terça-feira, 16 de setembro de 2014

A Economia e o Emprego

O número de trabalhadores na indústria recuou 3,6% em julho na comparação a julho do ano passado, a maior queda desde novembro de 2009. A piora foi generalizada. Em todos os setores o nível de emprego caiu.  Em 14 regiões pesquisadas pelo IBGE e em 15 setores, dos dezoito pesquisados na indústria a queda foi flagrante.
Estes dados refletem, naturalmente, a situação da economia e o momento de dúvidas e incertezas em relação à sucessão presidencial.
Assim, a indústria parou de investir. A onda de consumo de eletrodomésticos está caindo, a onda de compra de carros já passou e as montadoras estão dando férias coletivas ou demitindo seus funcionários. Alguns setores estão, definitivamente, fechando e vem caindo as compras de produtos importados.
Há certa resistência ao desemprego em setores ligados ao pré-sal, mercado digital, tecnologia da informação e setores de alimentos, mas, eletrodomésticos, televisores, móveis, etc., o desempenho vai mal.
Grandes setores da indústria estão refletindo o momento de incertezas e de recessão, retraindo os seus investimentos, com reflexos em demissões de pessoal, no elevado nível de estoques indesejados, que vai desaguando na diminuição de cargos e postos de trabalho.
Especialistas acreditam que quem está empregado já pode colocar as barbas de molho, pois, em realidade a coisa está realmente preta e escamoteada com a retenção dos preços de combustíveis e energia elétrica, administrados pelo governo, até as eleições.  
Outros especialistas, que concordam também, que o país passa por recessão, dizem que muitas pessoas se iludem ouvindo os conselhos indignos de quem governa o país para que, enfeite a sua casa, compre coisas para a sua casa, compre televisores, sofás, geladeiras e tal, no sentido de estimular compras, se esquecendo que isto trás endividamento das famílias, ancorados em programas governamentais que doam casas e não estimulam a dignidade e o esforço das próprias famílias em trabalhar para conseguir atender as suas necessidades através de seu próprio esforço e de seu próprio mérito.  
Tudo isto resulta em que as famílias brasileiras estão super endividadas e 66% delas estão dependuradas em algum tipo de dívida. Vejam bem: 66% das famílias estão com dívidas e estão convivendo agora com dívidas e o desemprego. Onde iremos parar? Pesquisas apontam que existem mais de 55 milhões de brasileiros endividados no país. Isto é um número assustador!
O país está realmente numa situação difícil a qual os economistas chamam de “estagflação”, ou seja, estagnação econômica associada à inflação alta. Por outro lado, o baixo crescimento econômico do Brasil nos últimos anos foi movido ao mercado interno.
A presidente Dilma tem falado em crise internacional, mas o mercado internacional brasileiro representa 20% do PIB do país, isto é o que está ligado a exportação. O grosso de nosso PIB se refere aos outros 80% do mercado interno, que depende, exclusivamente, da gestão governamental, diga-se de passagem, ruim.  
Em função da má gestão governamental temos tido inflação alta e juros elevados, porque tardiamente o governo central teve que se curvar ao aumento de juros para combater a inflação, acrescido do elevado nível de endividamento das famílias e também de 3,5 milhões de empresas.
