dos filmes de Star Trek como ponto de partida para estimular a discussão, bem como ideias de pensadores como Adam Smith e Jeremy Bentham. Talvez o resultado não seja um tratado fundamental de economia ou política financeira, mas poderá ser uma leitura interessante.
Segundo Saadia na sociedade de Star Trek, a natureza do trabalho não dependerá mais do consumo, ou mesmo da mera subsistência e que a chave para isso é dissociar o trabalho do pagamento, da recompensa monetária, que é a mensagem da série.
Em entrevista ao Washington Post, o escritor acrescentou que em vez de trabalhar para aumentar sua riqueza ou acumular bens, as pessoas em uma sociedade “anumismática” do futuro se esforçarão para aumentar sua reputação. A recompensa do trabalho será o prestígio. E para conquistar esse prestígio, a pessoa vai se esforçar para ser o melhor capitão de espaçonave da galáxia; o melhor médico; o melhor cientista; o melhor artista, etc. A competição se dará pela mesma distinção. Seria uma meritocracia em sua expressão mais pura, sem as desigualdades sociais de hoje.
Pelo visto, as tecnologias de Star Trek estão se tornando realidade, dia após dia, onde se pode pensar que a sociedade sonhada sem dinheiro talvez não esteja tão distante assim.
Que viver verá!

terça-feira, 20 de março de 2018

Trump e as Barreiras Protecionistas para o Aço


Em mais uma de suas medidas protecionistas, Donald Trump, presidente dos Estados Unidos,  deixa o mundo globalizado em estado de alerta com essa medida de barreiras tarifárias para o aço; pois ela tem escala global e altera o equilíbrio entre países importadores, como os próprios Estados Unidos, e os países exportadores globais do aço.
Como efeito imediato haverá uma relativa sobra de aço nos principais centros produtores, o que trará, certamente, uma queda nos preços internacionais produto, prejudicando assim, todo o complexo de aço, principalmente, aqueles que dependem diretamente da exportação para os Estados Unidos.
Por outro lado, governos mundo afora tentam se mexer para contrapor às medidas protecionistas de Trump e o Brasil tenta o mesmo através da Organização Mundial do Comércio.
Toda essa movimentação faz sentido neste momento, porém, é algo que leva tempo para uma resolução mais definitiva já que o mundo da negociação, muitas vezes, se apresenta excessivamente burocrático.
Assim, cabe às empresas, de um modo geral, tomar as suas próprias decisões que devam ir de encontro à produtividade; pois neste momento, ganhos de produtividade podem minorar as possíveis quedas de preço do produto.
O Brasil está entre os países que devem ser mais afetados pela medida que intensifica a política da "América em primeiro lugar" que elegeu Trump em 2016; pois um terço do aço exportado no Brasil tem como destino o mercado dos EUA com receita de US$ 3 bilhões, o que faz do Brasil o segundo maior fornecedor do produto para os Estados Unidos, atrás apenas do Canadá.
Por enquanto, o Brasil ficou fora das exceções das taxas, que, neste momento, só beneficiou México e Canadá, os parceiros dos EUA no NAFTA, o Tratado de Livre Comércio da América do Norte.
Para a agência de risco Moody’s, a medida afeta, mas não dramaticamente, as três principais siderúrgicas do país: Usiminas, CSN e Gerdau sendo que a principal consequência pode ser a de forçar as siderúrgicas a venderem para mercados alternativos, com lucros menores.
Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a decisão norte-americana de impor sobretaxas ao aço e alumínio vão afetar US$ 3 bilhões em exportações brasileiras de ferro e aço e US$ 144 milhões em exportações de alumínio. Isso equivale a uma massa salarial de quase R$ 350 milhões e impostos da ordem de R$ 200 milhões.
Diante dessas imposições tarifárias cabe à siderurgia uma reflexão sobre o rumo desse segmento, trazendo o foco também para o atual modelo de gestão, assim como para o próprio modelo de produção do aço, já que modificações importantes no consumo estão por vir; haja vista, as mudanças previstas para o seguimento automobilístico que passará por uma revolução, o que, certamente, exigirá um novo redirecionamento dos produtores de aço no mundo, enquanto a China continua sendo uma ameaça permanente.
Além disso, estudos com o grafeno mostram que chegou a vez dos materiais dobráveis. Pois é. O grafeno é duzentas vezes mais resistente que o aço, sete vezes mais leve que o ar, é um excelente condutor de eletricidade e calor, e pode ser transparente e flexível. Trata-se de uma folha plana de moléculas de carbono que está deixando pesquisadores da indústria de tecnologia maravilhados. Com ele, seria possível criar produtos mais finos, flexíveis e com baterias mais poderosas. Isso pode revolucionar a indústria eletrônica, assim como outras mais.


