quarta-feira, 11 de maio de 2016

Cenário Político Brasileiro

O cenário político brasileiro guarda estrita relação com a Operação Lava Jato que à quase dois anos começou a revelar um obscuro esquema de corrupção envolvendo políticos e as maiores empreiteiras do país.
A operação foi deflagrada em 17 de março de 2014 e Curitiba se tornou a capital da ordem e da decência do país a qual nos revelou um bilionário esquema de desvio e lavagem de dinheiro que também envolveu a Petrobrás, fazendo com que a empresa deixasse de ser a maior empresa brasileira de todos os tempos.
Segundo dados do Ministério Público Federal, desde o início da operação foram instaurados 1082 processos, realizadas mais de 411 buscas e apreensões, além do cumprimento de 101 mandados de condução coercitiva e 119 mandados de prisão sendo 62 prisões preventivas e 63 prisões temporárias e foram firmados 43 acordos de delação premiada e 5 acordos de leniência quando a colaboração é feita por uma empresa.
Estima-se que os desvios somam a bagatela de R$6,4 bilhões, sendo recuperados R$2,9 bilhões até então. Números curiosos não faltam como 84 condenações que somadas chegam a 825 anos e 10 meses de pena a ser cumprida.
A primeira fase da operação levou para prisão o doleiro Alberto Youssef apontado como responsável por comandar o esquema de lavagem de dinheiro. Diretores da Petrobrás como Paulo Roberto da Costa foi pego na quarta fase e Renato Duque na sétima fase, sendo Nestor Cerveró acolhido na fase seguinte e João Vacari Neto, ex-tesoureiro do PT, foi preso na décima segunda fase.
O elevado número de investigados na operação Lava Jato se deveu as delações premiadas, mas a forma como elas foram fechadas tem gerado controvérsias, sendo que para alguns advogados a prisão preventiva foi usada para coagir o réu e forçar a confissão, enquanto outros advogados não pensam exatamente assim.
O último réu a fechar acordo de delação premiada foi o senador Delcídio do Amaral, o qual teria se comprometido a revelar supostos envolvimentos de Dilma e do ex-presidente Lula no escândalo.
Com as últimas buscas e apreensões nesta última sexta-feira parece que estamos chegando ao fim da operação, pois as averiguações estão chegando ao topo da cadeia de comando com investigações de empresários que participaram da roubalheira, assim como de autoridades públicas que se envolveram no caso, como a direção da Petrobrás e o ex-presidente Lula, que por não ter mais foro especial se tornou passível de uma investigação como a de todos os outros mortais.
Para especialistas a condução coercitiva do ex-presidente Lula é um mero detalhe neste momento e não cabe toda essa polemica em face da gravidade da situação e das denúncias envolvidas, pois ela tem apenas como foco o desvio da atenção da população da real situação do país e da corrupção desenfreada.
Assim, é uma polêmica totalmente desnecessária, independentemente, se houve ou não abuso, pois isso é algo trivial para a justiça e acontece rotineiramente em outros países democráticos.