Interessante comentar que esse crescimento baixo que temos tido, aconteceu artificialmente, quando o governo se utilizou da base de isenção de impostos que, simplesmente, gerou um buraco de R$280 bilhões no caixa da nação, desde os últimos 5 anos o qual foi implantado, o que os economistas chamam de “renúncia fiscal”, ou seja, impostos que o governo deixa de arrecadar para beneficiar a indústria automobilística e de eletrodomésticos, ao mesmo tempo em que exerce uma tremenda transferência de renda através do programa “Bolsa Família” às famílias que nem sempre são realmente carentes, sem que cobre de seu beneficiário uma contrapartida de promessa de trabalho de quem recebe o benefício.
O programa Minha Casa Melhor distribui R$ 5 mil às famílias cadastradas para comprar móveis, etc. Mais uma vez o artificialismo de aquecimento de consumo sem que isto partisse de uma base de renda através do trabalho das pessoas. Porém, o ciclo se esgotou.
O governo não tem mais munição para manter este tipo de artifício. Tudo isto trouxe apenas endividamento das famílias e inflação alta. Com isto o governo está estourando e maquiando todas as suas contas, levando o país para a recessão. Sem novos caminhos, esse processo não nos deixa nenhuma perspectiva no curto prazo e médio prazo para reversão da situação.
Em um processo de recessão, o emprego é o primeiro a sofrer os impactos, pois, em geral, os empresários, não diminuem suas margens de lucro, e certamente irão se valer da demissão de funcionários para equilibrar o seu orçamento.
A situação da indústria também é ruim pela concorrência dos produtos industrializados importados, principalmente, da China. Imaginem se não houvesse essa concorrência dos produtos estrangeiros, a inflação seria ainda mais elevada pelo simples fato de que não teríamos produtos suficientes no mercado para atender aos consumidores brasileiros, o que, invariavelmente, faria os preços subirem ainda mais.
A indústria acaba sofrendo por todos os lados, pois, quando você diminui o consumo, o comerciante não vende e não faz encomendas à indústria, a indústria não produz, não produzindo tende a dar férias a seus empregados, depois da volta das férias, o funcionário normalmente é demitido. Vira um efeito cascata.
O Brasil, ao longo do tempo e em diferentes momentos, ao desprezar a educação formal, o ensino profissional e a pesquisa, limitou a modernização do país, aniquilou a competitividade e, em conseqüência disso, perdeu a visão do desenvolvimento econômico, auto-sustentável, como projeto permanente. Perdeu o seu tempo, ao crescer marginalmente, nos últimos anos. Aceitou, assim, a mediocridade do subdesenvolvimento imposto por sistemas e hábitos políticos que dominam o Poder Executivo e toda a vida nacional, com visão personalista, cartorial, eleitoreira e de curto prazo.
Nesse quadro, dificilmente se pode esperar, em curto e médio prazo, o benefício de reformas político-institucionais macroeconômicas, capazes de aliviar o peso absurdo do Estado brasileiro sobre a sociedade, e abrir caminho para a modernização e a desburocratização do país, condição para alcançar maior capacitação competitiva, que estimule o crescimento econômico e viabilize a desejada inserção internacional como instrumento da sustentação do crescimento e não fator para o seu aviltamento.
Assim, governos que mentem para o público o tempo todo acabam mais cedo ou mais tarde mentindo para si mesmos e, pior ainda, acreditando nas mentiras que dizem; o resultado é que sempre chegam a uma situação em que não sabem mais fazer a diferença entre o que é verdadeiro e o que é falso.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

