domingo, 25 de maio de 2014

A Força da Marca

Melhor do que inventar um produto que todo mundo use é fabricar um produto que todos usem, o joguem fora e voltem a comprá-lo novamente. O sonho de qualquer empreendedor é ver sua marca virar sinônimo do que fabrica. Poucos, ou melhor, pouquíssimos conseguem em suas melhores noites de sono imaginar que isso possa, de fato, acontecer. Pois não é que “King Camp Gillette” aos 40 anos de idade, viu de sua inquietude por buscar novas soluções para o cotidiano das pessoas se materializar em algo que todos conhecem pelo nome Gillette? Ou você pede ao vendedor “lâminas de barbear” quando vai ao mercado? Muito provável que não.
Essa história de sucesso começou em 1895, quando o norte americano de “Winsconsin” de sobrenome “Gillette” desenvolveu um aparelho de barbear. Sua intenção era criar algo descartável, que ao ser consumido prestando sua utilidade, fosse jogado fora e voltasse a ser objeto compra novamente. Algo que fosse mais prático que a tradicional navalha, instrumento que lhe serviu de inspiração ao nobre inventor.
Cabe explicar: um dia, enquanto afiava uma navalha comum, teve “Gillette” teve a idéia de substituí a navalha por uma fina lâmina de aço com duas extremidades, colocada entre duas chapas e presa no lugar por um cabo em forma de “T”.
“Gillette” enfim, descobriu onde queria chegar. Criou um sistema de barbear durável e que fazia uso de lâminas descartáveis.
No ano de 1901 em Boston (Massachussets),“Gillette” se associou ao engenheiro mecânico William Nickerson e juntos montaram a “Gillette Safety Razor Company” para iniciar a fabricação em larga escala do revolucionário aparelho de barbear. O primeiro lote foi comercializado em 1903. Foram vendidos 51 aparelhos de barbear e 168 lâminas. No ano seguinte, em 1904, o êxito se confirmou. A venda subiu para 90 mil aparelhos e cerca de 12 milhões de lâminas.
Um marco dentro da evolução da empresa foi a estratégia utilizada para quebrar um paradigma da época e distanciar os homens das barbearias e incentivar que a barba fosse feita em casa. Assim, durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), a Gillette enviou aparelhos de barbear aos soldados norte-americanos que estavam em combate, que, com isso, aprenderam a fazer a sua própria barba.
Outra importante ação de marketing aconteceu em 1939 quando a marca passou a figurar em eventos esportivos, o que não deixou de fazer até hoje, o que trouxe simpatia junto ao grande público consumidor.
O exemplo de “King Camp Gillette” ensina a persistir, a apostar na inovação constante, na criatividade, na autoconfiança como forças motrizes da empresa que busca a perenidade. Há muito tempo, a marca “Gillette” se tornou sinônimo de aparelho e lâmina de barbear.
Atualmente os aparelhos de barbear da “Gillette” contemplam um formato mais arrojado com três ou quatro lâminas deslizantes acompanhando a modernidade dos produtos se utilizando das facilidades tecnológicas dos nossos tempos, além de atuar também com produtos complementares na linha de barbeamento.

Fonte: Revista Brasileira de Administração. Ano XXIII. Nº93. 

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Sua gestão é ultrapassada?