Em França no ano de 2014, no âmbito de uma investigação de tráfico de influencia o ex-presidente Nicolas Sarkozy foi conduzido para um depoimento na polícia francesa onde permaneceu em interrogatório por 15 horas.
Por aqui, não se trata de algo fora da normalidade democrática, pois foi apenas um depoimento, não foi uma detenção, o que não significa uma antecipação de culpa.
Lula se lançou candidato para as eleições de 2018, porém, ninguém tem bola de cristal e não se sabe a rigor do sucesso ou não dessa candidatura colocada em meio a todo esse processo de limpeza do país.
Cientistas políticos acreditam que depois desse episódio do depoimento do ex-presidente parece que a viabilidade eleitoral dele, numa candidatura a presidência da república seja decrescente. Pesquisas realizadas antes desse episódio da última sexta-feira, já mostravam a queda de intensões de voto ao ex-presidente, e, provavelmente, em novas pesquisas o ex-presidente não teria o mesmo piso de intensão de votos de pesquisas anteriores que o davam 20% de intensão de votos, porém a tendência de agora em diante deverá ser de mais queda do pleiteante.
Lembremos que a operação Lava Jato, trata-se do maior escando de corrupção da história não só brasileira, como até mesmo do mundo democrático. Não se conhece outro episódio desta magnitude.
O lado positivo destes tristes acontecimentos é que podemos reconhecer que o desempenho das instituições brasileiras tem sido categórico e que as instituições de controle sobre os governos em geral têm se fortalecido como o Ministério Público e o Poder Judiciário.
Vale lembrar que o Congresso teve participação importante neste quesito, pois, toda essa legislação a qual permite acordos de leniência, acordos de delação premiada, são novidades legislativas que entraram em vigor em menos de 10 anos.
Diante desse imbróglio, especialistas acreditam que a situação da presidente Dilma Rousseff tem um cenário bastante adverso para si e o seu governo.
Todavia, como esse cenário pode mudar, praticamente, de um dia para o outro, pode-se pensar em 4 desfechos para a crise atual.
O primeiro deles seria pela possibilidade da presidente Dilma recuperar o prestígio que teve em seu primeiro mandato, ou seja, ela daria a volta por cima e conduziria novamente a liderança do país - cenário pouco provável; o segundo cenário seria mais ou menos continuar do jeito que está até 2018, ou seja, a presidente não teria forças para se recuperar, mas, a oposição também não teria força para derrubá-la, permanecendo então o quadro atual; o terceiro cenário seria um cenário de impeachment ou de renúncia da presidente, aspecto que traria a figura do vice-presidente Michel Temer para a presidência; e o quarto cenário seria a cassação da chapa Dilma/Temer pelo TSE, o que obrigaria a realização de uma nova eleição presidencial.
Assim, não sabemos os próximos capítulos dessa novela, porém, tudo indica que estamos caminhando para um cenário de impeachment ou de cassação da atual presidente juntamente com o seu vice.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Movimentos Estratégicos