O Setor Elétrico Brasileiro

O setor elétrico brasileiro antes de sua reestruturação em 1995 era basicamente monopolista, com forte presença estatal em todos os seus segmentos e a integração de suas atividades operacionais era coordenada pelo governo federal, através da Eletrobrás.
O novo setor então implantado a partir daí, é fundamentalmente competitivo, com presença marcante de agentes privados e trouxe a redução do papel do Estado no setor, o qual se tornou agente regulador.
O novo modelo se ajustou pela segmentação das atividades de geração, distribuição e transmissão de energia com agentes distintos e trouxe uma regulamentação que coíbe comportamentos anticompetitivos com estímulo ao tratamento transparente e igualitário a todos os agentes setoriais.
Com a introdução da política de concorrência criou-se a figura do "produtor independente" com regras para a renovação das concessões existentes no mercado cativo; concebeu o "mercado livre" (consumidores livres) e extinguiu a exclusividade de fornecimento de energia para áreas de concessão, inserindo o "livre acesso" aos sistemas de transmissão e distribuição.
Com o fim do mercado cativo, os consumidores passaram a escolher livremente o seu fornecedor de energia elétrica. Desta forma, as concessionárias transformaram-se em empresas de risco, buscando competitividade, eficiência e lucro.
Após a nova estruturação do setor elétrico, coube ao Estado a responsabilidade pela regulamentação e fixação de políticas setoriais. Desta forma, os próprios agentes se tornaram operadores do sistema com papel fundamental no planejamento e administração da eficiência energética utilizando-se de pesquisas e desenvolvimento tecnológico, próprios; assim grande parte da comercialização de energia é efetuada através de contratos bilaterais de longo prazo, complementada por contratos de curto prazo.
Nos contratos de longo prazo as negociações têm o preço livre, sem interferência governamental. Já a energia de curto prazo é adquirida no mercado “spot” (com pagamento à vista) a um preço calculado por uma fração de hora que reflete o custo do sistema para gerar energia adicional.
Já o financiamento do sistema que, tradicionalmente, era executado por recursos públicos ficou restrito a recursos privados com suporte do BNDES e as empresas que eram verticalmente estatais passaram a ser concessionárias segmentadas por atividade de geração, transmissão, distribuição e comercialização.
Os pilares básicos de funcionamento do setor passaram a seguir o processo de competição nos segmentos de geração e comercialização de energia, e as expansões e os investimentos, necessários aos negócios, passaram a ter aportes do setor privado com regulação dos segmentos que são monopólios naturais como os setores de transmissão e distribuição de energia visando assim garantir qualidade dos serviços e o suprimento de energia de forma compatível com as necessidades de desenvolvimento do país.
A criação da ANEEL como uma autarquia vinculada ao Ministério das Minas e Energia tem como finalidade a regulação e fiscalização da produção, transmissão, distribuição e comercialização de energia elétrica, zelando pela qualidade dos serviços prestados pelas concessionárias a qual se responsabiliza também pela universalidade de atendimento aos consumidores, bem como ao estabelecimento de tarifas e a preservando de viabilidade econômica e financeira do setor.
Pois é, o que estava bem equacionado gerou distorções a partir do momento em que a presidente Dilma Rousseff, através de medida provisória, convoca os agentes do setor, num gesto populista, a baixar os preços da energia de maneira forçada, levando os “players” do setor a polvorosa, já que não se respeitou os princípios estabelecidos pela legislação vigente a qual o governo atua como agente regulador do sistema. Com a ameaça de não renovação das concessões obrigou-se parte das empresas a baixarem os preços, desrespeitando o princípio de viabilidade econômica do empreendimento, trazendo uma total desorganização ao setor, traduzido em afastamento de investidores através do chamado risco regulatório.Ao baixar os preços forçadamente as empresas se colapsaram. Com perdas de receitas as empresas contabilizaram déficits (prejuízos) espetaculares detonando a viabilidade dos negócios. Recentemente veio ao cenário uma autorização do governo central para que as empresas busquem empréstimos no mercado bancário com aval governamental já que os bancos, ressabiados, não quiseram topar os empréstimos de alto risco ao setor. O “governo” então resolve financiar o sistema, porém, com seu caixa combalido busca resolver o problema através de aumento de preço de tarifa, jogando o ônus de suas ingerências para o consumidor que nada tem a ver com as atrapalhadas administrativas e ideológicas do Partido dos Trabalhadores.
As distorções não param por aí! Por falta de transparência administrativa resolve-se jogar os aumentos de tarifas para depois das eleições, significando um gesto escamoteador da situação, com a intenção de enganar a população no momento do voto.Com elevado grau de descrédito e instabilidade no setor elétrico os bancos privados solicitam mais garantias para deferir empréstimos. Daí a batata quente do problema recai sobre o Banco do Brasil, Caixa Econômica e BNDES para salvar a área elétrica com dinheiro público e atenuar a situação com um volume de recursos da ordem de R$ 53 bilhões, não se importando, porém, com os riscos que esse empréstimo trará aos bancos públicos, um gesto caracterizado como “populismo irresponsável”.
Considerando estudos recentes de que o consumo “per capita” de energia elétrica no Brasil até 2050 se estabilizaria num nível três vezes superior ao consumo atual, é de se supor, que se nada for feito de probo no setor, o risco de apagão se torna iminente, o qual ainda não ocorreu pelo simples fato de a economia brasileira ter simplesmente parado.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

