sábado, 25 de agosto de 2012

Descatracalizando a Infraestrutura Brasileira

O Brasil vem ao longo de décadas perdendo competitividade internacional. E mais recentemente vem perdendo competitividade também para o grupo de países emergentes ao qual se encontra, juntamente com China, Índia, Rússia.
Não é a toa que o “World Economic Fórum” listou a qualidade da infraestrutura brasileira em 104 º. lugar dentre 142 países pesquisados. Assim o Brasil fica bem atrás de China (69º.) e Índia (86º.) e mais próximo da Rússia em Rússia (100º.).
Depois de uma década praticamente perdida de governos petistas que deixou de aproveitar a bonança do comportamento da economia mundial para implementar programas de reestruturação do país, surge agora, certo alento, de medidas mais concretas de atualização da infraestrutura brasileira.
Longe ainda, muito longe de aproveitar a agenda construtivista para encarar também as grandes reformas do país que envolve a elevada carga tributária, a baixa produtividade gerencial do governo, o agravamento dos setores de educação, saúde e segurança pública, além é claro, da tão sonhada reforma política esperada pela população, em meio ao lamaçal do chamado mensalão.
A proposta governamental é considerada por analistas de “meio envergonhada” por não falar propriamente em “privatização” palavrão no interior petista, mas que já desnacionalizou 84 empresas em 2010, 97 empresas em 2011 e 167 empresas em 2012.
Na realidade algo necessitava ser feito, pois o PIB brasileiro em 2011 ficou em 2,7% enquanto a África do Sul ficou com 3,1%, Índia ficou com 4,2%, Rússia com 7,2% e China com 9,2%. E para este ano as previsões do PIB, consideradas pelo mercado, são de menos de 2%.
A intenção do governo com o pacote é destravar os tradicionais gargalos logísticos do país e diminuir os custos de se produzir aqui Brasil, procurando assim elevar a produtividade em relação aos demais emergentes.
O pacote lançado em 15 de agosto prevê investimentos de R$ 133 bilhões sendo R$ 90 bilhões em investimentos de rodovias e ferrovias para os próximos 25 a 30 anos. Seu conteúdo anuncia a construção de 6 mil km de estradas e de 8 mil km de linhas férreas que serão transferidas para a iniciativa privada, a qual ficará responsável pela operação e pelos investimentos. O objetivo é estimular o fraco Produto Interno Bruto do país, fazendo com que o setor privado participe e invista mais, e assim, destrave o freio de mão puxado pelos temores do agravamento da crise européia e seus reflexos por aqui.
As projeções dos especialistas sobre a economia brasileira estão em queda constante e muito abaixo da meta de 4% de alta do PIB prevista para 2012 pelo governo quando o ano começou.
O mercado espera agora uma expansão do PIB em torno de 1,81%, abaixo dos 1,85% previstos na semana passada, conforme o boletim Focus, do Banco Central.
A dificuldade fica por conta dos pacotes se perderem apenas em seus próprios lançamentos, que conta ainda com o baixo controle governamental de seus projetos. Haja vista o PAC que tem apenas 29,8% de obras concluídas, e que assim como agora, teve muito barulho em seus lançamentos e quase nada de efetividade.
Em realidade virão outros pacotes para portos, aeroportos, energia elétrica, hidrovias, é só esperar.
Assim o governo pensa em descatracalizar as PPPs (parcerias público-privadas) e estimular os investimentos privados com ajuda do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), com juros subsidiados.
O governo anunciou também a transformação da ETAV (Empresa de Transporte Ferroviário de Alta Velocidade S. A.), que havia sido criada para gerir o projeto de construção de um trem bala entre Rio e São Paulo, na EPL (Empresa de Planejamento e Logística), estatal que irá gerir o programa de concessões.
A medida provisória do pacote publicada na semana passada traz ainda o aumento de 3% para 5% do limite de endividamento dos governos estaduais e municipais para inserirem ao plano, o que deve ser um complicador para a Lei de Responsabilidade Fiscal, que prevê gestão adequada de despesas e receitas e que se tornou no principal instrumento regulador das contas públicas no Brasil.