A crise econômica brasileira, agravada pelo cenário político turbulento, tem acelerado os planos de expansão de empresas brasileiras no exterior.
Com o real desvalorizado, muitas companhias, sobretudo as de commodities, buscam ampliar suas exportações. Assim, boa parte das empresas nacionais, pensando estrategicamente, vem abrindo subsidiárias em outros países, como forma de diversificação de receitas, reduzindo a dependência do mercado interno brasileiro.
Segundo especialistas no setor o fluxo maior de expansão de empresas nacionais para o exterior buscam os Estados Unidos, dado o seu maior potencial de mercado consumidor.
Informações da Câmara Americana de Comércio (Amcham), dão conta que as consultas de empresas brasileiras de diferentes portes para investir nos EUA saltaram para 70% no ano passado. Já a agência britânica de comércio e investimentos (UKTI), registrou movimento expressivo de 30% de empresas nacionais procurando o Reino Unido.
Não podendo ser diferente, em momentos de crise as empresas tentam diversificar suas receitas e buscam, naturalmente, outros mercados. Assim empresas nacionais vêm se deslocando e buscando oportunidades nos EUA e no mercado europeu.
Na Europa, a Inglaterra tem sido a principal opção, por sua forte referência como centro financeiro global e porta de entrada para os países europeus, mais protecionistas.
Deste modo, a mineradora Magnesita controlada pela “GP Investments”, produtora de materiais refratários, utilizados em indústrias siderúrgicas vem se preparando para transferir sua sede para Londres. No final de 2015, a empresa criou a holding “Mag Internacional” e pretende listar suas ações na London Stock Exchange (Bolsa de Valores de Londres) e seus principais executivos como presidente, diretor financeiro e jurídico e de relações institucionais, já estão de malas prontas.
Considerando um momento crítico para o setor de mineração e siderurgia, com baixos preços do minério de ferro e superoferta global de aço, a transferência da Magnesita para Londres não poderia ser mais oportuna, constata os principais dirigentes da empresa. Por outro lado, a Bolsa de Londres é referência de preços internacionais de minério e podemos captar dinheiro mais barato, afirmam os profissionais, que registram ainda, que a empresa manterá sua produção no Brasil e continuará listada na BM&FBovespa.
Seguindo o mesmo diapasão os dois principais bancos privados brasileiros Itaú e Bradesco, transferiram suas sedes na Europa para Londres.
Em franco processo de internacionalização, o banco Itaú transferiu recentemente sua sede de Portugal para Londres, de onde coordena também suas operações da Ásia e Oriente Médio.
Com essa estratégia o banco Itaú pretende capturar estrangeiros interessados em investir no Brasil, que se tornou muito barato diante da crise, e, como banco internacional, busca ampliar operações de fusões e aquisições de empresas e setores. 
O exigente mercado europeu, mais protecionista, também está na mira das empresas de alimentos. Ano passado, o grupo JBS avançou no Reino Unido com a aquisição da empresa “Moy Park”, enquanto a BRF (dona de Sadia e Perdigão) anunciou no fim de 2015 a compra da “Universal Meats”, com foco em alimentação fora do lar para os ingleses.
Entre os 28 países da comunidade europeia, a Inglaterra é o que mais importa carne de frango, constata os donos da BRF na Europa, sendo que o investimento na Europa responde por uma fatia importante do faturamento da BRF no exterior. Neste processo de internacionalização, a BRF adquiriu ainda uma operação na Argentina e outra na Tailândia que juntamente, com a “Universal Meats”, vão dobrar a capacidade de produção da empresa fora do Brasil.
Assim são os novos tempos de estratégia, que sobreviver verá!

