sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Como Administrar uma Prefeitura buscando Eficiência?

Um bom princípio de qualquer administração seja ela pública ou privada é a possibilidade de um bom relacionamento, pois o relacionamento é a base de todo o sucesso seja de um empresário, um administrador público ou um profissional liberal. Além disso, o conhecimento das pessoas agregadas à administração pública e o acesso a determinados órgãos em várias esferas da administração ascendente é igualmente importante. Porém, além desse acesso mais facilitado, digamos assim, o prefeito eleito deve contar com uma equipe muito competente para realizar e prever projetos viáveis e que tenham aprovação das esferas correspondentes e apropriadas.
As pessoas, os eleitores e o público em geral devem ter em mente que não é somente o prefeito que administra a sua cidade, mas também os vereadores eleitos no mesmo pleito. Assim, os vereadores têm o dever primeiro de fiscalizar o executivo e de não somente criar leis em benefício da população, mas também atualizar a legislação do município nestes tempos de muitas mudanças. Desta forma os vereadores exercem a chamada administração indireta, tão importante quanto à administração direta, do prefeito.
O executivo tem a faculdade de enviar projetos de lei para apreciação da Câmara, porém a função precípua dos vereadores é a de legislar.
O jogo político nas administrações municipais funciona, portanto, assim: o vereador funciona como elo entre a população e o poder municipal e desta forma suas excelências, os vereadores, necessitam de muita capacidade para criar leis que vão beneficiar toda a cidade, não importando de onde vieram os seus votos no pleito. Além disto, o vereador vai necessitar de um mínimo de conhecimento dos trâmites burocráticos do jogo político para poder fiscalizar com eficiência os atos do poder público municipal.
Notem que esta é uma premissa básica. Sem isso, qual importância tem o dia 7 de outubro para a população? Simplesmente nenhuma! Porque se os eleitos não cumprirem com os seus papeis não estamos atendendo aos objetivos aos quais os representantes foram eleitos, ou seja, o de gerir aquilo que nós, eleitores, como coletividade, julgamos necessário.
Analogamente, a importância existente para um empresário que necessite nomear os gerentes de sua empresa é a mesma no serviço público. O gerente empresarial deve ser uma pessoa de confiança, assim como um secretário, na administração municipal, é o gerente do prefeito para aquela determinada área, então ele deve ser de confiança do prefeito. Assim, caso alguém tenha uma empresa e tenha um gerente incompetente para uma determinada área, a empresa vai padecer com esse funcionário. Da mesma forma a administração pública padecerá também.
Atualmente a diferença de como se administra uma prefeitura e como se administra uma empresa está na questão legal, ou seja, a prefeitura somente pode ser administrada com a utilização do direito administrativo que rege o funcionamento do setor público. Daí, a idéia de empresa deve ser empregada nas administrações públicas como um todo. Não visando lucro, mas visando eficiência, bom serviço, redução de desperdício, e nessa redução de desperdício inclui-se, primordialmente e criteriosamente, a questão da corrupção.
Vejam que quando se tem pessoas competentes, comprometidas e éticas na administração, estreita-se a margem para a corrupção. Muito se fala do prefeito, mas não há como gerir, controlar todas as áreas de uma prefeitura, é preciso delegar para outras pessoas. Por isso é importante que o prefeito ou o administrador público, tenha ao seu lado pessoas capacitadas, competentes e éticas.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Os Desafios do Pós-Carreira!