domingo, 17 de junho de 2012

Impacto da Queda dos Juros para os Investidores

Após os movimentos da queda de juros no Brasil, fica a questão de como a queda da taxa de juros, poderá impactar nas decisões dos investidores?
Trabalhando alguns números poderemos ilustrar a atual situação dos investidores. Porém, com os novos níveis de juros, os números assustam um pouco mais - eu diria – um pouco mais que no passado.
Analisando um investidor que desejasse chegar a um volume de montante de recursos padrão de R$1.000.000,00 (um milhão de reais), que naturalmente é o sonho da maioria dos mortais, e em conformidade às exigências do assunto, com uma taxa de juros reais de 6% ao ano e uma contribuição mensal de R$1.000,00 (mil reais) em aplicações, durante trinta anos, levaria o investidor ao seu primeiro milhão, ou seja, a ser um milionário. Assim, com mil reais mensais por trinta anos o investidor conseguiria acumular um milhão de reais.
Utilizando o mesmo raciocínio para se atingir R$1.000.000,00 (um milhão de reais) a uma taxa real de juros de 4% ao ano, teríamos hoje que realizar uma contribuição maior, ou seja, de R$1.470,00 (mil quatrocentos e setenta reais) mensais. Assim, de R$1.000,00 (mil reais) mensais, iniciais, agora os investidores necessitariam de R$1.470,00 (mil quatrocentos e setenta reais) mensais de depósito para se chegar a R$1.000.000,00 (um milhão de reais), o que efetivamente, reflete um aumento de quase 50% da contribuição.
Com o mesmo raciocínio em mente, decaindo a taxa de juros reais a 3% ao ano, como parece acontecer em algum momento, não muito distante no tempo, a nossa contribuição de investimento caminharia para R$ 1.750,00 (mil setecentos e cinqüenta reais) mensais. Portanto, a relação de valores aplicados sobe agora a 75% do valor inicial de R$1.000,00 (mil reais). Lembrando que os dados seguem a taxa de juros reais, ou seja, juros reais descontados a inflação.
Nesses níveis de contribuição de R$1.750,00 (mil setecentos e cinqüenta reais), para se chegar à cifra mágica de R$1.000.000,00 (um milhão de reais), ocorre um dilema, a grande maioria dos brasileiros não teria um montante deste valor para a contribuição mensal, então o que fazer?
Uma das alternativas para o investidor seria a de aumentar o tempo para a contribuição dos valores.
Assim, no primeiro exemplo, um investidor teria que trabalhar 30 anos para conseguir extrair R$1.000,00 (mil reais) de seus vencimentos para aplicação e chegar ao seu primeiro milhão.
Com a taxa de juros a 4% ao ano, o investidor necessitará trabalhar 7 anos a mais em sua vida laboral, ou seja, 37 anos de trabalho, não muito, considerando a atual expectativa de vida do brasileiro, embora seja prudente reconhecer que é uma diferença significativa.
Caso a taxa de juros caia a 3% ao ano, como esperado, o investidor teria que trabalhar 42 anos para atingir o seu primeiro milhão, ou seja, 12 anos a mais de trabalho.
As alternativas são: ou se eleva o valor investido ou se aumenta os anos de trabalho para que possa manter a contribuição mensal de investimento e buscar um milhão de reais.
Para contornar esse processo, talvez seja necessário trabalhar um equilíbrio a essa situação, ajustando um alongamento de tempo com uma elevação no nível de contribuição. Ou ainda, considerar um mecanismo de diversificação de capitais, utilizando os prêmios de risco de longo prazo como em aplicações em bolsa de valores, com uma rentabilidade um pouco maior do que os 3% somente, livre de riscos.
O modelo de diversificação, porém, é algo que não acolhe a todos. Deste modo, é necessário verificar o perfil financeiro do aplicador, seus horizontes de médio e longo prazo, e se é afeito a esse investidor, considerar algo de renda variável em seu portfólio para futura aposentadoria.
Especialistas acreditam que se um aplicador considerar um portfólio de risco de forma lenta e constante, o risco torna-se muito baixo. O medo dos especialistas fica por conta de os investidores assumirem riscos elevados em mercados desconhecidos.
Neste contexto, trabalhar um portfólio com um pouco de renda variável no longo prazo é uma das saídas, principalmente, para os mais jovens, que poderiam ir comprando ações aos poucos, para que, no futuro, possam também vendê-las aos poucos. O que requer bastante disciplina, claro. Bem dosado e estudado, o risco faz sentido. Fica a preocupação de que, às vezes, o risco cobra o seu preço no futuro.
É natural, como ocorreu em outros países, que com a queda das taxas de juros haja um incremento do mercado de ações, porém, a médio e longo prazo, em função da crise européia atual.
Por conta disto, talvez seja o momento de se fazer crescer a base tão pequena de aplicadores “pessoa física” na bolsa de valores brasileira, de apenas 580 mil pessoas, diga-se de passagem, com baixo volume de aplicadores já de algum tempo.
Cabe então ao investidor avaliar se é momento de alterar seus níveis de aplicação ou se necessita de um alongamento de tempo de contribuição de suas aplicações, ou ainda, se deve considerar uma base diversificada de aplicações para se chegar ao primeiro milhão de forma consciente.
Boas aplicações!