terça-feira, 26 de abril de 2016

A Usiminas

A Usiminas é um projeto Nipo brasileiro que teve como alvo a formação e expansão da indústria de base brasileira nos anos cinquentas e sessentas, a qual proporcionou os japoneses se apresentar para o mundo como capazes de dominar a tecnologia da indústria do aço, e que, portanto, o Japão estava apto a atender ao mercado externo neste segmento de mercado.
A parceria dos japoneses com os mineiros deu muito certo, e o projeto se revelou complementares entre Brasil e Japão. A Usiminas foi um sucesso de mercado e um dos principais símbolos da siderurgia e da indústria brasileira, embora atualmente passe por inúmeras dificuldades em vias até mesmo de cair em uma indesejável recuperação judicial.
Mas o que é uma recuperação judicial?
A recuperação judicial é uma medida jurídica para se evitar a falência de uma empresa e pode ser solicitada quando a empresa perde a capacidade de honrar com suas dívidas. É um meio para o qual as empresas em dificuldades reorganizem seus negócios, redesenhe seu passivo e se recupere da momentânea dificuldade financeira.
Para tanto, fontes do mercado apontam que sem entrada de capital novo para proporcionar um processo de recuperação da empresa será inevitável que a empresa entre em processo judicial o que afeta profundamente a imagem e a credibilidade da empresa nos mercados interno e externo, afetando, principalmente, a compra de carvão e minério de ferro, financiados pela rede bancaria internacional. 
Mas o que está acontecendo com a Usiminas?
Bem, a Usiminas vem enfrentando uma conjunção de fatores que a tem levado a situações de dificuldades.
Assim, o setor siderúrgico como um todo passa por um ciclo de baixa, reflexo da superoferta global de aço e pela baixa demanda de aço por parte da China que é a maior consumidora de commodities mundiais.
No Brasil, a situação se agravou ainda mais com a crise política e econômica instalada que trouxe um forte recuo na demanda de aço no mercado interno influenciados pela baixa demanda das indústrias automobilística, petróleo e construção civil.
Outro ponto importante, no passado recente, foi a não percepção da necessidade de preparação de um sucessor para a presidência da empresa que fosse comprometido com os alicerces da empresa e, que, portanto, estaria comprometido com a continuidade dos momentos de gloria da empresa.
A partir daí houve uma desordenada ocupação da presidência da empresa com titulares que, de certa forma, comprometeram a gestão da empresa com suas atuações desastrosas.
Tudo isso veio de encontro às dificuldades conjunturais do mercado mundial, à elevação dos custos empresariais, com consequente diminuição da margem de lucro da empresa.
Acrescente-se a isso a previsão do Instituto Aço Brasil (IABr), de queda de 4% nas vendas de aço para este ano.
Com todos esses problemas a empresa ainda teve de conviver e convive com uma disputa societária entre os principais controladores, a japonesa Nippon Steel e o grupo ítalo-argentino Techint que infelizmente teve rompimento de relações em 2014.
A empresa conta atualmente com uma dívida que perfaz 88% do valor da empresa, a qual chega a R$8,1 bilhões, sendo 50% no mercado interno e o restante no mercado internacional, com vencimentos previstos para esse ano no valor de R$ 1,7 bilhão. Sabe-se ainda, que empresa negocia dívida de R$4,3 bilhões vencíveis em 2018 e que somente com pagamento de juros da dívida esvai R$900 milhões, além da necessidade de recursos para operar o CAPEX (investimentos) que deve ficar em torno R$ 300 milhões. Lembrando que o balanço da Usiminas em 2015 trouxe um prejuízo de R$3,7 bilhões.
Endividada e sem gerar caixa o aumento de capital ajudaria nas negociações de rolagem da dívida da Siderúrgica com seus principais credores bancários ITAU, BRADESCO E BANCO DO BRASIL, além de BNDES e JBIC (Japan Bank for International Corporation), sendo que o alongamento da dívida é prática corrente entre os bancos comerciais.
Na reunião do Conselho de Administração da empresa em 17/02 não houve consenso para injeção de capital na empresa ficando nova rodada de discussões para início de março que terá em pauta aumento de capital na empresa e choque de gestão com admissibilidade de atração de um profissional de mercado.
Para que as propostas sejam aprovadas é necessário consenso do bloco de controle Ternium, Nippon Stell e Previdencia Usiminas, conforme exigência do acordo de acionistas válido até 2031.
Dados de mercado contam que paralelamente a injeção de capital a empresa segue com seu programa de desinvestimento onde o seu principal ativo é a USIMINAS MECANICA que atua no segmento de bens de capital, com previsão de R$400 milhões na alienação sendo que americanos, europeus e asiáticos tem tido interesse pela empresa.
A solução para a Usiminas fica por conta do entendimento dos principais controladores e passa por alternativas como aumento de capital que pode ser por empréstimo bancário ou por parte dos controladores, uma operação de mútuo entre companhias, além de venda de ativos que tende a ser mais moroso em função de negociações.
No mesmo diapasão da empresa vão as cidades de Ipatinga e Cubatão que sentem o impacto das demissões.
Segundo dados da mídia foram perdidos 1,1 mil empregos em Cubatão e 1,8 mil em Ipatinga, o que pode chegar a números elevadíssimos considerando empregos diretos e indiretos, ou seja, de empresas ligadas ao aço.
Com as prefeituras não é diferente. Ambas as cidades são dependentes da indústria e sofrem com a queda de impostos como ICMS e ISS, gerando queda de arrecadação levando a reformulação de contratos e a adequação dos serviços públicos.
Outro segmento que sofre é o comércio local com quedas de vendas.
Assim, acreditamos na lucidez dos controladores da empresa e que a Usiminas se encaminhe para contornar suas dificuldades e voltar a gerar emprego e renda a seus funcionários nas regiões onde atua, mesmo que a caminhada não seja tão curta como gostaríamos. 