O aumento da longevidade e o encerramento precoce da vida corporativa criam uma espécie de segundo tempo profissional que pode durar até 20 anos. Para enfrentar esse novo tempo é preciso fazer uma poupança financeira, cuidar da saúde e elaborar um projeto de vida que priorize o que você sempre desejou fazer por prazer, e não por obrigação.
Pois é, de repente, ao encerrar a carreira, você se dá conta de que esta com medo do desconhecido. E o desconhecido neste caso, pode ser a tal da aposentadoria. Assim, a pessoa pode caracterizar este desconforto como um problema que, de repente, não se sabe como enfrentar.
Daí, você se vê conversando com o RH da companhia, onde imaginava encontrar as respostas para todas as suas dúvidas e a possibilidade de eliminar este desconforto. Mas acaba por descobrir que a sua empresa nunca aposentara um presidente. Os CEOs sempre rodam de empresas antes da chamada aposentadoria.
Mas, por sorte sua, há gente especializada no mercado e o RH de sua empresa sugeriu uma conversa com uma psicóloga e consultora de carreira. Interessante notar, que muitas vezes o postulante à aposentadoria não bota muita fé nesse assunto e se questiona frequentemente. “O que a psicóloga pode saber da minha vida?” Mesmo assim, você agenda a consulta. Uma conversa dessas, normalmente, dura quase duas horas e até bem perto do final da conversa, normalmente, não se fala em aposentadoria. Porém, já perto das despedidas, a psicóloga lhe fala: “Você e a sua empresa precisam de ajuda”. Diante da incredulidade a psicóloga dispara uma série de perguntas: O que vai ser da sua secretária? E do seu motorista? Como fica seu pacote “stock options”, de benefícios? Você vai querer manter o número do seu celular, que hoje é corporativo? Já definiu a data da sua saída e planejou o anúncio? Lembre-se de que quem avisa um ano antes que vai sair vira rainha da Inglaterra. Quem informa somente três dias antes passa a impressão de que está sendo corrido da companhia. O ideal é anunciar a aposentadoria com três ou quatro meses de antecedência.
“Quando a psicóloga acaba de dizer tudo isso, você entra em pânico”. Mas o susto e a angústia vividos pelos ex-presidentes são experiências enfrentadas todos os anos por milhares de executivos, que não se dão conta de que estão despreparados para abandonar a vida corporativa até que algo os obrigue a parar. Pode-se argumentar que sempre foi assim, mas as gerações anteriores eram programadas para trabalhar até, literalmente, não poder mais. Depois disso, viviam apenas poucos anos, mantidas pelo Estado. Com os avanços da medicina, com estilos de vida mais saudáveis e a falência da Previdência Social, essa lógica virou de pernas para o ar. Nos próximos anos, a preparação para a aposentadoria e mais ainda para a vida depois dela – o chamado “pós-carreira” - já se tornou um dos tópicos mais quentes de discussão no mundo empresarial.
Assim, executivos que estão hoje entre o meio e o fim de suas carreiras foram apanhados por dois movimentos que correm em sentidos opostos. O mais visível deles é o aumento da expectativa de vida do brasileiro, que se encontrava em 70 anos em 1999. Atualmente está nos 73 anos, e em uma década promete chegar a 75,5 anos em 2050, isso, considerando uma média, porque já se vive bem mais do que isto, enquanto as mulheres chegam hoje à marca dos 77 anos de vida útil.
O país segue sendo jovem, com o chamado bônus demográfico, em seu favor. Mas a população na faixa dos 60 anos representa hoje 11,1% dos brasileiros, um contingente de 21 milhões de pessoas e pouquíssimos estão de pijama, em casa.
De toda a população economicamente ativa do país, quase 17,5 milhões de trabalhadores têm 50 anos ou mais. Os “idosos”, a partir de 60 anos, formam o grupo que mais cresceu na última década. Existem hoje pouco mais de 22 milhões de pessoas nessa faixa etária no país. Dessas, 6,5 milhões estão em plena atividade. Um terço desse contingente trabalha por conta própria, em muitos casos como consultores.
O segundo movimento em direção às aposentadorias é o encerramento cada vez mais precoce das carreiras corporativas. Seja porque as regras de aposentadoria compulsória por idade (aos 60, 62 ou 65 anos, dependendo da empresa) apanham os profissionais dinâmicos com saúde em dia e disposição para tudo, menos para pendurar as chuteiras. Sobretudo no mercado financeiro, onde a combinação de enriquecimento rápido com rotinas de trabalho mortais convida a uma mudança de rumo profissional muitas vezes antes dos 50 anos.
Desta forma, o aumento da longevidade, somado ao encurtamento das carreiras e à vontade de seguir produtivo, cria um cenário inteiramente novo no mundo do trabalho. Aos poucos, sai de cena o velho conceito de aposentadoria. Em seu lugar, surge o “pós-carreira”, ou o chamado segundo tempo profissional. Diante disso, presume-se, que a “nova terceira idade” quer trabalhar, remunerada ou voluntariamente. Quer continuar dando sua contribuição para a sociedade. E, definitivamente, não quer ser um fardo para filhos e família, assim, os setentões, portanto, são os novos cinquentões de outrora.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Que País é Esse?

