terça-feira, 4 de maio de 2010

Não Confunda

Cargo com função

Cargo é a posição que traz título honroso, vantagens, benesses, etc., mas também acarreta o peso de importantes deveres. A presidência da República é, sem dúvida, um cargo, que poucos ocupam com a competência desejada, sem falar na falta de austeridade, quando não de autoridade, que se vê na personalidade que a ocupa.
Função é a obrigação decorrente de cargo. Ser presidente da República é uma função que somente deveria ser exercida por quem realmente estivesse preparado para fazê-lo.
Um candidato a deputado aspira ao cargo para exercer a função em nome de seus representantes, que o elegem. Hoje, no Brasil, estão sobre isso querendo mudar todo o conceito: o candidato a deputado aspira ao cargo para exercer função que o povo jamais lhe outorgou: majorar deslavada e descaradamente os seus próprios vencimentos, por exemplo. O cargo deveria ser ocupado apenas por aqueles que pretendessem exercitar a função pública gratuitamente, por amor ao povo, por amor da Nação, por amor à Pátria. No mais, é tudo aquilo que está em Brasília. Triste!

Bobo com Tolo nem com Otário

Bobo é o indivíduo de muito curto entendimento e pouquíssima capacidade. É o que a maioria dos políticos brasileiros da atualidade pensa que nós, eleitores, somos.
Tolo é bobo ignorante e pretensioso. É o que o povo brasileiro pensa de muito candidato a cargo público.
Otário é o tolo que vive caindo no conto-do-vigário. Com sua permissão, caro leitor: somos todos nós, sempre crédulos antes de eleições, sempre frustrados depois delas.
Além do bobo, do tolo e do otário, existem ainda os parvos, adultos de espírito infantil: vivem fazendo travessuras , apesar de terem idade incompatível com as artes que fazem. A parvice é própria dos chamados “chatos” da vida. E como os há, caro leitor! Como os há!

Mestre com Professor

Mestre é o perito ou versado em arte ou ciência. Ainda: o oficial senhor de seu ofício, chefe de outros. Nem sempre ensina em escolas, já que o mestre pode ser autodidata ou sábio que acumulou experiência de vida.
Professor é o que ensina ou tenta ensinar arte, ciência ou habilidade. Trata-se de profissão hoje tão mal reconhecida, tão mal remunerada, que tende a desaparecer, seja em detrimento de seu significado, seja por força da irresponsabilidade das autoridades atuais. Até quando?

Educar com Ensinar nem com Instruir

Educar é promover o desenvolvimento das faculdades físicas, morais e intelectuais. É um dever do estado.
Ensinar é transmitir, por meio de lições, o que deve ser aprendido. É a tarefa de mestres e professores.
Instruir é preparar, por um bom ensino, para por em estado de agir, de servir à sociedade. É tarefa para a qual todos os mestres e professores deveriam estar preparados.

Encostas com Aclive nem com Declive

Encostas são partes inclinadas do monte ou morro; podem, em situação anormal, deslizar e provocar tragédias, principalmente quando se trata de morros urbanos.
Aclive é a inclinação da encosta, considerada de baixo a cima.
Declive é a inclinação da encosta, considerada de cima a baixo.
Existe ainda o sopé, parte onde o morro tem início, e a vertente, encosta por onde passa correntes de água.

Fonte:Prof. Luiz Antonio Sacconi.