quarta-feira, 14 de março de 2018

Trump e as Barreiras Protecionistas para o Aço


Em mais uma de suas medidas protecionistas, Donald Trump, presidente dos Estados Unidos,  deixa o mundo globalizado em estado de alerta com essa medida de barreiras tarifárias para o aço; pois ela tem escala global e altera o equilíbrio entre países importadores, como os próprios Estados Unidos, e os países exportadores globais do aço.
Como efeito imediato haverá uma relativa sobra de aço nos principais centros produtores, o que trará, certamente, uma queda nos preços internacionais produto, prejudicando assim, todo o complexo de aço, principalmente, aqueles que dependem diretamente da exportação para os Estados Unidos.
Por outro lado, governos mundo afora tentam se mexer para contrapor às medidas protecionistas de Trump e o Brasil tenta o mesmo através da Organização Mundial do Comércio.
Toda essa movimentação faz sentido neste momento, porém, é algo que leva tempo para uma resolução mais definitiva já que o mundo da negociação, muitas vezes, se apresenta excessivamente burocrático.
Assim, cabe às empresas, de um modo geral, tomar as suas próprias decisões que devam ir de encontro à produtividade; pois neste momento, ganhos de produtividade podem minorar as possíveis quedas de preço do produto.
O Brasil está entre os países que devem ser mais afetados pela medida que intensifica a política da "América em primeiro lugar" que elegeu Trump em 2016; pois um terço do aço exportado no Brasil tem como destino o mercado dos EUA com receita de US$ 3 bilhões, o que faz do Brasil o segundo maior fornecedor do produto para os Estados Unidos, atrás apenas do Canadá.
Por enquanto, o Brasil ficou fora das exceções das taxas, que, neste momento, só beneficiou México e Canadá, os parceiros dos EUA no NAFTA, o Tratado de Livre Comércio da América do Norte.
Para a agência de risco Moody’s, a medida afeta, mas não dramaticamente, as três principais siderúrgicas do país: Usiminas, CSN e Gerdau sendo que a principal consequência pode ser a de forçar as siderúrgicas a venderem para mercados alternativos, com lucros menores.
Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a decisão norte-americana de impor sobretaxas ao aço e alumínio vão afetar US$ 3 bilhões em exportações brasileiras de ferro e aço e US$ 144 milhões em exportações de alumínio. Isso equivale a uma massa salarial de quase R$ 350 milhões e impostos da ordem de R$ 200 milhões.
Diante dessas imposições tarifárias cabe à siderurgia uma reflexão sobre o rumo desse segmento, trazendo o foco também para o atual modelo de gestão, assim como para o próprio modelo de produção do aço, já que modificações importantes no consumo estão por vir; haja vista, as mudanças previstas para o seguimento automobilístico que passará por uma revolução, o que, certamente, exigirá um novo redirecionamento dos produtores de aço no mundo, enquanto a China continua sendo uma ameaça permanente.
Além disso, estudos com o grafeno mostram que chegou a vez dos materiais dobráveis. Pois é. O grafeno é duzentas vezes mais resistente que o aço, sete vezes mais leve que o ar, é um excelente condutor de eletricidade e calor, e pode ser transparente e flexível. Trata-se de uma folha plana de moléculas de carbono que está deixando pesquisadores da indústria de tecnologia maravilhados. Com ele, seria possível criar produtos mais finos, flexíveis e com baterias mais poderosas. Isso pode revolucionar a indústria eletrônica, assim como outras mais.