Mais uma eleição se aproxima caro leitor e eleitor.
De acordo com o processo eleitoral o eleitor não pode se eximir de fazer a sua escolha, já que o voto é obrigatório. Porém, o processo deve revelar uma escolha correta da população, já que o eleitor é o principal participante dessa dinâmica eleitoral com a manifestação de seu voto. Sendo assim, o eleitor se torna co-responsável pelo sucesso ou insucesso de seu país, de seu estado, de sua cidade.
Mas o que falta para que um cidadão escolha bem seus representantes? Primeiramente, cabe aos partidos políticos a responsabilidade e a decência de apresentar pessoas capazes de executar corretamente bem o seu mandato, apresentar bons nomes, e que esses nomes estejam realmente dispostos a resolver dignamente os problemas do país, dos estados e das cidades.
Segundo, o eleitor deve praticar a sua escolha comparando os candidatos consigo mesmo. Ou seja, veja se os valores de seu candidato combina com os seus valores adquiridos em seu processo de vida, desde a sua infância, passando por sua escolaridade e chegando em seus relacionamentos.
Terceiro, cabe a todo cidadão estar bem informado não somente acerca do candidato em si, mas a tudo o que lhe diz respeito.
Bem, na realidade, somente isto não basta. É necessário conhecer com clareza o que está ocorrendo à sua volta, no país em que você vive, no estado em que você vive, no município em que você vive. E mais ainda, acompanhar o mundo globalizado no qual você invariavelmente vive.
Para isso, é necessário que o eleitorado tenha informações, muitas informações.
Olhando os dados do IBGE, verificamos os resultados do Censo Demográfico 2010 onde mostra que a desigualdade de renda ainda é bastante acentuada no Brasil, apesar da tendência de redução observada nos últimos anos. Embora a média nacional de rendimento domiciliar por pessoa fosse de R$ 668,00 em 2010, 25% da população recebia até R$ 188,00 e metade dos brasileiros recebia até R$ 375,00, menos do que um salário mínimo, naquele ano, de R$ 510,00.
Neste sentido, trabalhando o contexto regional do Vale do Aço podemos verificar que o salário mínimo praticado por aqui é de R$ 622,00, portanto o mesmo do país.
Os dados de Ipatinga que guardam uma certa relação com as demais cidades da região, em pesquisa realizada pela empresa “Praxis Opinião e Mercado”, apontou a renda salarial dos eleitores de Ipatinga no Vale do Aço.
Assim, os que ganham até 1 salário mínimo R$ 622,00 somam 33.500 pessoas (13,40% da população); os que ganham até 2 salários R$ 1.244,00 somam 109.275 pessoas (43,71%); os que ganham até 5 salários R$ 3.110,00 somam 66.400 pessoas (26,56%); aqueles que ganham até dez salários R$ 6.220,00 são 14.400 pessoas (5,76%) e os que recebem acima de dez salários mínimos, perfazem 2.950 pessoas (1,18%).
Já os trabalhadores aposentados no Brasil são de aproximadamente 26 milhões de pessoas, os quais possuem vencimento de acordo com a média nacional de R$ 736,00, menos que um salário mínimo e meio.
Estranhamente um vereador, que em vários países mundo a fora, é um cargo sem remuneração, ou seja, um cargo voluntário, que às vezes, conta com uma ajuda mínima de custo, tem aqui no Brasil um ganho em média, R$ 9.000,00.
O cargo de prefeito tem um salário médio no Brasil de R$ 16.920,00. Vejam que se trata de média. Há os que ganham uma faixa inferior de R$ 8.700,00 e os que estão na faixa superior de R$ 26.700,00.
Os senhores deputados e senadores da república brasileira, se é que os podemos chamar de senhores, ganham em média mensalmente, aplicando todos os ganhos extras, R$ 151.000,00 perfazendo um ganho de R$ 1.812.000,00 anuais.
Já a atual presidente da república percebe um salário mensal de R$ 26.723,13.
Fazendo um pequeno exercício mental, lembremos dos ganhos dos assessores de deputados federais, de senadores, de deputados estaduais e de assessores de vereadores. Em analogia, lembremos também dos salários, de professores, bombeiros, policiais federais, estaduais, agentes federais que fizeram uma greve sem sentido, etc.
É conhecida também métricas adotadas em diversos países que medem os salários, sejam em empresas privadas, sejam no funcionalismo público como uma variância de 1 para 7. Ou seja, se o mínimo salarial é de R$ 622,00 o valor máximo de ganho do indivíduo mais importante da empresa ou do serviço público seria de sete vezes mais, portanto, R$ 4.354,00. Ótima proposta não? Assim todos iriam querer aumentar o mínimo e desta forma todos estariam bem protegidos contra os abusos, principalmente, da chamada classe política!
Pense nisso!.