domingo, 4 de abril de 2010

Utilizando a Proatividade a seu favor

Cada vez mais nos deparamos com a expressão, proatividade ou proativo. É a palavra da moda. Inclusive é muito encontrada no perfil desejado em anúncios de empregos, etc.
Na realidade, podemos ser "proativos" ou "reativos". Ser reativo é mais fácil. A única coisa que temos a fazer é esperar os acontecimentos e oportunidades, e reagir a elas.
Ao contrário, ser proativo é bem mais difícil. Isso nos leva, simplesmente, tomar as rédeas da vida. Significa que deveremos ter um controle consciente sobre vida, estabelecendo metas e trabalhando para alcançá-las, criando os próprios acontecimentos e oportunidades conscientemente.
Atualmente, por várias razões, ou até mesmo por desconhecimento, a maioria das pessoas tem um comportamento reativo.
Para ser proativo, é preciso trabalhar e conhecer alguns pressupostos básicos como:
a) Autoconsciência - significa que você tem possibilidade de escolha, e faz uso dela.
b) Consciência - possibilidade de consultar o seu mecanismo interno de direção, permitindo que você escolha o que é certo para você, baseado em seus valores.
c) Criatividade - aptidão para enxergar possibilidades alternativas e fazer uma avaliação entre elas.
d) Independência - você tem liberdade para escolher qualquer alternativa, sem necessidade de agradar aos outros, ou sem necessidade de fazer o que os outros esperam que você faça.
De certa forma, estamos o tempo todo reagindo a eventos que acontecem em nossa vida. A diferença entre ser proativo ou reativo é o processo mental que ocorre entre o evento e a resposta a ele. Uma resposta proativa significa que estaremos usando os quatro pressupostos acima para realizar uma escolha ou não realizar nenhuma escolha.
As pessoas reativas são aquelas que andam de acordo com a correnteza. Se seus amigos, vão comer pizza todas as quintas-feiras, provavelmente elas os acompanhará. Elas andam de acordo com o fluxo e de acordo com as circunstâncias, mas não conseguem dirigir conscientemente o fluxo. Esperam por uma grande oportunidade que as faça mudar de vida, enriquecer, conseguir um emprego ou situação melhor.
As pessoas proativas estão sempre atentas às suas escolhas e aos seus valores e tomam suas decisões baseadas nesses valores. Frequentemente nadam contra a correnteza, criando seu próprio caminho, apesar das dificuldades. Mesmo quando as coisas forem simples, tomarão decisões conscientes, pois sabem que qualquer escolha que façam hoje influenciará o modo como viverão amanhã.
Os reativos pensam assim:
Qual é o caminho? Não tenho tempo. Quanto dinheiro posso ganhar se fizer isso? Farei isto e vejamos o que acontece. Estou cansado. Nunca fui bom em matemática. Qual é o significado da vida?
Já o proativo pensa assim:
Aonde eu irei, e como chegarei lá? Como ter mais tempo? Quanto dinheiro eu quero, e o que farei para ganhá-lo? Farei isto. O que posso fazer para aumentar minha energia? Eu não posso falhar. Qual é o significado que eu desejo para minha vida?
Se você é daqueles que pensam que os eventos externos determinarão sua prosperidade, apesar do seu esforço, então você é reativo. Se você pensa que eventos externos só podem afetar o tempo que levará para alcançar seu objetivo, então você é proativo.
As pessoas frequentemente são uma mistura de proativos e reativos. Você pode pensar que é proativo em determinadas áreas, mas reativo em outras. Sendo assim, dedique mais tempo aprendendo a ter autoconsciência, consciência, criatividade e independência, para levar proatividade às áreas da sua vida onde ela é necessária. Se você não gosta de como as coisas estão indo, então mude. Não espere a oportunidade chegar, crie-a agora mesmo. Não espere o amanhã, para ver se as coisas melhoram, mude hoje mesmo.
Pense nisso!

domingo, 28 de março de 2010

Brasil versus China

Segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a China, depois de se consagrar no posto de maior exportadora do mundo, vem tomando espaço do Brasil no comércio internacional. Vários produtos chineses como ferro fundido, máquinas e aço, invadiram os mercados dos principais países que comercializam com o Brasil, como Estados Unidos, México e Argentina.
Um exemplo disso, é que a participação dos produtos brasileiros nas importações norte-amercanas, em 2008 e 2009 se manteve em 1,38%, praticamente a mesma participação de 2001, enquanto a presença da China avançou para 18,82%, no mesmo período, destacando sua presença nos setores de produtos químicos, caldeiras, máquinas, plásticos e alumínio.
Para especialistas, O Brasil se coloca em uma posição de desvantagem perante seus concorrentes, pela falta de uma política eficaz de incentivo à exportação. Falta empenho para alterar esta realidade.
Nesta competição, o país perde com uma carga excessiva de impostos, por não ter uma política forte de apoio à exportação e, principalmente, pela inexistência de infraestrutura.
Importante ressaltar que o Brasil é um grande exportador de commodities, ao contrário da China que vende mais produtos industrializados, com maior valor agregado. Resultado, produtos industrializados com maior valor agregado são mais valorizados do que commodities.
É bem verdade que a china pratica uma taxa de câmbio desvalorizada e que isso a favorece no comercio internacional baixando seus preços tornando-os competitivos com o resto do mundo. Assim, a China consegue maior controle na abertura de sua economia, com uma articulação de qualidade e competitividade.
Nas exportações para a Argentina, a participação brasileira recuou de 35,84% em 2005 para 29,9% em 2009. Em igual período, a fatia da chinesa cresceu de 4,93% para 12,4%.
A participação brasileira no México não ficou diferente. Caiu de 1,78% em 2008, para 1,60% em 2009. Neste mesmo período a China cresceu de 10,98% para 12,91%.