sexta-feira, 25 de março de 2016

Amadorismo Brasileiro

O Brasil tem insistido no amadorismo enquanto países do chamado primeiro mundo buscam esforços para consolidar e aplicar todo o conhecimento científico disponível até o ano 2.000.
Assim, enquanto a defasagem de conhecimento científico do mundo desenvolvido, digamos, é de apenas 16 anos, a defasagem brasileira vai além de meio século, agora implodido com o projeto criminoso de poder.
Por outro lado, com previsão de déficit orçamentário (gastos maiores que a arrecadação) de R$ 30,5 bilhões, o governo brasileiro busca corrigir o rombo com a volta da CPMF – Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira - com arrecadação estimada em R$32 bilhões, o que se tornaria o nosso 93º (nonagésimo terceiro) imposto.
Pela proposta governamental a CPMF teria uma alíquota de 0,20%, porém, o próprio governo pressiona os governadores para aprovação no Congresso dessa medida com elevação da alíquota para 0,38%, ou seja, 0,18% a mais de arrecadação para atender estados e municípios.
A CPMF é um dos piores impostos que existem, pois, incide sobre todas as operações financeiras por movimentação bancária. Ou seja, é cobrada toda vez que alguém sacar dinheiro, transferir recursos, fazer pagamento de contas pessoais, fazer aplicações financeiras. A CPMF é um imposto cobrado diversas vezes de acordo com o número de transações bancárias que o cidadão fizer. E como ele é um tributo cumulativo atinge toda a cadeia produtiva.
Imagine um produtor qualquer. Toda vez que ele receber dinheiro pela venda de seus produtos ou materiais, e for movimentá-lo, pagará o imposto. Quem, por sua vez, comprar os produtos desse produtor também pagará a CPMF pelo dinheiro enviado. Ao pagar os empregados cada uma dessas empresas vai pagar o imposto novamente, e os empregados pagarão o imposto toda vez que movimentar o seu salário recebido. Isso é tecnicamente o que se chama de imposto em cascata.
Por esse motivo pode haver desestímulo da produção, principalmente, das pequenas empresas que mesmo com maior custo, não poderão repassar seus custos para os preços deliberadamente. Isso acabará impactando no salário e nos investimentos de empresas e pessoas. O capital vai se concentrar ainda mais nas grandes empresas e desestimular os pequenos empresários, ainda mais num cenário de retração generalizada da economia onde a demanda está impactada.
Outro lado da questão é saber se os impostos vão aumentar ou não a arrecadação do governo. Em tese quanto mais se cobrar em impostos mais arrecadação o ente terá.
Porém, pensando racionalmente, se o imposto fosse de 80% por exemplo, isso desestimularia a produção e o trabalho, já que seria caro demais produzir e não valeria a pena ficar com apenas 20% da sua renda trabalhando pelo mesmo esforço de tempo.
Por outro lado, utilizando o conhecendo da Curva de Laffer, diríamos que acorre exatamente o contrário. Aumenta o imposto, diminui a arrecadação.
Um exemplo bem sucedido da aplicação da Curva de Laffer ocorreu nos Estados Unidos da América nos anos oitentas, no Governo de Ronald Reagan.
Quando Reagan chegou ao poder em 1981, a alíquota mais alta de imposto era de 70%. No final de seu governo, em 1989, a alíquota de imposto do país caiu para 28% o que fez a arrecadação em impostos subir em 75%.
No mundo globalizado e competitivo, emprego, capital e riqueza tendem a migrar para lugares com tributação mais baixa.
No próprio EUA foram desenvolvidos estudos sobre a migração doméstica de recursos financeiros em relação aos impostos cobrados. Assim, entre 2002 e 2012 houve imigração de um milhão de pessoas para o Texas, onde não se cobra imposto de renda, enquanto, que a Califórnia que é o 12º maior estado em cobrança de impostos perdeu um milhão e meio de pessoas no mesmo período.
É preciso entender que o aumento de impostos nem sempre é a solução para melhorar a arrecadação. É fundamental que, primeiramente, se melhore a eficiência do gasto público que corrói milhares de reais em impostos dos brasileiros.
Lembremos que o governo brasileiro abocanhou em 2015, 41,37% do PIB em impostos, o maior da América latina e próximo dos países desenvolvidos.
Assim, é indispensável que haja estímulo à produção com geração de riqueza e emprego e menores impostos.
Fica a pergunta: será que precisamos mesmo de mais impostos?

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Por que o Brasil é um país atrasado?