sábado, 25 de agosto de 2012

Descatracalizando a Infraestrutura Brasileira

O Brasil vem ao longo de décadas perdendo competitividade internacional. E mais recentemente vem perdendo competitividade também para o grupo de países emergentes ao qual se encontra, juntamente com China, Índia, Rússia.
Não é a toa que o “World Economic Fórum” listou a qualidade da infraestrutura brasileira em 104 º. lugar dentre 142 países pesquisados. Assim o Brasil fica bem atrás de China (69º.) e Índia (86º.) e mais próximo da Rússia em Rússia (100º.).
Depois de uma década praticamente perdida de governos petistas que deixou de aproveitar a bonança do comportamento da economia mundial para implementar programas de reestruturação do país, surge agora, certo alento, de medidas mais concretas de atualização da infraestrutura brasileira.
Longe ainda, muito longe de aproveitar a agenda construtivista para encarar também as grandes reformas do país que envolve a elevada carga tributária, a baixa produtividade gerencial do governo, o agravamento dos setores de educação, saúde e segurança pública, além é claro, da tão sonhada reforma política esperada pela população, em meio ao lamaçal do chamado mensalão.
A proposta governamental é considerada por analistas de “meio envergonhada” por não falar propriamente em “privatização” palavrão no interior petista, mas que já desnacionalizou 84 empresas em 2010, 97 empresas em 2011 e 167 empresas em 2012.
Na realidade algo necessitava ser feito, pois o PIB brasileiro em 2011 ficou em 2,7% enquanto a África do Sul ficou com 3,1%, Índia ficou com 4,2%, Rússia com 7,2% e China com 9,2%. E para este ano as previsões do PIB, consideradas pelo mercado, são de menos de 2%.
A intenção do governo com o pacote é destravar os tradicionais gargalos logísticos do país e diminuir os custos de se produzir aqui Brasil, procurando assim elevar a produtividade em relação aos demais emergentes.
O pacote lançado em 15 de agosto prevê investimentos de R$ 133 bilhões sendo R$ 90 bilhões em investimentos de rodovias e ferrovias para os próximos 25 a 30 anos. Seu conteúdo anuncia a construção de 6 mil km de estradas e de 8 mil km de linhas férreas que serão transferidas para a iniciativa privada, a qual ficará responsável pela operação e pelos investimentos. O objetivo é estimular o fraco Produto Interno Bruto do país, fazendo com que o setor privado participe e invista mais, e assim, destrave o freio de mão puxado pelos temores do agravamento da crise européia e seus reflexos por aqui.
As projeções dos especialistas sobre a economia brasileira estão em queda constante e muito abaixo da meta de 4% de alta do PIB prevista para 2012 pelo governo quando o ano começou.
O mercado espera agora uma expansão do PIB em torno de 1,81%, abaixo dos 1,85% previstos na semana passada, conforme o boletim Focus, do Banco Central.
A dificuldade fica por conta dos pacotes se perderem apenas em seus próprios lançamentos, que conta ainda com o baixo controle governamental de seus projetos. Haja vista o PAC que tem apenas 29,8% de obras concluídas, e que assim como agora, teve muito barulho em seus lançamentos e quase nada de efetividade.
Em realidade virão outros pacotes para portos, aeroportos, energia elétrica, hidrovias, é só esperar.
Assim o governo pensa em descatracalizar as PPPs (parcerias público-privadas) e estimular os investimentos privados com ajuda do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), com juros subsidiados.
O governo anunciou também a transformação da ETAV (Empresa de Transporte Ferroviário de Alta Velocidade S. A.), que havia sido criada para gerir o projeto de construção de um trem bala entre Rio e São Paulo, na EPL (Empresa de Planejamento e Logística), estatal que irá gerir o programa de concessões.
A medida provisória do pacote publicada na semana passada traz ainda o aumento de 3% para 5% do limite de endividamento dos governos estaduais e municipais para inserirem ao plano, o que deve ser um complicador para a Lei de Responsabilidade Fiscal, que prevê gestão adequada de despesas e receitas e que se tornou no principal instrumento regulador das contas públicas no Brasil.