Um líder com um estilo de gestão ultrapassada pode prejudicar muito os resultados de uma empresa. Pode desmotivar a equipe e até mesmo perder seus funcionários, assim como causar tantos outros danos empresariais. Porém, antes que a situação chegue ao extremo, alguns sinais de que o líder não está no caminho certo podem ser identificados.
Assim, ter aversão a novas tecnologias talvez seja um sinal óbvio de que o estilo de gestão de uma pessoa pode estar rumando ao fracasso. Atualmente, não dá para ignorar as transformações que o uso de dados e das redes sociais, por exemplo, provocaram na forma de gerenciar empresas e pessoas. Desse modo, se um líder se coloca contra algum novo processo tecnológico, ou fica receoso ou com medo, o sinal já está vermelho. Cuidado! A geração de hoje chamada de "geração Y” simplesmente não suportaria trabalhar com um líder que não tenha habilidade digital.
Não buscar novos conhecimentos é outro ponto claro de que um chefe está ficando para trás. Ou seja, não buscar desenvolvimento, não estudar ou não fazer novos cursos é característica de quem é ou está acomodado  ou, pior, o que se acha o senhor sabe tudo. Um líder nunca estará ultrapassado se estiver constantemente insatisfeito, afirmam especialistas.
Não se preocupar com sustentabilidade é outro sinal gritante. Somente não vivendo neste planeta para não perceber as questões ambientais vigentes. O gestor que só olha para o benefício imediato de suas ações, sem se preocupar com o quanto a decisão que ele toma afeta a natureza ou o ambiente em que ele vive, seja no âmbito social, político ou econômico, está completamente ultrapassado!
Não gostar de dar e, muito menos, de receber “feedback” é outro daqueles sinais que preocupam as novas gerações, pois quem não gosta de receber “feedback” normalmente tem medo de mudanças. O líder que não quer saber o que os outros pensam é porque se sente confortável como está. Não aceita que precisa evoluir em seus comportamentos. Assim, o medo de receber um retorno negativo, muitas vezes, faz com que os chefes não queiram dar “feedbacks” aos seus subordinados.
No passado, o líder falava e os outros não podiam ter reação. Hoje, a noção de autoridade mudou. Ao dar um “feedback”, é preciso estar preparado também para ouvir a outra ponta do processo, explicam os especialistas.
Ficar sempre na defensiva. Ah! Esse é outro sinal, e por que não dizer, outro problema! Normalmente acontece assim: a pessoa ao ser apresentada a algum tipo de problema tem sempre uma justificativa -  e não uma solução -  na ponta da língua. Assim, é o chefe que, em uma reunião, se limita a apresentar o que ele já fez - como quem diz - isso não é comigo – ao contrário de falar o que ele pode fazer para ajudar no caso proposto.
Estar preso à hierarquia é outra situação difícil. É aquele chefe que acha que o seu subordinado deve cumprir uma tarefa só porque ele está mandando e, ao mesmo tempo, o subordinado só faz o que os superiores pedem. Ou seja, ele se prende ao poder coercitivo da hierarquia, o que não é positivo empresarialmente. A liderança, hoje, precisa estar mais próxima das pessoas. Ao invés de tomar decisão de cima para baixo, como no passado, o gestor precisa buscar trabalhar em equipe, gostar de “brainstorms” (chuvas de idéias), de trocar informações, etc.
Outro ponto interessante é não ter uma visão "multicultural", isso é prejudicial. Veja que isto não significa morar em outros países, mas estar disposto a conhecer culturas diferentes e ampliar os conhecimentos. Isto não é também ir para Nova York ou Miami fazer compras. Trata-se de conhecer, por exemplo, o deserto do “Atacama” e entender como aquele povo vive naquelas condições, ou seja, abrir a cabeça para outras realidades.  É preciso que o líder tenha habilidade de atuar globalmente, de entender como outras culturas trabalham. Atualmente, a geografia não é mais um empecilho ao conhecimento. Não é preciso se deslocar para se conhecer novos lugares e povos. Com apenas um clique, você pode vencer as fronteiras do mapa mundi.
Não se interessar por nada além dos negócios, como literatura ou música, também não é saudável. Essas multiplicidades de informações e conhecimentos é que compõem o modelo mental de um líder que agrega, trazendo assim, uma visão ampla das questões, sejam elas artísticas, econômicas, ou culturais, dentre outras. 
Achar que os funcionários estão "descomprometidos" também não é legal. Aquele líder que sempre acha que a sua equipe está descomprometida, deve ficar atento. O problema, na verdade, pode estar com ele. As pessoas sempre estão comprometidas com alguma coisa. Talvez o líder não esteja conseguindo detectar qual é o comprometimento que exista ali.
Segundo especialistas, pode acontecer de o gestor sustentar o imaginário de um modelo de funcionário que não exista mais: aquele que busca, principalmente, segurança no emprego. Hoje, mais do que nunca, as pessoas querem ser reconhecidas e ter potencial de crescimento, querendo ainda se autodesenvolver e expressar as suas opiniões. 
Não ouvir a equipe causa arrepios. O tempo do "manda quem pode, obedece quem tem juízo" já passou. Hoje, o contexto maior é de subjetividade, inovação, criação, empreendedorismo. As pessoas querem expor-se, se colocar. Porém o gestor às vezes pensa somente nos resultados e se esquece que são as pessoas que geram os resultados para todo e qualquer empreendimento.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Inflação Persistente