Ao longo dos séculos, vem-se atribuindo o atraso do Brasil e as dificuldades dos brasileiros a falsas causas naturais e históricas até mesmo como imutáveis.
Fala-se dos inconvenientes do clima tropical, ignorando-se suas evidentes vantagens. Acusa-se a mestiçagem da população, desconhecendo que somos um povo feito da mescla de índios com negros e brancos, e que nos mestiços constituímos o cerne melhor de nosso povo.
Também se fala da religião católica como um defeito, sem olhos para ver a França e a Itália, magnificamente realizadas dentro dessa fé.
Há quem se refira à colonização lusitana com nostalgia por uma maravilhosa colonização holandesa, o que de fato é tolice de gente que, visivelmente, nunca foi ao Suriname, antiga Guiana Holandesa que em sua independência em 1975 substituiu seu nome para Suriname. Existe até quem queira atribuir nosso atraso a uma suposta juventude do povo brasileiro, que ainda estaria na menoridade.
Dizem que nosso território é pobre e muito grande, uma balela. Repetem incansáveis que nossa sociedade tradicional era muito atrasada, outra inverdade. Produzimos, no período colonial, muito mais riqueza de exportação que a América do Norte e edificamos cidades majestosas como o Rio de Janeiro, a Bahia, o Recife, Olinda e Ouro Preto, que eles jamais conheceram.
É, em realidade, um discurso ideologizado de nossas elites de plantão. Muita gente boa, porém, em sua inocência, interioriza e repete tudo isto, sem os devidos cuidados. De fato, o único fator causal inegável de nosso atraso é o caráter das classes dominantes brasileiras, que se escondem atrás desse discurso vazio e inconsequente. Não há como negar que a culpa do atraso nos cabe é a nós, os ricos, os brancos, os educados, que impusemos, desde sempre, ao Brasil, a hegemonia de uma elite retrógrada, que só atua em seu próprio beneficio.
O que temos sido, historicamente, é um proletariado (empregado que vende sua força de trabalho) externo do mercado internacional. O Brasil jamais existiu para si mesmo, no sentido de produzir o que atenda aos requisitos de sobrevivência e prosperidade de seu povo. Existimos é para servir a reinvindicações alheias.
O Brasil foi formado e feito para produzir pau-de-tinta para o luxo europeu. Depois, açúcar para adoçar as bocas dos brancos e ouro para enriquecê-los. Após a independência, nos estruturamos para produzir algodão e café. Hoje, produzimos soja e minério de exportação. Para isso é que existimos como nação e como governo.
É preciso resolver as necessidades nacionais de prover nutrição, saúde, moradia, educação e segurança a toda a população, assim como produzir divisas para atuarmos dentro do mercado mundial, comprando tecnologias de fora, mas, contudo produzindo e desenvolvendo as nossas próprias tecnologias.
Vivemos uma conjuntura trágica. O próprio destino nacional está em causa e é objeto de preocupação da cidadania mais lúcida e responsável. O aspecto mais grave e inquietante da crise que atravessamos é de natureza política. Frente a ela, as diretrizes econômicas, postas em prática por sucessivos governos, se caracterizam por uma incrível teimosia na manutenção de uma institucionalidade fundiária que condena o povo ao desemprego e muitos à miséria, pela mais crua insensibilidade social, por um servilismo vexatório diante de interesses alheios ao povo e pela mais irresponsável predisposição em subtrair as principais peças constitutivas do patrimônio nacional.
Porém, essas idiotices todas não levam em conta que o descobrimento dos Estados Unidos se deu em 1492 e o descobrimento do Brasil se deu em 1500; que a independência dos Estados Unidos aconteceu em 1786 e a nossa aconteceu em 1822; que a República americana se deu em 1786 e a do Brasil em 1889 e que os americanos possuem apenas uma constituição contra sete edições da nossa. Parece que nos falta mesmo é trabalho duro, honestidade, foco e vergonha para não buscar desculpas incabíveis.