quarta-feira, 13 de junho de 2012

A Mídia do Vale do Aço

Assistindo ao excelente show de Zélia Duncan no Centro Cultural Usiminas e vendo a participação total da platéia cantando e participando com sua intérprete maior estive pensando na mídia radiofônica do Vale do Aço onde o comercial tem sido mais interessante que as programações que rolam nas rádios.
Acredito que, os veículos locais, estejam fora de sintonia com o público mineiro e, principalmente, com o público multifacetado do Vale do Aço, que, contrariamente aos que bolam as programações, sabem muito bem o que querem ouvir e o que querem assistir nos shows.
Na última pesquisa de audiência de rádio, na cidade de Ipatinga, ficou percebido que 78% da população ouve rádio, porém as rádios estão brigando por uma fatia de menos de 30% da audiência, o que é muito pouco e mostra uma disputa quase parelha pela audiência.
No entanto, acredito que seja preciso repensar o processo de fazer rádio em nossa região. É necessário vislumbrar uma programação que seja realmente mais voltada para o público diversificado aqui do Vale, e que de certa forma procure desfazer a maneira mais fácil de fazer rádio, copiando as rádios das grandes capitais do país.
Com todo respeito, por exemplo, o programa Pânico no Rádio, não tem nada com o jeito mineiro de ser, não agrega quase nada. A riqueza musical de Minas Gerais não é vista na programação, os grandes nomes da música de minas, não aparecem. Muito menos o trabalho dos músicos locais.
Falta agregar notícias curtas e de qualidade na programação, principalmente, nas rádios FM.
É preciso dotar o público com mais qualidade e informação musical e fugir do lixo musical estrangeiro que nada agrega. Disseminar a beleza e a cultura da música brasileira de modo geral, em particular a música mineira de Milton Nascimento, Célia e Selma, João Bosco, Ari Barroso e tantos outros.
Numa destas noites vendo a programação cruja da televisão, que também tem lá o seu lixo, consegui ver uma cantora portuguesa vindo a minas e gravar música mineira do Clube da Esquina – sucesso absoluto em Portugal. Aí, cabe a pergunta: o nosso público conhece Clube da Esquina, faz idéia da importância deste acontecimento e desses músicos para a música brasileira?
A música brasileira é altamente badalada no Japão, Estados Unidos, França, e em outros países. E nós aqui jogando “goela abaixo” de nosso público o lixo que vem de fora.
Caros programadores, a qualidade do ouvinte está na qualidade da programação e não o contrário, como parece. Esta falta de atenção ao óbvio tem levado grandes rádios do país e grandes redes de televisão ao fracasso de audiência.
No lado do esporte, houve uma grande troca de locutores nas mais importantes rádios esportivas do Rio de Janeiro e por falta de qualidade geral, ninguém foi chamado de outras praças ou de praças do interior para compor um novo quadro esportivo carioca.
Portanto, é preciso mais qualidade! Pelo menos esta é a minha opinião.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