domingo, 21 de março de 2010

A Pechincha vai às Compras

Quando você vai às compras você tem o hábito de pechinchar? Pois é, saiba que embora não pareça, o brasileiro ainda não adquiriu totalmente o salutar hábito de pechinchar. Isso não aconteceu de fato, em nossa sociedade porque o brasileiro durante muito tempo conviveu com inflação elevada. Os mais novos não sabem, mas os preços dos produtos, aqui no Brasil, aumentavam todos os dias, o que era uma loucura!
Lembre-se que as lojas, nas não gostam de realizar descontos em compras a prazo, portanto, a pechincha fica para as compras à vista, quando o consumidor pede um brinde. Por exemplo, na compra de um carro o consumidor ganha um jogo de tapete ou a instalação de “insulfilm”, IPVA pago, o tanque de combustível cheio, um banco de couro ou até mesmo um desconto no preço do veículo.
Na cidade de São Paulo, onde mais se pechincha no país, as lojas acabam por incentivar a pechincha, principalmente, com propagandas do tipo: “não feche com outro sem fechar com a gente”. Repare que os juros em São Paulo são menores e que a competição empresarial é excessivamente maior que em outros estados e isso favorece o cliente, fazendo com que a barganha seja maior, evidenciando que competitividade é salutar para o consumidor.
Um desconto, principalmente, em produtos de maior volume de preço pode ajudar muito no orçamento do consumidor. Ou seja, uma redução de 10% no valor de uma geladeira, por exemplo, pode representar até 25% do salário de uma família de baixa renda.
Estudos mostram que a pesquisa de preços faz parte do processo de compras do paulistano. Assim, 77,5% dos entrevistados na cidade de São Paulo, afirmaram realizar pesquisas de valores em várias lojas antes de proceder à compra definitiva. O perfil das classes de consumidores que se utilizam de pesquisa de preços na cidade de São Paulo fica assim:
De 77,5% dos entrevistados afirmaram realizar pesquisas de valores antes de decidir comprar. As classes C e D lideram o hábito da pechincha, com 71,9 e 77,6% de adesão. Nas classes D e E, sobe para 81,6% o número de pessoas que realizam pesquisa em várias lojas. Entre os consumidores A e B, 66,3% costumam negociar descontos antes da compra.
Portanto, é bom chorar o preço na hora da compra, para não ter o desconforto de comprar o produto e ver um preço menor em outra loja.
Segundo os especialistas, o consumidor não precisa ter vergonha ao pedir desconto, pois, os produtos costumam sair de linha rapidamente e às vezes fica difícil para o comerciante vender o produto, onde caberia então a pechincha. Daí se um menor preço é bom para o consumidor, muitas vezes é bom também para o lojista.
Leve então, na ponta do lápis, o conselho do livro “Servidão Humana”, de Somerset Maugham, onde o professor aconselha seu discípulo a não pagar mais de um xelim pelo selim que se ganha.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Imposto de Renda - Oportunidade para Balanço Financeiro