segunda-feira, 5 de março de 2018

A Crise na Venezuela


A Venezuela governada pelo chavista Nicolás Maduro enfrenta uma grave crise legal, política e econômica, que já vem de longe.
Assim, em meio à dramática crise político institucional, a qual se encontra as instituições democráticas, a Venezuela deu um gigantesco passo atrás, em 2016, quando o Supremo Tribunal de Justiça, o TSJ deles decidiu assumir as funções do Congresso; anulando todas as decisões da Assembleia Nacional, fato esse que levou a oposição denunciar a existência de uma “ditadura velada” em seu país. Lembremos sempre, que o Congresso venezuelano era controlado pela oposição ao governo de Nicolás Maduro e, portanto, eleito democraticamente pelo seu povo.
Na ocasião, países como o Brasil, o Peru e a Organização dos Estados Americanos (OEA), repudiaram, veementemente, a medida, porém, sem sucesso.
Como não bastasse a crise política, o país enfrenta ainda, uma gravíssima crise econômica, acentuada pela alta dependência da Venezuela à  importação de bens, à queda do preço do petróleo – maior fonte de divisas do país - e ao controle estatal na produção e distribuição de produtos básicos.
Segundo especialistas, a cada dia há menos empresas, menos postos de trabalho e menos salários dignos na Venezuela.
Além disso, a emissão descontrolada de dinheiro por parte do Banco Central venezuelano, bem como a destruição da indústria nacional e a queda das importações, reduziram, drasticamente, o número de bens disponíveis no mercado venezuelano; o que trouxe à tona a realidade patente do país, o que se considera as causas crônicas da elevada inflação.
Para estabilizar a economia e sair da crise, o parlamento venezuelano tem pedido a eliminação dos controles de câmbio, já que,  desde 2003, o Estado tem tido o monopólio da venda de moedas e da determinação dos preços na economia. Pede-se ainda, o respeito absoluto à propriedade privada no país, algo que também se deteriorou.
Dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre as projeções mundiais, apontou que a Venezuela teve a maior inflação do mundo em 2015, ao redor de 160% ao ano; porém, em 2017, a inflação atingiu o índice recorde de 2.000%, levando a Venezuela à maior crise política, social e econômica de sua história contemporânea. Afora a queda do PIB venezuelano em 34% nos últimos 4 anos, a Venezuela vive, na realidade, uma crise humanitária sem precedentes, marcada pela escassez de alimentos, remédios e outros produtos básicos e o aumento quase diário dos preços ao sabor do descalabro do bolívar, a moeda nacional venezuelana, que se derrete em relação ao dólar no mercado paralelo.
A petroleira estatal PDVSA que é a fonte de mais de 90% da moeda arrecadada pelo Estado venezuelano, passa por graves dificuldades financeiras e sua produção caiu, pela primeira vez em 28 anos, para abaixo dos 2 milhões de barris diários.
Por outro lado, Maduro anuncia uma série de medidas econômicas populistas, entre elas o aumento de 20% no salário mínimo (de 9.600 para 11.520 bolívares); aumento do preço da gasolina, pela primeira vez em 20 anos; a desvalorização de 37% do bolívar, reservada à importação de alimentos e medicamentos; e um novo regime de câmbio, que passa de três a duas taxas de cambiais.
O governo anuncia ainda, o racionamento no fornecimento de energia elétrica nos 10 estados mais populosos e industrializados do país, incluindo a região de Caracas, com cortes de energia, de quatro horas diárias, pois, o reservatório da Hidroelétrica Guri, que gera 70% da eletricidade do país, está colapsado.
O desespero é tanto, que Maduro ordena estender de uma (sexta-feira) para três dias por semana (quarta, quinta e sexta-feira) a folga do setor público, para enfrentar a severa crise de eletricidade. Além de determinar que as escolas do ensino fundamental e médio não funcionem às sextas-feiras, e de estabelecer aumento de 30% no salário mínimo, incluindo funcionalismo público, aposentados e militares, abrangendo também os pensionistas.
O Alto-Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur) estima que mais de 1 milhão de venezuelanos já deixaram o país e 110 mil pediram refúgio, segundo informe elaborado após levantamento dos dados entre 2014 a 2017, sendo que os venezuelanos aportam também em refúgio no estado brasileiro de Roraima., trazendo dificuldades ao Brasil.
Como o desempenho de Maduro está abaixo das funções constitucionais da presidência, a oposição venezuelana, o responsabiliza pela grave ruptura da ordem constitucional; pela violação de direitos humanos; e pela devastação das bases econômicas e sociais do país, dado o cenário de recessão e aumento da pobreza, com inflação galopante (hiperinflação) e falta de produtos básicos nos supermercados como alimentos, produtos de higiene e remédios.
O caos esquerdista e populista é tanto que as ruas das cidades são marcadas pelos mercados negros e a violência, onde os números são comparáveis a estados em regime de guerra.
A democracia venezuelana, por muito tempo um motivo de orgulho, foi a mais atingida se descambando para o autoritarismo inútil, onde as cúpulas partidárias concordavam e ainda condordam em dividir o poder entre eles e as receitas do petróleo entre seus eleitorados.
O pacto firmado, cujo objetivo era o de preservar a democracia, passou a dominá-la. Elites dos partidos escolhem os candidatos e bloqueiam os estranhos, tornando a política menos receptiva; e o acordo de divisão da riqueza fomentou a corrupção, adotando um estilo de governo que consolida o poder nas mãos de um único líder.