domingo, 17 de junho de 2012

Impacto da Queda dos Juros para os Investidores

Após os movimentos da queda de juros no Brasil, fica a questão de como a queda da taxa de juros, poderá impactar nas decisões dos investidores?
Trabalhando alguns números poderemos ilustrar a atual situação dos investidores. Porém, com os novos níveis de juros, os números assustam um pouco mais - eu diria – um pouco mais que no passado.
Analisando um investidor que desejasse chegar a um volume de montante de recursos padrão de R$1.000.000,00 (um milhão de reais), que naturalmente é o sonho da maioria dos mortais, e em conformidade às exigências do assunto, com uma taxa de juros reais de 6% ao ano e uma contribuição mensal de R$1.000,00 (mil reais) em aplicações, durante trinta anos, levaria o investidor ao seu primeiro milhão, ou seja, a ser um milionário. Assim, com mil reais mensais por trinta anos o investidor conseguiria acumular um milhão de reais.
Utilizando o mesmo raciocínio para se atingir R$1.000.000,00 (um milhão de reais) a uma taxa real de juros de 4% ao ano, teríamos hoje que realizar uma contribuição maior, ou seja, de R$1.470,00 (mil quatrocentos e setenta reais) mensais. Assim, de R$1.000,00 (mil reais) mensais, iniciais, agora os investidores necessitariam de R$1.470,00 (mil quatrocentos e setenta reais) mensais de depósito para se chegar a R$1.000.000,00 (um milhão de reais), o que efetivamente, reflete um aumento de quase 50% da contribuição.
Com o mesmo raciocínio em mente, decaindo a taxa de juros reais a 3% ao ano, como parece acontecer em algum momento, não muito distante no tempo, a nossa contribuição de investimento caminharia para R$ 1.750,00 (mil setecentos e cinqüenta reais) mensais. Portanto, a relação de valores aplicados sobe agora a 75% do valor inicial de R$1.000,00 (mil reais). Lembrando que os dados seguem a taxa de juros reais, ou seja, juros reais descontados a inflação.
Nesses níveis de contribuição de R$1.750,00 (mil setecentos e cinqüenta reais), para se chegar à cifra mágica de R$1.000.000,00 (um milhão de reais), ocorre um dilema, a grande maioria dos brasileiros não teria um montante deste valor para a contribuição mensal, então o que fazer?
Uma das alternativas para o investidor seria a de aumentar o tempo para a contribuição dos valores.
Assim, no primeiro exemplo, um investidor teria que trabalhar 30 anos para conseguir extrair R$1.000,00 (mil reais) de seus vencimentos para aplicação e chegar ao seu primeiro milhão.
Com a taxa de juros a 4% ao ano, o investidor necessitará trabalhar 7 anos a mais em sua vida laboral, ou seja, 37 anos de trabalho, não muito, considerando a atual expectativa de vida do brasileiro, embora seja prudente reconhecer que é uma diferença significativa.
Caso a taxa de juros caia a 3% ao ano, como esperado, o investidor teria que trabalhar 42 anos para atingir o seu primeiro milhão, ou seja, 12 anos a mais de trabalho.
As alternativas são: ou se eleva o valor investido ou se aumenta os anos de trabalho para que possa manter a contribuição mensal de investimento e buscar um milhão de reais.
Para contornar esse processo, talvez seja necessário trabalhar um equilíbrio a essa situação, ajustando um alongamento de tempo com uma elevação no nível de contribuição. Ou ainda, considerar um mecanismo de diversificação de capitais, utilizando os prêmios de risco de longo prazo como em aplicações em bolsa de valores, com uma rentabilidade um pouco maior do que os 3% somente, livre de riscos.
O modelo de diversificação, porém, é algo que não acolhe a todos. Deste modo, é necessário verificar o perfil financeiro do aplicador, seus horizontes de médio e longo prazo, e se é afeito a esse investidor, considerar algo de renda variável em seu portfólio para futura aposentadoria.
Especialistas acreditam que se um aplicador considerar um portfólio de risco de forma lenta e constante, o risco torna-se muito baixo. O medo dos especialistas fica por conta de os investidores assumirem riscos elevados em mercados desconhecidos.
Neste contexto, trabalhar um portfólio com um pouco de renda variável no longo prazo é uma das saídas, principalmente, para os mais jovens, que poderiam ir comprando ações aos poucos, para que, no futuro, possam também vendê-las aos poucos. O que requer bastante disciplina, claro. Bem dosado e estudado, o risco faz sentido. Fica a preocupação de que, às vezes, o risco cobra o seu preço no futuro.
É natural, como ocorreu em outros países, que com a queda das taxas de juros haja um incremento do mercado de ações, porém, a médio e longo prazo, em função da crise européia atual.
Por conta disto, talvez seja o momento de se fazer crescer a base tão pequena de aplicadores “pessoa física” na bolsa de valores brasileira, de apenas 580 mil pessoas, diga-se de passagem, com baixo volume de aplicadores já de algum tempo.
Cabe então ao investidor avaliar se é momento de alterar seus níveis de aplicação ou se necessita de um alongamento de tempo de contribuição de suas aplicações, ou ainda, se deve considerar uma base diversificada de aplicações para se chegar ao primeiro milhão de forma consciente.
Boas aplicações!