A Queda na Taxa de Juros e o Comportamento do Consumidor

A taxa de juros, na definição econômica clássica, representa o custo do dinheiro no tempo. Basicamente representa o quanto um individuo paga a mais para consumir hoje, o que ele somente teria recurso financeiro para consumir no futuro. Com esse conceito em mente, podemos inferir que a queda nas taxas de juros nos bancos em geral, deixará mais barato a antecipação do consumo, que em tese somente aconteceria no futuro. Assim a queda nos juros tem impacto nos consumidores em geral, tanto para os devedores quanto para os credores.
Para quem já está endividado, portanto, terá a chance de renegociar o seu papagaio (nome popular para empréstimo), reduzindo assim as taxas de juros de seu empréstimo.
Para as pessoas que ainda não estão endividadas, a recomendação é pensar um pouco antes de se endividar. Pois o juro caiu, mas ainda está muito caro. Procure se endividar de forma correta. Coloque em mente que um endividamento saudável é aquele toma 30% de sua renda líquida, ou seja, o volume máximo de renda a ser comprometido com prestações. Note que é importante respeitar esse limite ou algo parecido com isto. Quando você passa desse limite você assume prestações que comprometem mais do que o razoável de sua renda. Daí você tem uma chance relativamente elevada de ter problemas para pagar as suas prestações. Pois 30% é um balizador importante do endividamento de uma pessoa.
Pense no tipo de empréstimo no qual você está assumindo, pois um empréstimo ou financiamento imobiliário é diferente de um financiamento para consumo. Veja que, em um empréstimo ou financiamento imobiliário, você tem um bem em contrapartida, o que se torna bastante diferente quando o endividamento é destinado ao consumo.
Cabe lembrar que o endividamento não é ruim por si, somente. Ele possibilita que as pessoas adquiram bens diversos como casa, carro, eletrodomésticos, dentre outros, que realmente melhoram a vida das pessoas.
Muitas pessoas tomam crédito de forma equivocada. Há pessoas que rolam meses após meses o saldo negativo no cheque especial ou no cartão de crédito, que naturalmente, são créditos específicos para o curtíssimo prazo. É preciso olhar e tomar a consciência de quanto estão devendo e negociar um empréstimo consignado ou um financiamento pessoal ao consumidor que possui taxas em melhores condições do que as taxas do cheque especial ou do cartão de crédito.
Pense um pouquinho, planeje o seu endividamento através do crédito. Um crédito planejado vem de encontro à melhoria de vida das pessoas. A ausência de um planejamento tende a levar a pessoa à inadimplência (falta de cumprimento com as parcelas da dívida), estragando a vida dos tomadores ou pegadores de empréstimos. Perceba que a idéia de crédito, é justamente ao contrário, é tão somente, para facilitar as pessoas a adquirirem os bens necessários a uma vida normal.
Cuidado então com os empréstimos ou créditos para consumo. Fique de olho no parcelamento na compra dos bens. Não é adequado comprar um bem em parcelas maiores do que o período de vida útil do bem ou mercadoria adquirida. Uma geladeira que tem uma durabilidade de três a quatro anos, você pode parcelar num prazo mais longo. Roupas por exemplo, o prazo deve ser mais curto, no máximo em duas ou três vezes e alimentação, por sua vez, não é recomendado o parcelamento.
A idéia básica é a de que, na hora em que você for substituir o bem já gasto pelo uso no tempo, você já tenha quitado a compra anterior. Essa é uma prática comum que ajuda o consumidor a eliminar ou dosar o seu endividamento. Às vezes a gente vê pessoas comprando ovos de páscoa em dez vezes. Isso não faz sentido algum. Parcelar alimentação ou combustível, não vem ao caso, é o que normalmente se chama de endividamento negativo.
O parcelamento deve ser direcionado para bens duráveis, para aquela viagem dos sonhos, para a sua educação individual ou para a educação dos filhos. Nestes casos o endividamento pode ser considerado positivo ou salutar.