As agruras da América Latina

A América Latina constituída por países de línguas derivadas do Latim se compõe de 20 países: Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Uruguai e Venezuela.
A região não é pequena, é composta por 600 milhões de habitantes e a totalidade dos países são subdesenvolvidos, apesar da ostentação de certas nações por serem industrialmente e tecnologicamente mais avançadas. Quem controla o avanço industrial e tecnológico na grande maioria dos países latino-americanos é o capital transnacional ou capital estrangeiro, como é o caso de BrasilMéxico e Argentina, países de maior expressão na região. Assim, a economia da maioria dos países da América Latina provém da agricultura que se baseia na primitividade de técnicas e numa desigualdade de distribuição de terras, que sempre dá privilégio aos grandes proprietários.
A maior presença da população ativa se encontra no setor primário (agricultura, pesca e pecuária) que é um dos elementos que caracterizam o grau de desenvolvimento da região. Somente alguns países apresentam significativas parcelas da população economicamente ativa no setor secundário (indústria e construção civil), porém é o setor terciário, de prestação de serviço que mais tem crescido em quase todos os países latino-americanos.
Em geral os países latinos, são dependentes da exportação de commodities agrícolas e minerais. Brasil, Argentina, México e Chile se destacam também na produção e exportação de manufaturados, pois possuem uma boa base industrial que lentamente vem se deteriorando. Quase a totalidade dos países é capitalista e seguem os fundamentos da economia de mercado, exceto Cuba que segue uma orientação equivocada no socialismo. Por outro lado Brasil, Argentina e Venezuela, embora capitalistas vem-se distorcendo dessa orientação, infelizmente.
O futuro da economia da América Latina se apresenta no momento com mais incertezas do que clarividências. Segundo especialistas, o baixo crescimento das economias centrais vem impondo aos países da região a necessidade de realizar “reformas estruturais” para serem mais competitivas.
A queda dos preços internacionais das commodities e a mudança da política monetária americana empurraram os países latino-americanos a uma encruzilhada. Em médio prazo, o cenário trará mais incertezas. O crescimento potencial da região tende a se manter abaixo da média da década passada, segundo especialistas. A região será mais pressionada pela sociedade e pelo empresariado a expor resultados positivos em termos de aumento de produtividade e de competitividade.
Fenômenos como a redução do crescimento na China, a queda nos preços internacionais das commodities exportadas pela região e o possível aumento dos juros dos Estados Unidos a partir de julho de 2015 trarão efeitos diferentes à região e vai exigir qualidade de gestão macroeconômica dos países centrais.
O México e os andinos, em especial, Peru, Chile e Colômbia – terão maior fôlego para enfrentar o cenário desfavorável e devem manter a curva de crescimento. Já o México, Integrado aos Estados Unidos, deverá se beneficiar da recuperação americana e também de reformas adotadas em 2013 no setor energético e na tributação das empresas.
Os andinos (Chile, Colômbia e Peru) souberam como se valer do aumento dos preços das commodities na década passada, mantiveram a inflação e as contas públicas sob controle e ampliaram seus mercados consumidores.
Venezuela e Argentina formam o grupo oposto. Seus modelos econômicos centralizados estão esgotados. Favorecidos pelo aumento dos preços das commodities nos anos 2000 ambos os países expandiram seus gastos públicos, foram lenientes com a inflação e criaram dificuldades ao investimento produtivo. A Argentina tem seu quadro agravado desfavoravelmente com o chamado calote de sua dívida internacional com fundos de investidores.
O Brasil pode ser considerado em um grupo de crescimento frustrante. O País está atrasado nas reformas estruturais para expandir seu potencial de produção e aumentar a competitividade. O desemprego baixo é considerado uma “característica benigna”, mas não vem acompanhado por aumento de renda. Junte-se a isso o gigantesco dispêndio com o “Seguro Desemprego”, o que caracteriza uma tremenda contradição, acrescido do “Bolsa Família”, considerados por especialistas como um assistencialismo deslavado. A situação das contas públicas não é confortável, a inflação está acima do centro da meta e conta apenas com margem monetária – aumento de juros - em especial para enfrentar um cenário mais desfavorável.
O déficit em transações correntes (transação de um país com o exterior) é um grave problema macroeconômico da América Latina, e isso afeta o crescimento regional embora não deva causar dificuldades cambiais porque o nível de reservas internacionais da região é elevado, ou seja, perto de US$ 800 milhões.
As reformas estruturais são o grande desafio para a América Latina. Os países da região terão inevitavelmente de enfrentar esses problemas. A agenda de reformas inclui redução da carga tributária e investimentos em infra-estrutura, educação e mão de obra qualificada. Brasil e México precisam reduzir a dependência de países com grandes economias. No caso do Brasil, em relação à dependência de exportações para Europa e China, enquanto o México é extremamente dependente da economia americana e européia.
Assim, a América Latina tem diversos desafios pela frente, como erradicar a violência que impede o desenvolvimento econômico e inibe investimentos estrangeiros, como realizar as reformas trabalhista, educacional, de infra-estrutura e de segurança, e contornar seu maior problema que é eminentemente político. 