É novamente tempo de acertar as contas com o “Leão”, o apelido do imposto de renda, que faz não apenas, referência à ganância do fisco em relação ao contribuinte, mas também, o de força e precisão no bote ao contribuinte mais malandro, e porque não dizer, do contribuinte sonegador, ou mesmo, do sonegador contumaz. Pois o animal Rei da Selva é símbolo do imposto, exatamente por estas preciosas características.
Desde primeiro de março a Receita Federal já vem recebendo a declaração do imposto de renda, que para muitos, é uma obrigação triste e chata, mas para aquele contribuinte mais comportado ou mesmo mais consciente é uma grande oportunidade de se fazer um grande balanço da vida financeira, tanto para pessoas físicas como para pessoas jurídicas.
Concentre então e perceba, que tudo o que a gente consegue medir tende a ser mais conhecido, mais elaborado, mais controlado, e por sua vez, melhorado. Administrar é medir. Por isso, aproveite e compare a sua situação patrimonial pessoal ou empresarial de 2008 com a sua situação patrimonial no final de 2009. Liste todos os bens e todas as suas dívidas. Calcule a diferença, conhecida como saldo e encontrará o valor real de sua riqueza líquida. Aproveite também para juntar toda a papelada que registra o movimento de sua vida financeira pessoal ou empresarial como extratos bancários, recibos de despesas dedutíveis, etc. Veja também os comprovantes de bens móveis e imóveis adquiridos ou vendidos no período e todos aqueles outros documentos necessários para realização de uma boa declaração.
Coletando tudo em seu computador, em poucos minutos, descobrirá o tamanho de sua riqueza. E melhor ainda, vai poder medir se você ou sua empresa tem enriquecido ou empobrecido. Se a notícia for ruim, isto é, se você ou sua empresa estiver entre aqueles que perderam nos últimos meses, prepare-se para fazer um perfeito diagnóstico e levar a sério uma receita de mudança. Lembre-se, este é um bom momento para monitorar melhor os seus gastos ou de sua empresa e se preparar para encarar um orçamento de verdade.
Talvez seja o momento exato para você se livrar dos gastos não necessários ou então para pensar numa mudança mais radical, por exemplo, arrumar uma atividade extra, ou mesmo mudar de profissão, isso, do lado pessoal.
Do lado empresarial é momento de trabalhar melhor os custos, fazer um bom planejamento tributário e procurar aumentar suas receitas através de seu volume de vendas.
O convite é para que você pessoa física ou você pessoa jurídica, possa fazer de sua declaração de imposto de renda, um momento, não somente de se ajustar as contas com o fisco, mas também, um momento de se organizar mais e mais e assim poder desfrutar no futuro, de muitos e muitos anos de bem com o fisco e, porque não dizer, de bem com você mesmo.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

O Repique da Crise Financeira Mundial

A crise financeira mundial, que muitos chamam de pós-crise, ainda está latente, trazendo problemas a muitos países e agora vem batendo na Europa, mais notadamente na Grécia, Portugal e Espanha.
O que conta atualmente, após a primeira fase da crise é a possibilidade de desestruturação financeira das nações, ou seja, qual é o nível de endividamento dos países, ou como dizem os economistas, qual o déficit público, capaz de disparar a percepção de risco dos investidores globais?
Segundo especialistas, não há risco de que a crise na Grécia possa contagiar a zona do euro, pois, com o aval da união européia, mais precisamente de países como a França e Alemanha, voltaria a credibilidade na região, apaziguando assim, os investidores que recentemente fizeram o repique nas Bolsas de Valores de todo o mundo. Portanto, apesar das dúvidas, os países da zona do euro não enfrentam risco de serem contagiados pela crise de dívida e déficit que aflige Grécia, Portugal e Espanha. Assim, embora o estado das finanças públicas dos três países seja preocupante, realmente não há contágio em outros membros do bloco que se constitui de 16 países.
Os mercados financeiros da zona do euro estão agitados desde dezembro do ano passado, depois que as três agências principais de classificação de risco do mundo Fitch, Moody's e Standard and Poor's, que avaliam o valor do crédito de dívidas de governos e companhias, rebaixaram o rating da dívida soberana da Grécia, expressando dúvidas se as autoridades gregas seriam capazes de limitar os gastos públicos.
A pergunta é: será que a Grécia seria capaz de tomar medidas para melhorar a situação? As dúvidas persistem porque o país nunca seguiu de verdade as diretrizes da Europa, e nunca respeitou os pactos de estabilidade monetária e econômica da União Européia.
Diante das evidências de que a crise financeira ainda afeta Grécia, Portugal e Espanha, as medidas de estímulo econômico devem permanecer a postos. É crucial, que planos de estímulos, sejam buscados, pois as taxas de crescimento desses países, projetadas para 2010 continuam muito fracas.
Daí, Grécia, Portugal e Espanha, ficarem pressionados pelos mercados financeiros a reduzirem os seus déficits públicos.
O cenário se torna preocupante, quando se pergunta: qual país seria o primeiro da fila em uma possível nova rodada de dificuldades?
Especialistas, mais moderados, preferem esperar pela apresentação do Programa de Estabilização e Crescimento de ambos os países para tirar conclusões mais definitivas, embora as medidas tenham o calibre de “ousadas” para correção dos déficits.
A dificuldade fica por conta de cortar gastos públicos onde existe um elevado grau de desemprego. Na verdade, houve falta de disciplina fiscal, que em outras palavras, podemos dizer ocultou-se a irresponsabilidade através da chamada contabilidade criativa.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Por que a Política e os Políticos Brasileiros são ruins?