Em economia consideramos inflação a queda do valor de mercado ou poder de compra do dinheiro. Porém, popularmente a inflação caracteriza-se por refletir o aumento geral dos preços. Já o oposto de inflação, chamamos de deflação a qual se caracteriza pela queda no nível de preços.
Assim, a teoria econômica considera os índices de preços dentro da estabilidade em uma faixa de variação dos preços que vai de 2 a 4,5% ao ano. Coisa que há décadas não acontece no Brasil, o qual tende ao estouro do teto da meta de inflação de 6,5% agora em maio. Ou seja, o índice ultrapassará o altíssimo teto da meta de 6,5%, o que será péssimo para os brasileiros.
Outra distinção é quando analisamos os efeitos internos e externos da inflação. Externamente, a inflação se traduz mais por uma desvalorização da moeda local frente a outras moedas, e internamente ela se exprime mais pelo aumento do volume de dinheiro em circulação e pelo o aumento dos preços.
Um exemplo clássico de inflação foi o aumento de preços no Império Romano, causado pela desvalorização dos “denários” (moeda da época) que, antes confeccionados em ouro puro, passaram a ser fabricados com todo tipo de impurezas. O imperador Diocleciano, ao invés de perceber essa causa, já que a ciência econômica ainda não existia, culpou a avareza dos mercadores pela alta dos preços, promulgando no ano 301 o “Edito Máximo”, que punia com a morte qualquer um que praticasse preços acima dos fixados.
Aqui no Brasil, a medição da inflação é feita através de uma cesta de consumo média da população. Geralmente é realizada uma Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) para determinar a cesta de consumo média dessas famílias. Ou seja, é realizada uma média ponderada das cestas de produtos consumidos por estas mesmas famílias e o índice calcula o gasto com o mesmo consumo em dois períodos diferentes, fazendo com que não ocorra substituição no consumo.
O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) do IBGE é que determina as metas de inflação governamental. O IPCA apura a variação de preços nos bens consumidos por famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos, em nove regiões metropolitanas (Belém, Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo), no Distrito Federal e no município de Goiânia.
A inflação é responsável por diversas distorções na economia de qualquer país.
Assim, na Distribuição de Renda da população os assalariados não têm a mesma capacidade de repassar os aumentos de seus custos, como fazem empresários e governos, ficando seus orçamentos cada vez mais reduzidos até a chegada do próximo reajuste salarial.  
Na Balança de Pagamentos (contabilidade governamental) a inflação interna do país, maior que a inflação externa (mundial), causa encarecimento do produto nacional com relação ao importado o que provoca aumento nas importações e redução nas exportações.
Na Formação de Expectativas diante da imprevisibilidade da economia, o empresariado reduz seus investimentos.
No Mercado de Capitais, causa migração de aplicações monetárias para aplicações em bens como terra, imóveis e títulos governamentais atrelados a inflação.
A inflação causa ainda, a chamada Ilusão Monetária, que seria a interpretação errônea da relação de reajuste do salário nominal (valor em moeda)  com o salário real (poder de compra) gerando por sua vez a percepção equivocada de maior renda, traduzindo em decisões fora da realidade do poder de compra das pessoas, que se julgando às vezes mais ricas, demandam mais bens e serviços equivocadamente.
Os bancos centrais sérios costumam definir a estabilidade de preços como um objetivo primordial de suas políticas, com uma inflação perceptível, mas baixa, como ideal.
Por outro lado, o teto do sistema de metas de inflação brasileiro é um dos mais altos do mundo. Entre 38 países pesquisados pelo site “Central Bank News”, especializado em política monetária, somente três nações (Jamaica, Nigéria e Uganda) têm um sistema que permite que a inflação fique acima de 6,5% – que é o "teto" do sistema vigente no Brasil.
Para 2014 e 2015, a meta central na qual teoricamente o BC estaria mirando ao fixar os juros básicos da economia é de 4,5%. Entretanto, há um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Desse modo, o IPCA pode ficar entre 2,5% e 6,5% sem que a meta seja formalmente descumprida.
No Brasil, apesar de haver uma meta central de 4,5%, a banda é amplamente utilizada. Em 2011, 2012 e 2013, respectivamente, o IPCA somou 6,5% (no teto e limite da banda), 5,84% e 5,91%. Mesmo com a inflação próxima de 6% em 2013, mais perto do teto de 6,5% do que do objetivo central de 4,5%, a presidente Dilma Rousseff ironicamente comemorou a "inflação dentro na meta".
Os sistemas de metas de inflação não são exatamente iguais em todos os países. Grande parte das nações indica apenas a meta central na qual a autoridade monetária do país está mirando ao fixar os juros básicos.
Dos 38 países pesquisados, 20 trabalham com uma "faixa" de acerto para que a meta seja considerada cumprida. Em nenhum deles, porém, a banda de acerto da meta de inflação é tão ampla quanto no Brasil, que é de quatro pontos, ou seja, entre 2,5% e 6,5%. Com isso, há uma "folga maior" para que a meta seja considerada cumprida pelo Banco Central brasileiro, por meio da fixação  dos juros básicos da economia - atualmente em 11% ao ano.
Do ponto de vista do consumidor, a atual escalada de preços, já afeta o orçamento familiar o que exige adaptações por parte desse mesmo consumidor. Assim, colocar os gastos no papel e calcular a inflação doméstica pode ajudar ao consumidor final a não perder o controle de seu orçamento familiar.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