Pense nisso e boa sorte!

domingo, 13 de maio de 2012

As Novas Regras da Poupança

A partir desta última sexta-feira, 4 de maio, o rendimento da caderneta de poupança será diferente, ou seja, será baseado no SELIC - Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - que é o depositário central dos títulos emitidos pelo Tesouro Nacional e pelo Banco Central do Brasil.
Mais conhecido como taxa SELIC ou taxa básica da economia, este índice de balizamento dos juros será então o indexador da nova caderneta de poupança. Assim, sempre que a taxa SELIC for menor ou igual a 8,5%, o rendimento da caderneta de poupança deixará de ser 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial de Juros (TR) e passará a ser de 70% da SELIC (taxa básica de juros) mais a TR. Essa medida será válida apenas para os montantes aplicados na caderneta de poupança a partir de 4 de maio de 2012.
Nada muda para os depósitos efetuados até 03.05.12. Os saques da poupança podem ser realizados normalmente.
A poupança continua oferecendo os benefícios de sempre: segurança, rentabilidade mensal, isenção de imposto de renda e de IOF, fundo garantidor até 70 mil reais por CPF, livre movimentação na data de aniversário da poupança, para não perder os rendimentos, e não paga taxa de administração.
A caderneta de poupança ainda continua atraente na comparação com fundos de renda fixa e também com CDB.
Por exemplo, um fundo que cobra taxa de administração de 1% a.a. só vai render mais que a poupança se o investidor mantiver o dinheiro aplicado por mais de 6 meses. Se ele sacar antes de 6 meses a alíquota do imposto de renda é bastante alta, de 22,5%, e isso vai tornar a sua aplicação menos rentável do que a poupança.
Nos Fundos DI ou Fundos de Renda Fixa que cobram mais de 2% a. a. de taxa de administração vão perder para a poupança na nova regra.
O investidor deve sempre conferir a taxa de administração cobrada nos seus investimentos de renda fixa e migrar para a poupança se seu banco não lhe oferecer uma rentabilidade líquida, nestes fundos de investimentos, que ganhe da caderneta.
Quanto ao CDB, o ponto de corte é 90% da taxa do CDI para aplicações com prazo inferior a 6 meses. Se seu banco lhe oferecer menos do que isto, prefira a poupança. Se seu banco lhe oferecer mais do que 90% da variação do CDI, fique no CDB.
Quem investe em caderneta de poupança deve prestar atenção à inflação. Ou seja, se a queda da taxa de juros for acompanhada de um controle inflacionário, ninguém perde. A dificuldade vem se o juros caírem e a inflação voltar. Se a inflação voltar, mesmo o investidor que esteja na regra antiga perderá também. Assim, acompanhe sempre as variações da inflação e mantenha as suas aplicações em caderneta de poupança, pois ela é vantajosa para o poupador com pouco recurso ou que esteja iniciando uma acumulação financeira através da poupança. Nestes casos a poupança vai continuar sendo a modalidade de aplicação mais adequada.
Percebam que para as aplicações em poupança vale a data do depósito ou de aniversário, portanto os bancos deverão informar aos poupadores a origem da aplicação, pois em caso de necessidade de resgate, por qualquer razão ou motivo, o investidor deve realizar o resgate na aplicação nova, que tem menor rendimento, desde que a taxa SELIC esteja em 8,5% ou abaixo disto. Não faz sentido resgatar os depósitos na regra antiga que tem uma remuneração maior.
Vale lembrar que para aqueles investidores que tem maior nível de informação financeira, aquele que é mais preparado e que tenha um pouco mais de dinheiro, vão continuar existindo outras modalidades de investimentos como Tesouro Direto ou CDBs que pagam rendimentos maiores do que a poupança.
Na realidade o governo precisava retirar uma armadilha que era a fórmula antiga de cálculo da caderneta de poupança para continuar o processo de redução da taxa de juros, sem gerar uma corrida de aplicações nas cadernetas de poupança em detrimento da rolagem da dívida governamental através dos títulos do governo que perderiam competitividade com a caderneta de poupança.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