quinta-feira, 31 de julho de 2014

E o fascismo vem chegando devagarzinho

Após o vexame da Seleção Brasileira na Copa do Mundo é hora de o brasileiro cair na realidade nua e crua de um país, chamado Brasil. É hora de os desprevenidos e desavisados entenderem o que realmente acontece no Brasil de hoje.
Com disfarces rosáceos e sorrateiros nem sempre o que o atual governo central diz fazer ou procura fazer corresponde ao pé da letra à verdade ou aos reais interesses do povo brasileiro.
Comecemos a nos preocupar, porque, o fascismo vem chegando ao Brasil e a grande maioria dos brasileiros não está preparada para entender como isso se dá na prática. Assim, de maneira perigosa e escamoteada a instalação fascista vem acontecendo sem a devida percepção pelos brasileiros.  
O governo central instalado por aqui há quase doze anos e com a inoportuna concordância do PMDB com o cognome de “base aliada”, que na prática funciona como se tivéssemos um “partido único e autoritário”, é algo em realidade que não se coaduna com uma democracia digna de seu nome, portanto, não satisfaz aos interesses da nação brasileira.
O atual grau de aparelhamento do estado, que se entende como a tomada de controle de órgãos ou setores da administração pública por representantes de grupo de interesses partidários e que se ocupa de postos estratégicos das organizações do Estado, com o simples propósito de colocá-los a serviço dos interesses meramente político-partidário, é outro ponto de preocupação. O aparelhamento instituído é tal que já chegou à Petrobras, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, estatais de energia, judiciário e tantos outros setores os quais deveriam estar a serviço da população brasileira como um todo. Isto é tão grave, alarmante quanto surpreendentemente e dispendioso aos cofres da nação que na prática funciona com a utilização da máquina organizacional da nação a serviço de um partido político e que tem como seu patrocinador os “super-impostos” pagos pelo contribuinte brasileiro.
Por outro lado, todos aqueles que democraticamente se discordarem disso se torna um alvo fácil. E quais seriam esses alvos? Seriam todos os democratas e os meios de comunicação não cooptados (atraídos) pelo governo.
Nessa linha sempre volta e vai a tentativa de cercear a liberdade de expressão no país através da ideologia antidemocrática de controle público dos meios de comunicação e de mecanismos de sanção à imprensa. Outra é a instituição da Lei da Palmada que na prática significa uma intromissão do estado na vida privada das famílias, já que existem leis em vigor que coíbem abusos de qualquer natureza pelas pessoas.
A Lei de Propriedade de Obras de Arte, é outra peça que introduz no país que as obras de arte de natureza eminentemente privada, não pode ser vendida à terceiros, sem uma consulta prévia ao estado como já ocorre na Venezuela.
De outra maneira, em plena Copa do Mundo a presidente Dilma insistiu em um decreto para instituição da “Política Nacional de Participação Social” um título bonito com um propósito desastroso, o de eliminar as instituições democráticas de representação popular que são as casas do Congresso Nacional, onde se encontram senadores e deputados federais e que sem meias palavras fazia ainda com que a Justiça do Trabalho fosse substituída por uma mesa de diálogo, que se legalizada, se tornaria um verdadeiro poder paralelo ao estado. Incrível não?
Mas qual a verdadeira intenção disso? Tudo isso com o simples objetivo de perpetuação no poder de um partido que traiu um discurso de ética e moralidade ao longo de mais de 25 anos e que, gradativamente, vem impondo ao país um assustador viés autoritário.
Nesse contexto cabe lembrar a ideologia escrita em 1913, pelo líder revolucionário russo, Vladimir Lênin, o pai do Comunismo (sistema governamental ateísta).
Escrito há mais de cem anos a ideologia leninista tem fortes semelhanças com o que vem acontecendo por aqui nestes últimos anos.
A ideologia de Lênin corre assim: Corrompa a juventude e dê-lhe liberdade sexual; infiltre e depois controle todos os meios de comunicação; divida a população em grupos antagônicos, incitando-os a discussões sobre assuntos sociais; destrua a confiança do povo em seus líderes; fale sempre em democracia e em estado de direito, mas, tão logo haja oportunidade, assuma o poder sem qualquer escrúpulo; colabore com o esbanjamento do dinheiro público; coloque em descrédito a imagem do país, especialmente no exterior; provoque o pânico e o desassossego na população por meio da inflação; promova greves, mesmo ilegais, nas indústrias vitais do país; promova distúrbios e contribua para que as autoridades constituídas não as coíbam; colabore para a derrocada dos valores morais, da honestidade e da crença nas promessas dos governantes; procure catalogar todos aqueles que têm armas de fogo, para que elas sejam confiscadas no momento oportuno, tornando impossível qualquer resistência.
O mais assustador de tudo isso é que a maioria das pessoas, principalmente as menos esclarecidas vêm toda essa imoralidade apenas sob o aspecto financeiro, não percebendo que o principal objetivo é um elaborado plano que visa destruir as nossas instituições. Instituições como a família, o estado de direito, o bem público e, principalmente, a religião, que são os pilares representativos de uma democracia.
Colabora com tudo isto a aviltante propaganda midiática que contrapõe aos especialistas que dizem que os chamados êxitos do partido dos trabalhadores são bem menores que a propaganda governamental exibida e paga, exclusivamente, com o dinheiro público, ou seja, os impostos recolhidos pelo contribuinte.
E não nos enganemos, infelizmente, somos ainda um país de miseráveis.