ON ou OFF? De que lado você está?

Não é de hoje que o mundo está mudando cada vez mais rápido. Vivemos numa era onde o que é novo agora pode se tornar obsoleto amanhã.
Uma era onde as grandes transformações acontecem a mais de cem mil kbites por segundo, mesmo enquanto estamos Off.
As mudanças climáticas estão aumentando e prever o futuro ficou quase tão incerto quanto tentar adivinhá-lo. O trânsito está caótico. E chegar primeiro virou mais importante que chegarmos juntos. Não existe mais diálogo. Buzinar virou mais importante que falar. Estamos compartilhando individualidade ao invés de solidariedade.
Vivemos uma era onde 24 horas é pouco para respondermos todos os “e-mails” que recebemos. Nossas redes sociais e nossos amigos agora são virtuais.
Antes, vivíamos conectados à terra, ao mato, ao vento à água. Ou simplesmente às coisas que nos fazem bem. Agora apenas estamos conectados à internet. Será que é essa a evolução da humanidade? Aquilo que nos vai levar adiante?
On ou Off? O que devemos ser? De qual lado devemos estar?
Pedir licença, por favor, falar obrigado, você primeiro, me desculpe, é Off (desconectados, desligados da internet).
Dizer olá ou às vezes não dizer nada, é On (conectados, ligados à internet).
Prazer em reunir amigos, juntar a turma e compartilhar experiências é Off.
Enviar mensagens prontas e curtir fotos de desconhecidos é On.
Jogar bola, andar de skate, conhecer pessoas, se aventurar é Off.
Viver o tempo todo dentro do escritório e não sair do quarto...
On ou Off? De que lado você está?
Esta é uma das poucas respostas que você não vai encontrar. É preciso parar para pensar. Afinal, é muito difícil saber como vai ser o futuro quando você não tem a menor idéia do que está acontecendo no presente.
É hora de reiniciar o seu jeito de olhar o mundo. Que o mundo pode ser igual mais diferente. Não adianta você querer a sustentabilidade sem ser sustentável.
De que lado você está?
O consumo inconsciente pode ser evitado. O que você tem demais muitos ainda nem conhece. O desperdício deve ser combatido!
O colapso econômico do planeta não se resolve com a elevação das suas compras, mas talvez com retorno às suas origens humildes, sinceras, despretensiosas, colaborativas e auto-produtivas.
On ou Off? De que lado você está?
Está passando a hora de se ligar. Plante o bem para colher o bem. O que se planta tem vida. Temos que ficar com o planeta e respirar o mesmo ar. Temos que deixar filhos melhores para termos netos melhores.
Sustentabilidade é isso! Saber se desligar na hora certa e respeitar o meio ambiente. Viver em comunidade e para a comunidade.
As melhores idéias do mundo são as melhores idéias para o mundo!
Lembre-se: não existem flores sem sementes. O mundo está ficando carente de gentileza. A intolerância está gerando intolerância.
Somos capazes de reclamar uns dos outros, mas não somos capazes de responder uma indelicadeza com um sorriso. Se não mudarmos o mundo não muda!
On ou Off? De que lado você está?
O mundo está mudando muito rápido. Ou corremos agora ou iremos correr atrás.
Conecte-se a um novo futuro para o planeta. Nunca deixe que ele desligue.  