Quando olhamos para o passado do estado brasileiro e agora tentando olhar para o futuro, vemos que os discursos não correspondem a realidade e com esse populismo barato não vamos chegar a lugar algum. O discurso é outro. O caminho é outro. Portanto as soluções também são outras.
O baixo nível de escolaridade do brasileiro ainda é muito baixo e, portanto, deixa muito a desejar, e por isso mesmo, não o deixa encontrar e refletir a própria realidade.
Podemos dizer que em quinhentos anos, os EUA saltaram à frente da América Latina ao conjugar capitalismo e democracia e que nesse mundo pós-crise, começa a ficar cada vez mais claro que esse binômio se constrói mais na política do que no mercado. E tão pobre é a política brasileira para o pleno entendimento disto!
Enquanto nos Estados Unidos se deu o surgimento simultâneo da democracia e do capitalismo, a América Latina teve relação conflituosa com esses conceitos, nunca corretamente entendidos por seus líderes.
Para ilustrar o nosso presente vou buscar uma história do passado que mostra bem o que pretendo dizer:
Durante sua primeira e única visita aos Estados Unidos, entre abril e julho de 1876, o imperador Dom Pedro II registrou em seu diário um feito que lhe chamou a atenção: o trem que ligava Nova York a São Francisco completara o percurso “em 84 horas e 26 minutos”. Três dias e meio apenas.
No Brasil de 1876, a estrada de ferro mais movimentada, cuja extensão era uma fração da ferrovia americana, fazia a ligação entre as plantações de café e os portos do Rio de Janeiro e Santos, em muito mais tempo. Além disso, vinha a pergunta: por que os Estados Unidos, que então comemoravam o primeiro centenário de sua independência, já tinham trens rasgando o país do Atlântico ao Pacífico, enquanto no Brasil a maioria das viagens era mesmo feita em lombo de mula?
A questão que se apresentou ao imperador estava no seu nascedouro e, de lá para cá, ficou ainda mais pertinente e intrigante: por que os Estados Unidos, que largaram atrás de tantos países da América Latina, inclusive do Brasil, conseguiram tamanho sucesso, enquanto a maioria da população da América Latina só agora começa a experimentar a vida em padrões pouco acima da linha de pobreza?
Por que o “grande irmão do norte” se notabilizou por dois séculos de estabilidade política e social, enquanto os países ao sul das Américas tiveram sua história entrecortada por golpes de estado e experimentalismos econômicos, resultando em um nível de desigualdade obsceno que só rivaliza com o da África?
Pois bem, dentre tantos fatores explicativos da natureza do distanciamento entre as duas nações, podemos destacar, algumas, ou as mais impactantes, a saber: a primeira operação de comércio internacional – Brasil: 1502 – EUA: 1608; começo efetivo da colonização – Brasil: 1530 – EUA em 1607; declaração de independência – EUA: 1776 – Brasil: 1822; promulgação da constituição em vigor – EUA: 1787 – Brasil: 1988; instalação do regime democrático em vigor – EUA: 1789 – Brasil: 1985; instalação da mais alta corte de justiça – EUA: 1790 – Brasil: 1808; primeira proteção legal ao direito de propriedade – EUA: 1791 – Brasil: 1824; criação legal da atual unidade monetária – EUA: 1792 – Brasil: 1994; término do mandato do primeiro dirigente eleito – EUA: 1793 – Brasil: 1898; começo da disciplina fiscal dos estados – EUA: 1840 – Brasil: 2000; última ruptura do sistema político – EUA: 1861 – Brasil: 1964; abolição da escravatura – EUA: 1865 – Brasil: 1888; redução do analfabetismo a 20% - EUA: 1879 – Brasil: 1991; criação do Banco Central – EUA: 1913 – Brasil: 1964; última modificação nas regras da eleição presidencial – EUA: 1951 – Brasil: 1997; universalização do voto: EUA: 1965 – Brasil: 1988.
Bem, essa é uma pequena explicação do fosso entre Brasil e EUA e que nos mostra o quanto ainda precisamos aprender e caminhar para sermos chamados, dignamente, de um país justo, ou mesmo, de um país de primeiro mundo.
Pense nisso!