A Classe Média Emergente Brasileira

Qual a trajetória da classe média emergente brasileira, que tem se fortalecido nos últimos anos e mostra-se hoje como o principal potencial de consumo do país?
Essa é a mais importante pergunta e a mais interessante resposta para os setores varejistas brasileiros. E quem conseguir melhor entender o perfil e o comportamento desses consumidores, desenvolvendo modelos de negócio direcionados a esse segmento, terá uma vantagem competitiva estrutural importante e rentável dentro desse amplo mercado, que vem crescendo desde 2002.
Apesar do poder de compra, o padrão de vida e a disponibilidade de renda dos consumidores da classe C ainda está bem abaixo da média. Com renda entre R$ 291 e R$ 1.250 mensais por pessoa, esse grupo, entretanto, já é maior que as classes A e B juntas e, portanto, vem apresentado um crescimento mais acelerado, no conjunto das classes sociais.
O principal representante da classe média emergente tem perfil típico. É constituído de mulheres, negras, jovens e otimistas, com perspectivas de estudar mais e serem reconhecidas no mercado de trabalho. O poder de escolha dessa consumidora acontece entre categorias e não mais, necessariamente, por marcas, embora conheça e reconheça também marcas líderes e conhecidas. Assim, 68% desse grupo de consumidores possuem mais estudos que os pais e representam 53% da renda deles.
Essa consumidora modelo procura serviços, dedicando 65% de sua renda mensal a isso - ante 49,5% em 2002. Dentro desse universo, a demanda relacionada-se com energia elétrica, saneamento básico, banda larga, telecomunicações, TV a cabo, serviços de beleza e viagens. Não há mais seleção de categorias nos supermercados. Essa consumidora típica pode comprar qualquer produto, e o que normalmente varia é a quantidade comprada e a freqüência dessa compra, comentam os especialistas.
O principal meio de pagamento é, definitivamente, o cartão de crédito. Essas consumidoras entendem que, fazer poupança e pagar à vista, é uma decisão mais inteligente, mas, ainda cedem à atração de ter na hora o que desejam. Pesquisas mostram que existem 97,4 milhões de cartões de crédito nas mãos desses consumidores, chamados, de classe C.
O comprador típico é jovem - 63% com idade entre 18 e 33 anos - muitas vezes casais que querem se casar. Desses, 43% tem ensino superior e 70% possuem renda de até seis salários mínimos. Os principais critérios de escolha do imóvel são a localização e a segurança. Depois que o imóvel fica pronto, esse consumidor aciona financiamentos, seja pelo programa Minha Casa Minha Vida, seja por refinanciamentos junto aos bancos.
Os estudantes dessa classe média, cada vez mais, mostram interesse em adquirir educação superior através de alternativas de financiamentos. Notem que houve uma mudança significativa de preferência em relação ao perfil anterior, de não mais, por apenas conveniência e preço baixo.
Portanto, a classe C brasileira, forma um grupo de pessoas que ganham menos de 10 salários mínimos por mês, representam 90% da população, é responsável por 79% do consumo local, atinge 69% do mercado de cartões de créditos movimentando mais de R$760 bilhões por ano, e contribuem com 86% do total de internautas no Brasil. São milhões de consumidores com bolso de classe média e cabeça de baixa renda.
Para facilitar o entendimento do que seja a classe C brasileira, setores de pesquisa, sugerem alguns dados, onde você pode identificar-se nele, ou mesmo em certos aspectos, identificar seus amigos e seus vizinhos nele também. Desta forma: Bem vindo ao mundo do carnê, do consórcio, do SPC.
Bem vindos ao mundo do metrô, do “buzão”, do lotação, da CBTU, do “semi-novo zerado”.
Bem vindos ao mundo do vale-refeição, do PF e da marmita.
Bem vindos ao mundo do supletivo, da escola de cabeleireiro e do curso de computação.
Bem vindos ao mundo do celular pré-pago e da mega sena.
Bem vindos ao mundo do trabalho informal, da pensão do INSS, do despertador, para as 5 horas da manhã, e da mobilidade social.
Bem vindos ao mundo do Ratinho, do Raul Gil, de Bruno & Marrone, da Banda Calypso, do Calcinha Preta, do MC Léozinho e das Rádios AMs.
Bem vindos ao mundo do supermercado com a família, da cervejinha gelada, da macarronada com frango, e do financiamento da Caixa.
Bem vindos, então, ao mundo surpreendente da economia da base da pirâmide.
Assim, você agora é conhecedor de como funciona a classe C e de onde vem as causas de tantas coisas estranhas que aparecem repentinamente fazendo sucesso por aí. O que, invariavelmente, pode ser relacionado como evidência ou predominância de uma classe promissora.