Fonte: Deivison Pedroza.

quinta-feira, 27 de março de 2014

A Petrobras já não é a mais a mesma!

Após 11 anos de governo petista, infelizmente a Petrobrás, a maior empresa do Brasil, já não é mais a mesma! Num emaranhado de “companheiros” em cargos chave, absolutamente despreparados e sem fazer coisa alguma e com salários felpudos não poderia dar em outra coisa. Desmandos e desvio da missão primeira da empresa que é a de extrair e comercializar petróleo de qualidade, para agora sair das páginas econômicas de jornais e revistas para ocupar as páginas policiais, com a prisão de um ex-diretor da companhia, com suspeita de pagamentos de propina e compra superfaturada de refinarias no exterior. O que, lamentavelmente, já não é mais novidade neste governo cercado de lamas, vide os acontecimentos com o Sr. Pizzolato, ex-diretor de marketing do Banco do Brasil que ainda deve uma explicação aos acionistas do banco e aos brasileiros de um modo geral.
Em realidade, nenhum país sério usa uma empresa de renome como a Petrobrás para segurar preços de combustíveis para esconder a ineficiência governamental e sucatear a empresa deixando-a, literalmente, no fundo do poço como as empresas petrolíferas da Venezuela de Hugo Chaves e Nicolás Maduro.
A Petrobras já vinha com a imagem arranhada dentro e fora do país, por excesso de interferência política do governo petista na empresa. Assim, suspeitas de compra bilionária de uma refinaria em “Pasadena”, no Texas (EUA) e do suposto suborno para acelerar contratos foram agravadas com a prisão de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da estatal, na operação Lava Jato da Polícia Federal.
Alvo de críticas desde 2006, quando começaram as tratativas com a empresa belga “Astra Oil Company”, a transação voltou à cena com a investigação do Tribunal de Contas da União (TCU) e da Polícia Federal (PF) sobre supostas irregularidades no negócio responsável por causar prejuízo de quase US$ 1 bilhão à companhia brasileira, que incide diretamente no bolso dos brasileiros que é na ponta final quem paga a conta. Lembre-se que dinheiro do tesouro é dinheiro do povo recolhido através dos impostos escorchantes extraído dos brasileiros.
Aprovada por Dilma Rousseff quando a presidente comandava o conselho de administração da estatal, a decisão teria sido embasada em relatório, técnica e juridicamente falho, feito pela diretoria da época, conforme justificativa do Palácio do Planalto e que foi descartada por ex-dirigentes da empresa que reagiram afirmando que havia informações disponíveis suficientes.
Desta forma, investidores que já estavam desconfiados com a intervenção do governo na estatal, ficam ainda mais ressabiados — comentam especialistas.
Para controlar a inflação, o governo freia aumento no preço dos combustíveis, mesmo quando o barril de petróleo se mantém mais alto no Exterior, resultando em problemas de caixa para a empresa.