quarta-feira, 13 de junho de 2012

A Mídia do Vale do Aço

Assistindo ao excelente show de Zélia Duncan no Centro Cultural Usiminas e vendo a participação total da platéia cantando e participando com sua intérprete maior estive pensando na mídia radiofônica do Vale do Aço onde o comercial tem sido mais interessante que as programações que rolam nas rádios.
Acredito que, os veículos locais, estejam fora de sintonia com o público mineiro e, principalmente, com o público multifacetado do Vale do Aço, que, contrariamente aos que bolam as programações, sabem muito bem o que querem ouvir e o que querem assistir nos shows.
Na última pesquisa de audiência de rádio, na cidade de Ipatinga, ficou percebido que 78% da população ouve rádio, porém as rádios estão brigando por uma fatia de menos de 30% da audiência, o que é muito pouco e mostra uma disputa quase parelha pela audiência.
No entanto, acredito que seja preciso repensar o processo de fazer rádio em nossa região. É necessário vislumbrar uma programação que seja realmente mais voltada para o público diversificado aqui do Vale, e que de certa forma procure desfazer a maneira mais fácil de fazer rádio, copiando as rádios das grandes capitais do país.
Com todo respeito, por exemplo, o programa Pânico no Rádio, não tem nada com o jeito mineiro de ser, não agrega quase nada. A riqueza musical de Minas Gerais não é vista na programação, os grandes nomes da música de minas, não aparecem. Muito menos o trabalho dos músicos locais.
Falta agregar notícias curtas e de qualidade na programação, principalmente, nas rádios FM.
É preciso dotar o público com mais qualidade e informação musical e fugir do lixo musical estrangeiro que nada agrega. Disseminar a beleza e a cultura da música brasileira de modo geral, em particular a música mineira de Milton Nascimento, Célia e Selma, João Bosco, Ari Barroso e tantos outros.
Numa destas noites vendo a programação cruja da televisão, que também tem lá o seu lixo, consegui ver uma cantora portuguesa vindo a minas e gravar música mineira do Clube da Esquina – sucesso absoluto em Portugal. Aí, cabe a pergunta: o nosso público conhece Clube da Esquina, faz idéia da importância deste acontecimento e desses músicos para a música brasileira?
A música brasileira é altamente badalada no Japão, Estados Unidos, França, e em outros países. E nós aqui jogando “goela abaixo” de nosso público o lixo que vem de fora.
Caros programadores, a qualidade do ouvinte está na qualidade da programação e não o contrário, como parece. Esta falta de atenção ao óbvio tem levado grandes rádios do país e grandes redes de televisão ao fracasso de audiência.
No lado do esporte, houve uma grande troca de locutores nas mais importantes rádios esportivas do Rio de Janeiro e por falta de qualidade geral, ninguém foi chamado de outras praças ou de praças do interior para compor um novo quadro esportivo carioca.
Portanto, é preciso mais qualidade! Pelo menos esta é a minha opinião.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