domingo, 15 de abril de 2012

Estado Brasileiro focado na Administração Patrimonialista da Idade Média

No mundo medieval europeu não existiam estados nacionais como os de hoje. O território, predominantemente desconhecido e inculto, era dividido entre os aristocratas feudais que, como parte do título de nobreza, recebia dos reis maiores ou dos chefes da Igreja um patrimônio, constituído por grandes parcelas de terra povoada, sobre as quais deveriam exercer seu domínio. Isso significava, entre outras coisas, que os senhores feudais deveriam manter a ordem interna: estabelecer suas leis dentro dos limites do costume feudal e arbitrar conflitos entre as pessoas sob seu domínio, aplicando a justiça e punindo as transgressões conforme melhor julgassem.
Além disso, cada senhor feudal deveria providenciar a defesa de suas fronteiras contra os invasores. Isso era feito precariamente, pois não existiam exércitos permanentes, nem polícia profissional. Com poucas exceções, o máximo que cada um deles tinha era sua guarda pessoal e os defensores das cidades fortificadas, ficando o resto do território à mercê de salteadores, aventureiros e invasores.
Para sustentar-se e à sua corte, financiar suas guerras e remunerar sua guarda pessoal e os membros da corte, o senhor feudal tinha o direito de cobrar tributos das pessoas que viviam em seus territórios. Os membros da corte desempenhavam diversas tarefas. Alguns deles serviam como coletores dos tributos, cobrando o que era devido pelos camponeses e moradores das aldeias. Outros cuidavam das contas do feudo: pagavam o soldo dos guerreiros, efetuavam outros pagamentos, cuidavam do financiamento das expedições militares. Outros eram escribas – cuidavam da correspondência – ou arautos (mensageiros), etc.
Muitas dessas pessoas que compunham a corte do senhor feudal geralmente eram membros de sua família extensa – filhos, primos, tios, sobrinhos, agregados, filhos bastardos, dentre outros, que tinham aprendido a ler, escrever e fazer contas, alguns deles em mosteiros, onde tinham sido preparados para a vida religiosa. Várias dessas pessoas formavam o corpo administrativo da propriedade senhorial e eram ligadas ao senhor feudal por laços de lealdade pessoal e de obediência à autoridade familiar.
Esse modelo político-administrativo deu origem ao primeiro estágio da administração pública, que é a chamada administração patrimonial. Essa apresentava as seguintes características: ausência de limites entre a vida privada e a esfera pública; os bens e recursos extraídos como tributos eram tratados como se fosse propriedade particular, que os chefes e funcionários usavam em seu benefício privado; aquilo que hoje se considera corrupção era um procedimento normal, generalizado, sendo naturalmente aceitável a idéia de que um cargo público era uma via legítima de enriquecer, fazer fortuna; as relações eram baseadas nas lealdades pessoais de compadrio e de clientela, onde o chefe político empregava seus familiares em cargos públicos ou trocava esses cargos por apoio político; não havia noção de carreiras, nem de gerenciamento de recursos humanos, pois a função do quadro administrativo era absorver mão de obra, dar emprego, favorecendo aliados políticos e protegidos dos chefes.
Vale chamar a atenção para o fato de que a formação do Estado moderno significa, em essência, a constituição de uma esfera de autoridade pública. Porém, historicamente, isso não se fez acompanhar pela criação de um modelo de administração próprio. Na realidade, a administração patrimonial consiste em um modelo de administração da esfera privada – família e relações de parentela – que se incorporou à esfera pública em fase de formação.

Pense nisso!