A intervenção nos preços e problemas na produção da companhia que não avançam, corroeram o valor das ações, chegando ao menor nível desde 2005, R$ 12 por ação a qual já valera R$ 70 por ação. O desequilíbrio no caixa pressiona a dívida da Petrobras que pode ter sua nota de crédito rebaixada, tendo que captar recursos externos com juros mais elevados que o corrente nas praças de crédito.
A crise de caixa da empresa ficou famosa por atrasar o pagamento de contas e o fundo criado para ajudar a desenvolver as cadeias locais de fornecimento não recebeu o dinheiro que lhe era devido. Daí, o alerta de especialistas: pequenas empresas podem falir por isso.
O valor de mercado da companhia está hoje em R$ 179 bilhões, menos da metade de R$ 380 bilhões em 2009 quando o preço do petróleo explodiu e a empresa ainda festejava a descoberta do pré-sal.
Por outro lado, os números da operação da compra da refinaria em “Pasadena” assustam.
A empresa belga “Astra Oil Company” comprou a refinaria em “Pasadena” por US$ 42,5 milhões em 2005. Um ano depois, a Petrobras pagou US$ 360 milhões por metade da unidade, negócio aprovado por Dilma, então presidente do conselho de administração. Em 2007, recebe proposta para comprar tudo. O conselho da estatal veta o negócio. A belga recorre à Justiça americana para obrigar a estatal brasileira a adquirir a outra parte. Em 2012, a Petrobras é obrigada a pagar à “Astra Oil” US$ 820 milhões para comprar os outros 50% da refinaria. A estatal tenta vender a unidade, mas a oferta mais alta que recebe é de US$ 180 milhões.
Em meio a tantas dificuldades, é muito pouco provável que a Petrobras atinja sua própria meta de mais do que dobrar a produção e chegar a 5,7 milhões de barris por dia até 2020, pois os planos estão bem atrasados. O baixo desempenho está fazendo com que o país seja visto com maus olhos. Executivos do setor petrolífero comentam que uma promessa brasileira já não vale nem o papel em que foi escrita. Difícil não?
Atolada neste imbróglio, a Petrobras foi superada pela estatal colombiana “Ecopetrol” e está chegando ao nível da “Pemex”, a grande burocrata que controla o setor mexicano de petróleo e gás.
Para o mercado mundial, a Petrobras ainda não é grande o suficiente para causar um problema no mercado global e os antigos campos de petróleo continuam produzindo. No entanto, esse panorama é uma crescente preocupação para as empresas ocidentais que têm investimentos no Brasil em parceria com a Petrobras, já que essa situação pode ser um elemento significativo em seus portfólios globais, o que traz ainda um panorama problemático para acionistas de fundos corporativos estrangeiros que investem em mercados emergentes e, portanto, detêm ações da Petrobras.