“Oba Oba” brasileiro

Fim das festas esportivas com a copa do mundo é hora de cair na realidade do país e do atual estágio do futebol brasileiro.
De há muito o futebol deixou de ser um esporte que contava apenas com o talento individual de atletas onde o Brasil com suas várzeas, tinha a custo zero a formação de seus talentos necessários.
Assim como qualquer coisa na vida, tudo evolui de uma forma ou de outra e com o futebol não seria diferente.
Os estrategitas do esporte sempre buscaram em outros esportes, coletivos ou não, qualidades que poderiam ser aplicadas a outras modalidades esportivas. Assim o futebol jogado atualmente segue muito a linha do basquetebol onde se ataca com todos e se defende com todos encurtando os espaços no campo de jogo e que, pelo menos em tese, tenderia a eliminar o talento onde o objetivo principal é o resultado, é a objetividade na busca do gol e também de não tomar gol. Os jogadores são como operários trabalham o jogo todo e se entregam em todas as partes do campo. Assim, todos devem saber realizar bem as suas funções agora mais ampliadas com qualidade no passe, na aplicação em campo, na posse de bola cuja tese é fazer o outro time se cansar correndo atrás da bola e com paciência aguardar o momento adequado para dar o bote e marcar o gol.
Apenas o nosso técnico da seleção brasileira não sabia disso. Que pena!
O futebol baseado no basquetebol se joga com os vinte e três convocados. Não existem mais, onze titulares e onze reservas. É um todo e cada atleta deve estar preparado física e taticamente para entrar em jogo à medida da necessidade de se anular o que o adversário se impõe no campo de jogo.
Há muito os países desenvolveram o agrupamento dos atletas em times que pressupõe um grupo de atletas que se enquadram em uma estratégia de jogo e não em uma seleção, como no Brasil, que se pressupõe a escolha dos melhores atletas, que invariavelmente pode não funcionar na modalidade de time ou equipe. O exemplo disso é o time inglês que é chamado de “English team” e não propriamente uma seleção dos melhores como por aqui.
Nesse sentido, os sete a um, e, que a Alemanha colocou para cima da gente, retrata bem o atual estágio do nosso futebol e do nosso país. O país da improvisação, do “oba oba”, do fazer em última hora, de não levar em conta o conhecimento, a preparação e, principalmente, as estruturas tanto do futebol quanto do país como um todo.
Chega de “oba oba” na política, no futebol, na mídia. Chega de circo. Chega de anúncio de programas governamentais insossos que não se chega a lugar algum e servem apenas para enganar uma nação que tem cinqüenta por cento de pessoas analfabetas.  
Chega principalmente, de ideologias que não busquem o trabalho sério, o conhecimento através da qualidade dos estudos, da dignidade humana, e de uma consciência que pratique a verdade como ponto de partida para uma nação. Desliguemos, portanto, dos jeitinhos e das improvisações.
Pense nisso!