Fonte: Darcy Ribeiro

A Siderurgia Brasileira

As previsões indicam mais um período de recessão para a siderurgia brasileira neste ano de 2016, regado à baixa demanda no mercado interno diante do cenário de retração do Produto Interno Bruto (PIB), o que já é considerada a pior recessão vivida pelo Brasil em todos os tempos.
O quadro ruim do setor é reflexo da situação da cadeia de consumidores da siderurgia como o automotivo, o de bens de capital e o da construção civil, os quais vêm sentindo o baque da crise política e econômica brasileira que colocou os investimentos no país a compasso de espera fazendo com que não fique descartado que mais altos-fornos das empresas do setor sejam desligados à espera de alguma melhora do mercado.
Nessa toada, assim como a Usiminas, a Siderúrgica Nacional deverá reduzir em 30% a produção de aço da empresa através do desligamento e abafamento de um de seus altos fornos.
Este ano, portanto, será ruim para o setor, tendo em vista as projeções de queda da atividade industrial, prevista em menos 6%, relacionada a 2015, lembrando que no ano passado, o setor registrou retração de mais de 20% em relação a 2014, fazendo o setor, amargar, uma redução de rentabilidade que atropelou CSN e Usiminas.
Assim, o primeiro trimestre deste ano começará ruim, principalmente, pela comparação com a base do primeiro trimestre de 2015 que foi relativamente boa para a siderurgia.
Já a Gerdau, menos exposta ao aço plano e com maior diversificação regional, vem como a mais bem posicionada do setor, ancorada no fato de ter 60% de suas receitas vindas de fora do Brasil, com ganhos ampliados pela desvalorização do real em relação ao dólar. Porém, assistiu aos preços das ações do setor se diluir nas Bolsas de Valores, por isso, vem procurando se ajustar ao novo contexto de mercado. Mesmo assim, a situação da Gerdau não foi das melhores no ano passado tendo de paralisar aciarias e promover corte de pessoal, fezendo uso da suspensão de contratos de trabalho o chamado “Lay Off”, além de oferecer férias coletivas a seus funcionários.
Com a paralisia do mercado interno, a estratégia das siderúrgicas passa a ser buscar espaço no mercado externo apoiando-se no real desvalorizado.
Por outro lado, existe ociosidade da indústria mundial, que chega a 30% de sua capacidade produtiva perto de 700 milhões de toneladas anuais, de acordo com a Associação Mundial do Aço (WSA, na sigla em inglês), o que acaba por pressionar os preços internacionais para baixo, trazendo desafios adicionais às siderúrgicas brasileiras.
Assim, com baixo volume de vendas as empresas viram a quantidade de estoque crescer, associado aos fracos fundamentos para a demanda de aço no Brasil e para os preços do aço no mercado mundial, o que trará pressão aos fluxos de caixa para 2016 em função de maiores despesas financeiras através do maior endividamento do setor.
Como dificuldade pouca é bobagem, os mercados de crédito vêm olhando de lado para a maioria das empresas brasileiras, devido a preocupações ligadas à deterioração do ambiente político e econômico do Brasil e das incertezas relacionadas a várias investigações de corrupção na operação Lava Jato.
Nessa conjuntura, empresas e investidores precisam perceber que os resultados no curto prazo serão fracos, porém que o setor necessita focar no comprometimento da melhoria de geração de caixa e na redução dos níveis de endividamento através de menores investimentos e potenciais vendas de ativos empresariais pelo simples fato de que o setor vive atualmente a pior crise de sua história.
Não há competitividade para exportar e muito menos para barrar importações proveniente da China que crescem mensalmente, tanto direta como indiretamente, através de bens como autopeças, que levam aço.
Assim, volatilidade, excesso de capacidade instalada, pressão de custos, fusões e aquisições são algumas das características da siderurgia na atualidade.