quinta-feira, 20 de março de 2014

A Prestação de Serviços no Vale do Aço

De conversa em conversa, de bate papo em bate papo em rodas de amigos, em filas de banco, dentro de coletivos e em tantos outros lugares a toada é a mesma. Todos comentam: a qualidade da prestação de serviços no Vale do Aço está ruim.
A coisa está difícil na utilização de uma agência bancária, na utilização de prestadoras de serviço de saúde, na contratação de pedreiros e eletricistas, na compra de produtos fabricados na região como de serralheiros e de produtos diversos, assim como na montagem e instalação de qualquer coisa que se precise.
O dia a dia de quem busca uma prestação de serviço na região corre, mais ou menos assim:
Nas agências bancárias e nas prestadoras de serviços de saúde, com alocação para uma quantidade fixa de caixas e atendentes, simplesmente é um caso decorativo, ou seja, a disponibilidade de caixas e atendentes para atendimento ao público em geral é a metade do previsto e muitas das vezes até mesmo, a menos que a metade do previsto, ficando o restante, vazio. O que representa um tremendo desrespeito ao cidadão que na maioria das vezes é cliente destas instituições. Imaginem se não o fossem?
Nos caixas eletrônicos o desrespeito é o mesmo! Existem caixas que não funcionam ou que estão fora do ar quase que continuamente. E a falta de estrutura? A falta de estrutura de um modo geral é ruim e nas prestadoras de saúde é flagrante!
Na hora de se precisar mandar fabricar alguma coisa, aí dói até o calcanhar! As medidas contratadas não conferem, o prazo de entrega deixa a desejar e o retrabalho é inevitável. Não existe um mínimo de diálogo do executor do serviço com o cliente citando o defeito apresentado e buscando saber do cliente se a mercadoria com defeito o atenderia ou não. Predomina, a vontade de entrega da mercadoria fora de especificação gerando desgastes físico-emocionais e custos adicionais para ambas as partes. Incrível isso!
Falta uma noção mínima de qualidade de atendimento ao cliente e de qualidade do produto. Falta um simples exercício de se colocar no lugar do cliente o qual vai utilizar o produto e carregar o problema de uso daquela mercadoria ou daquele serviço mal executado, para sempre. Até que ele cliente, encontre um novo executor que faça o trabalho corretamente, elevando assim os custos financeiros para ele. Haja paciência e recursos adicionais!
E os atendimentos informais que ficam no boca a boca! Novamente se torna difícil. Falta muito respeito ao cliente. O que foi combinado vai pra o espaço, não se cumpre absolutamente nada! No entanto, as desculpas mais esfarrapadas existem em quantidade e de modo diverso, sem que, na realidade, convença qualquer cliente mais atento, prejudicando assim o relacionamento cliente/prestador do serviço. Ou seja, reina a cara de pau!
E tudo isso se estende também a profissionais mais qualificados como médicos, dentistas, advogados dentre outros. Assim, é o médico que não escuta o paciente, o dentista que se descuidou, o advogado que está mais interessado no valor da demanda do que, propriamente, em atender correta e dignamente o seu cliente - e assim vai - um desrespeito total ao cliente/cidadão consumidor!
Prestadores de serviços: procure qualificar os serviços executados. Sempre que receber uma tarefa, avalie as suas próprias condições para executar o serviço. Caso não esteja apto a elaborar o serviço, avise ao contratante, pois é melhor para um profissional recusar um serviço do que realizá-lo de forma ineficiente. O seu nome ou nome de sua empresa estará sempre em jogo, por isso, evite realizar serviços de má qualidade.
Se o seu trabalho é a produção de algum produto, utilize material adequado e de qualidade, dê garantias, faça um trabalho de qualidade superior. Verifique sempre cada procedimento de produção e verifique o detalhamento do produto. Se a tarefa for passada para outro funcionário, fiscalize cada procedimento para que o serviço fique de acordo com as expectativas do seu cliente.

Quando for determinado o prazo para a entrega de um produto ou execução de um serviço, cumpra rigorosamente o combinado para que o cliente possa criar confiança em seu serviço. É comum acontecer imprevistos, quando isso acontecer, o profissional deve entrar imediatamente em contato com o cliente relatando o ocorrido. 
Quando o profissional for contratado para prestar serviços fixos a um determinado cliente, a qualidade deve ser sempre vista como um diferencial, pois o cliente avaliará sempre o desempenho do contratado em relação às necessidades e exigências da tarefa a ser executada.
Busque a excelência e a ética e os resultados virão, além disso, tenha sempre foco no cliente. Amém! 