sábado, 12 de julho de 2014

As arenas e a elitização do futebol brasileiro

Com a construção das novas Arenas Esportivas estamos assistindo a um processo de mudança de paradigma dos estádios de futebol aqui no Brasil. Saímos das praças de desportos e das praças públicas para as Arenas Multiuso que estão definidamente acopladas ao projeto de elitização dos estádios e do futebol brasileiro e que, naturalmente, vem ancorada à elevação do preço dos ingressos, o que, lamentavelmente, alterará o perfil social do torcedor tupiniquim nos estádios.
O caso da Arena Corinthians é bem típico. O clube traz em si o DNA da simbologia popular, porém, tem um estádio erguido num bairro periférico distante 23 km do centro da cidade de São Paulo, cuja massa de torcedores é extremamente ativa, o que invariavelmente se confronta com esse projeto atual de elitização dos estádios contrapondo assim, com a demanda popular dos torcedores. Ou seja, o clube desportivo tem um novo estádio onde a sua torcida de massa, característica do clube, não poderá assistir aos jogos do seu timão. Estranho não?
Embora pouco comentada, essa é uma das grandes preocupações postas em função desses novos estádios, até porque a experiência de outros países já demonstrou isso muito claramente, e que de certa forma, isto já vem ocorrendo com a torcida do Flamengo no Maracanã.
Estranho também a colocação da palavra arena que poderemos considerá-la a uma propriedade lingüística pelo simples fato de que arena é um lugar que tem areia e não um lugar, propriamente, que tenha gramado.
Na realidade há uma grande preocupação nos meios esportivos onde os torcedores dos grandes clubes brasileiros possam se transformar em torcidas de mauricinhos que vão cantar “eu sou brasileiro com muito orgulho, com muito amor” que é uma canção de ninar, não propriamente uma canção para um estádio de futebol. Assim, muitos conhecedores do futebol dizem que quando a torcida brasileira começa a cantar isto nos estádios eles começam a ficar preocupados com que a seleção possa dormir em campo, ao contrário de “o campeão voltou” que é um pouco melhor, claro!
Em relação à elitização do futebol. Será que não teremos mais um bando de loucos corinthianos nos estádios? Não teremos mais a torcida do flamengo cantando “ó meu mengão eu gosto de você”? Será que não teremos mais a torcida do Galo cantando “a galoucura canta, a massa se levanta e só dá Galo”? E a torcida celeste com a Máfia Azul cantando “explode coração, na maior felicidade, é lindo o meu Cruzeiro, contagiando e sacudindo esta cidade”?
Bem, na lógica do mercado, podemos dizer que na Inglaterra isto deu muito certo porque os estádios estão repletos de torcedores e de certa forma contribuiu para minimizar a questão da violência da torcida inglesa nos estádios.
No Brasil, há algumas contradições como, por exemplo, a gente gosta de dizer que somos o país do futebol, mas é uma mentira que a gente conta pra nós mesmos porque a gente gosta e joga bem o futebol. Ou seja, nós somos bons nesse negócio de jogar futebol.
Mas, o país do futebol certamente nós não somos! A nossa média de público de 15 mil pagantes por jogo é menor que a Liga Americana de Futebol. Perdemos para a segunda divisão da Liga Inglesa e perdemos também para a segunda divisão da Liga Alemã de futebol. A nossa média de público nos estádios fica na 17ª posição em pesquisa mundial sobre comparecimento de torcedores aos estádios.
Interessante que qualquer pesquisa de opinião que se faça no Brasil sobre interesse por futebol, em primeiro lugar vem um contingente de 28% de pessoas que não se interessam por futebol, em segundo lugar vem o Flamengo e em terceiro vem o Corinthians. Na Argentina, ao contrário, a mesma pesquisa conta que em primeiro lugar vem o time “Boca Junior”, em segundo o “River Plate” e em terceiro, as pessoas que não se interessam por futebol.
Na realidade nós não podemos pensar em elitização dos nossos estádios, antes, de que haja plena capacidade de público neles. Assim, com a possível falta de público nos estádios brasileiros teremos que abrir as portas aos “geraldinos e arquibaldos” do dia a dia, abrindo assim, os estádios aos pobres e aos pretos, porque desistir de ver preto nos estádios não tem graça nenhuma, assim como os elevados preços dos ingressos e os desnecessários horários dos jogos, atendendo assim a grande massa de torcedores apaixonados por futebol.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