A Queda na Taxa de Juros e o Comportamento do Consumidor

A taxa de juros, na definição econômica clássica, representa o custo do dinheiro no tempo. Basicamente representa o quanto um individuo paga a mais para consumir hoje, o que ele somente teria recurso financeiro para consumir no futuro. Com esse conceito em mente, podemos inferir que a queda nas taxas de juros nos bancos em geral, deixará mais barato a antecipação do consumo, que em tese somente aconteceria no futuro. Assim a queda nos juros tem impacto nos consumidores em geral, tanto para os devedores quanto para os credores.
Para quem já está endividado, portanto, terá a chance de renegociar o seu papagaio (nome popular para empréstimo), reduzindo assim as taxas de juros de seu empréstimo.
Para as pessoas que ainda não estão endividadas, a recomendação é pensar um pouco antes de se endividar. Pois o juro caiu, mas ainda está muito caro. Procure se endividar de forma correta. Coloque em mente que um endividamento saudável é aquele toma 30% de sua renda líquida, ou seja, o volume máximo de renda a ser comprometido com prestações. Note que é importante respeitar esse limite ou algo parecido com isto. Quando você passa desse limite você assume prestações que comprometem mais do que o razoável de sua renda. Daí você tem uma chance relativamente elevada de ter problemas para pagar as suas prestações. Pois 30% é um balizador importante do endividamento de uma pessoa.
Pense no tipo de empréstimo no qual você está assumindo, pois um empréstimo ou financiamento imobiliário é diferente de um financiamento para consumo. Veja que, em um empréstimo ou financiamento imobiliário, você tem um bem em contrapartida, o que se torna bastante diferente quando o endividamento é destinado ao consumo.
Cabe lembrar que o endividamento não é ruim por si, somente. Ele possibilita que as pessoas adquiram bens diversos como casa, carro, eletrodomésticos, dentre outros, que realmente melhoram a vida das pessoas.
Muitas pessoas tomam crédito de forma equivocada. Há pessoas que rolam meses após meses o saldo negativo no cheque especial ou no cartão de crédito, que naturalmente, são créditos específicos para o curtíssimo prazo. É preciso olhar e tomar a consciência de quanto estão devendo e negociar um empréstimo consignado ou um financiamento pessoal ao consumidor que possui taxas em melhores condições do que as taxas do cheque especial ou do cartão de crédito.
Pense um pouquinho, planeje o seu endividamento através do crédito. Um crédito planejado vem de encontro à melhoria de vida das pessoas. A ausência de um planejamento tende a levar a pessoa à inadimplência (falta de cumprimento com as parcelas da dívida), estragando a vida dos tomadores ou pegadores de empréstimos. Perceba que a idéia de crédito, é justamente ao contrário, é tão somente, para facilitar as pessoas a adquirirem os bens necessários a uma vida normal.
Cuidado então com os empréstimos ou créditos para consumo. Fique de olho no parcelamento na compra dos bens. Não é adequado comprar um bem em parcelas maiores do que o período de vida útil do bem ou mercadoria adquirida. Uma geladeira que tem uma durabilidade de três a quatro anos, você pode parcelar num prazo mais longo. Roupas por exemplo, o prazo deve ser mais curto, no máximo em duas ou três vezes e alimentação, por sua vez, não é recomendado o parcelamento.
A idéia básica é a de que, na hora em que você for substituir o bem já gasto pelo uso no tempo, você já tenha quitado a compra anterior. Essa é uma prática comum que ajuda o consumidor a eliminar ou dosar o seu endividamento. Às vezes a gente vê pessoas comprando ovos de páscoa em dez vezes. Isso não faz sentido algum. Parcelar alimentação ou combustível, não vem ao caso, é o que normalmente se chama de endividamento negativo.
O parcelamento deve ser direcionado para bens duráveis, para aquela viagem dos sonhos, para a sua educação individual ou para a educação dos filhos. Nestes casos o endividamento pode ser considerado positivo ou salutar.

Pense nisso e boa sorte!