domingo, 16 de março de 2014

Aprender a democracia e aprender com a democracia

Este é um ano eleitoral no Brasil e mais uma vez somos convidados a exercer o dever cívico do voto, a expressão máxima da nossa cidadania. Entretanto a cada eleição torna-se mais evidente a fragilidade de nosso sistema político, dada a nossa reduzida tradição democrática.
Historicamente muito já se discutiu e ainda se discute sobre a forma de governo que melhor represente o indivíduo e suas garantias como ser indivisível que é. O século XIX deu grandes contribuições para essa discussão, alimentado pelos ideais da Revolução Francesa que ainda ferviam na Europa, sobretudo na França pós-napoleônica. Naquela ocasião surgiram diversas correntes de pensamento para a reorganização política da Europa que envolviam desde os cetros mais conservadores da sociedade àqueles mais progressistas. O liberalismo, inspirado principalmente na teoria da separação dos poderes de Montesquieu representa o nascimento dos ideais constitucionais dos direitos civis. A evolução desse pensamento igualitário dá origem ao movimento democrático, que propõe a difícil passagem da igualdade formal à uma igualdade substantiva, efetiva. A partir desse momento a noção de igualdade supera o campo jurídico e alcança o campo político em que o Estado exerce um papel fundamental no sentido de garantir o funcionamento de instituições e organismos que reduzam as desigualdades e promovam o equilíbrio social.
A fragilidade democrática do Brasil está ligada, sobretudo, a dois grandes fatores: ao legado colonial e à trajetória republicana conturbada em períodos ditatoriais. O Brasil ainda ressente fortemente à estrutura econômica e social do período colonial que se manteve praticamente inalterada por várias décadas. A transição econômica - cana de açúcar-café-indústria - em pouco mudou o centro do poder no Brasil, apenas o transferiu regionalmente do Nordeste para o Sudeste, mas as elites permanecem as mesmas. A atual situação da raça negra no Brasil é um claro exemplo disso e a escravidão parece ter somente mudado de nome.
Os nossos tempos republicanos não foram diferentes. A República Oligárquica que vigorou na primeira metade do século XX deu lugar à República Ditatorial iniciada em 1964 com o golpe militar, que foi posteriormente transformada na atual República. Mas a República Real, como queriam os democratas no século XIX nunca existiu no Brasil exatamente porque requer a total democratização das estruturas econômica, política e social do Estado enfim, tudo o que as elites políticas atuais não querem.
Somente em dois breves momentos históricos o Brasil experimentou uma maior democratização. O primeiro inicia-se com a deposição de Getúlio Vargas, que pôs fim ao período ditatorial da chamada “Era Vargas” em 1945, estendendo-se até o golpe de 1964 – é a chamada Segunda República. O segundo momento inicia-se com o processo de redemocratização do país que pôs fim ao Regime Militar em 1985 e dura até os nossos dias. Essa interrupção do processo democrático brasileiro em mais de 20 anos atrasou o amadurecimento político do país, das instituições e do próprio povo, marcando profundamente esses 35 anos de democracia.
A política atual está fortemente condicionada por essa fragilidade democrática. Contrariando o estigma e o estereótipo de união do povo brasileiro – que parece estar mais ligado ao futebol ou nem mais a isso. A sociedade civil brasileira é pouco organizada, pouco unida. Este paradoxo constitui ao mesmo tempo um fenômeno. Embora o brasileiro tenha, em média, uma vida pessoal bem organizada, seu grau de mobilização ante as ameaças eminentes é muito inferior se comparado ao de países como Estados Unidos, França e Alemanha ou até mesmo como Chile e Argentina. Talvez pelo próprio fato de sermos realmente alegres ou de nunca termos passado por experiências extremas como as guerras. Entretanto, na nossa história há pelo menos dois exemplos de grande mobilização social entorno de campanhas cívicas. Um deles é sem dúvida o abolicionismo, que envolveu todos os setores da sociedade colonial. O outro exemplo foi o movimento das Diretas Já. Se não é demais, podemos citar também o projeto social criado por Betinho, Natal sem Fome, que mobilizou multidões explorando uma tradição solidária e humanitária intrínseca do povo brasileiro. O problema é que esses movimentos surgem rapidamente como uma solução em situações insustentáveis, mas que se desaparecem imediatamente porque não são acompanhadas pela criação de instituições que os sustente, ou seja, não são capazes de gerar uma forma política estável. Em sociedades mais democráticas surgiria, entorno de movimentos semelhantes, uma rede de organizações e instituições sólidas que lhes garantiriam a continuidade. Em sociedades em que o Estado não fosse tão paternalista quanto o nosso.
Na realidade, o brasileiro age de forma descompromissada devido principalmente a pouca consciência política. O fato é que não temos consciência nem mesmo de nossos direitos civis e assim nossa democracia está quase que condenada.
Por outro lado, em sociedades com democracia consolidada, o povo tem orgulho de viver em um país que garante a sua liberdade e seus direitos ao contrário do Brasil onde todos os dias os moradores de favelas têm inúmeros direitos civis desrespeitados como a liberdade de expressão, o direito de ir e vir, a inviolabilidade do lar e até mesmo o direito à vida.