O esporte e a política

Uma dupla inglesa de escritores sendo um deles colunista de esportes do jornal Financial Times, e outro um economista especializado em esporte, escreveu um livro com o título “Soccereconomics” que é muito curioso. Os autores partem de uma tese que surpreende nestes tempos de copa. Eles perguntam: é dever de um estadista propor que seu povo fique feliz por um mês que seja? E eles surpreendentemente comentam que sim. É dever de um estadista fazer seu povo feliz por um mês que seja. E a copa do mundo é uma oportunidade para você fazer uma festa e deixar seu povo feliz e orgulhoso por um mês.
Na lógica dos escritores para que isto ocorra, a primeira coisa que o estadista tem o dever de fazer é perguntar para o seu povo se ele quer fazer esta festa e comentar com ele que a festa custará, digamos, R$ 30 bilhões. Nós temos esse dinheiro, porém, teremos que deixar de fazer alguns investimentos, mas, será uma festa! Vocês querem? Queremos! Vamos fazê-la, dividindo responsabilidades com a população. Não, não queremos fazê-la! Então não se faz a festa, como ocorreu em Saint Moritz e Davos (Suiça), em Munique (Alemanha) e em Estocolmo (Suécia) que acaba de dizer, em referendo popular, que não querem receber as Olimpíadas de Inverno do COI de 2022, dentro de um processo civilizado e democrático de consulta ao povo.
O que mais os escritores dizem nesse livro? Dizem que uma copa do mundo assim como nenhum outro mega evento dá lucro aos países que o recebem. Mas, uma copa do mundo é uma oportunidade magnífica que um país tem de fazer um anúncio, um comercial de si mesmo durante um mês. Correndo apenas um risco, o de fazer um mau anúncio. Assim, até o início da copa fizemos apenas um mau anúncio de nós mesmos. Vejam o que a imprensa internacional publicou sobre o Brasil antes de a bola (a Brazuca) rolar, muito embora algumas dessas publicações sejam levianas ou preconceituosas. Mas, a maioria dos comentários estava correta e, como sabemos, não foi nada legal.
Na realidade, o Brasil teve uma crise de megalomania ao fazer uma copa em 12 cidades ao invés de fazê-la em 8 cidades como era a exigência da Fifa.
Os Estados Unidos fizeram uma copa em 1994 construindo apenas um estádio novo, adaptando os estádios de beisebol e de futebol americano para o evento. A França fez uma copa em 1998 e construiu apenas o estádio De France nos arredores de Paris. Em Marseille, os dois jogos da seleção brasileira em 1998 simplesmente ocorreram no mesmo estádio em que o escrete canarinho havia jogado o Mundial de 1938, portanto, 60 anos atrás.
Por que o Brasil, a rigor, precisou fazer 12 novos estádios? Não é somente um absurdo fazer um estádio em Cuiabá que sequer futebol profissional há. É um absurdo fazer um estádio em Manaus onde também não tem futebol profissional. É um absurdo fazer um estádio para 70.000 pessoas em Brasília. É um absurdo fazer um estádio em São Paulo quando se tem o Morumbi em plenas condições de uso. Alguém até poderia dizer: mas o Morumbi não é o estádio ideal. Correto. Não é o estádio ideal. Mas o Brasil tem que fazer idealmente, hospitais, escolas, transportes, educação, infra-estrutura e muito mais para o seu povo! Mas fazer um estádio apenas para um evento de um mês para cinco ou seis jogos seria o natural para um país que ainda precisa se construir.