O Brasil ladeira abaixo

O brasileiro comeu o pão que o diabo amaçou em dois mil e quinze, e inicia dois e dezesseis sem perspectivas e sem rumo.
Na realidade o país vem sendo sugado pelos detentores do poder e se encontra desgovernado e a nova composição ministerial ainda é uma incógnita. Assim, não temos governo. Apenas se finge que algo é realizado ou está sendo realizado e nada mais!
O projeto da cúpula governamental, infelizmente, nunca foi o Brasil e o que se busca agora é manter-se no poder a qualquer preço, algo difícil de concretizar porque o povo se cansou de ser apenas coadjuvante e pagar as contas.
Para se mudar o Brasil é simples. É preciso remover o projeto criminoso de poder, dar um basta na gastança do governo para diminuir o déficit público e abrir espaço para investimentos de qualidade em infraestrutura e educação para trazer competitividade a todos os segmentos do país.
Mas o que vemos é o país ladeira abaixo com o pé no acelerador! A recessão de 2015 está aí com menos 4% do PIB; o desemprego chegou a 11%; a inflação bateu 10,67%, (a maior desde 2002 e bem acima do teto da meta inflacionária de 6,5%) e os juros estão nas alturas com a taxa CELIC a 14,25% aa.
Para este ano de 2016 a coisa não será muito diferente. Recessão com menos 3% do PIB, desemprego em 9%; inflação em 8% e juros subindo para, provavelmente, 15,2% aa.
Lembremos que, recessão em dois anos seguidos, o Brasil assistiu somente no ano de 1930 com o debacle da Bolsa de Valores nos EUA em 1929, portanto há 86 anos. Fica a pergunta: o Brasil aguentará mais três anos de governo Dilma? Ou melhor, o país aguentará mais três meses do desgoverno atual?
No entanto, sou daqueles que mesmo reconhecendo as tremendas dificuldades penso que ainda podemos nos levantar. Deste modo, por mais que o governo tente infelicitar o país, por mais que eles tentem nos criar dificuldades, e eles criam, saibam disso; por mais difíceis que sejam as dificuldades precisamos lutar contra elas, intervindo no processo fazendo a nossa parte.
É fato que a nossa felicidade pessoal não pode e nem deve depender de governo algum. Porém, em alguma medida temos certa dependência, ou seja, se o governo é ruim, se o governo é muito fraco e se o governo torna o cotidiano das pessoas infernal, é claro que isso interfere nas pessoas.
Independentemente do governo de plantão temos que fazer um esforço para fazer a nossa parte junto aos nossos familiares, junto aos nossos amigos para tornar a vida ou a realidade da vida, uma coisa melhor, mais agradável, porque, a nossa felicidade direta não depende de governo nenhum. Aliás, os governos autoritários adorariam que a gente dependesse deles para tudo. Mas, felizmente, não dependemos.
Assim, os que lutam por um país melhor, os que lutam por um estado menor, os que lutam por um estado mais eficiente, os que lutam por um governo decente será que são alheios à justiça social como os governantes querem fazer crer? Será que estes são alheios ao discurso da igualdade ou da diminuição das diferenças? Claro que não!
Apenas não se quer a assistência que escraviza, queremos a assistência que liberta. E isso não é mera retórica. Isso tem dimensão prática. A assistência que escraviza é a forma como o PT faz o programa Bolsa Família, por exemplo. Essa é a assistência que escraviza porque as pessoas ficam ali penduradas naquele programa, e não sairão dali. Queremos um estado oferecendo escola decente, pois, escola decente é a assistência que liberta, a qual capacita o ser humano para a vida.
As pessoas que lutam contra esse estado de coisas. Contra essa concepção de República deformada, bandida, preocupam sim com os pobres, pois elas querem e buscam por uma boa escola, por uma boa saúde e por uma segurança pública que funcione realmente. Ou seja, tudo aquilo que o governo não oferece, embora, cobrem de nós brasileiros impostos entre os mais altos do mundo.
Desse modo o estado é gerenciado por um governo que sabe arrecadar, porém não sabe devolver em serviços eficientes para a sociedade o corresponde aos elevados impostos pagos por essa mesma sociedade, por uma simples razão, por ser um governo incompetente.
Podemos dizer que o governo perdeu o eixo, mas o povo não. Assim, apesar de tudo acredita-se num novo Brasil que está nascendo, que já nasceu o qual está nas ruas. Um novo Brasil que pede eficiência; um novo Brasil que pede competência; um novo Brasil que pede decência; um novo Brasil que pede vergonha na cara; um novo Brasil que não aceita trocar esmola pra manter gatunos no poder.
Por fim, o que se quer em realidade é a defesa de valores como a democracia, valores como a liberdade, valores como a economia de mercado, valores como os direitos individuais e direitos públicos, não os desvalores que roubam o futuro dos brasileiros.