domingo, 12 de abril de 2015

O mercado de trabalho

Não será em 2015 que a economia brasileira irá se recuperar do mau desempenho dos últimos anos.
Dados do IBGE mostram um crescimento ridículo de 0,1% do PIB em 2014, mostrando-nos que a economia brasileira não andou no ano passado o que, invariavelmente, reflete em desaceleração econômica e, por isso, já provoca queda nas contratações e começam a acontecer demissões na indústria e na construção civil.
A previsão é que o mercado de trabalho fique estagnado neste ano, com a taxa de desemprego na casa de 7,1%, acima da média da América Latina (6,8%), segundo estimativa da Organização Internacional do Trabalho (OIT). 
Assim, o ritmo da economia contrasta com o desejo do brasileiro de mudar de emprego em busca de mais satisfação ou valorização profissional.
De acordo com pesquisas setoriais com 8.500 profissionais de nível superior, 79,17% dos entrevistados disseram almejar uma nova oportunidade neste ano — ante 76,7% na edição anterior do levantamento; e 67,7% dos entrevistados disseram ter planos de buscar uma nova vaga em 2015, mesmo que haja incertezas no ar, considerando abrir mão de lugares onde se sentem estagnados, contrapondo a uma postura mais austera das empresas. Assim, aquelas que não pretendem aumentar o quadro de trabalho eram 39% no começo de 2014, ante 44% agora em 2015.
Dai aqueles que forem tentar uma nova vaga deve se preparar para uma maior concorrência, pois quando a economia está estagnada, as empresas fazem uma seleção mais criteriosa, que se alonga e envolve mais candidatos à vaga.  
Alguns profissionais poderão ter mais chances. É o caso dos cargos técnicos e gerenciais, considerados importantes para obter maior eficiência e produtividade num ano de recursos mais magros.
Num cenário como o atual as competências valorizadas pelas corporações se alteram. Em momentos de crise, o que os empregadores mais valorizam é a capaci­dade de adaptação do profissional. Assim o candidato precisará demonstrar ter muita energia, pois será um ano que vai exigir muito do aspecto físico, do aspecto mental e da capacidade emocional dos profissionais, pois precisarão mostrar resultados. É preciso saber se comunicar bem, trabalhar em equipe e considerar um desempenho multidisciplinar.
Os candidatos não devem contar com aumentos de salário substanciais se quiserem migrar para outras empresas. De um modo geral, as transições estão ocorrendo com um incremento salarial de 10%, afirmam especialistas.
Já nos níveis executivos, as empresas têm tentado contrabalançar a proposta salarial que resulta em crescimento das despesas fixas na folha de pagamentos com benefícios e bônus atrelados aos resultados. Na composição do pacote de ganhos anual, 50%, tem sido através de remuneração variável, tendência que deve manter-se. 
Especialistas aconselham, portanto, que o salário não deva ser o principal motivo para a busca de um novo trabalho. O candidato deverá avaliar se o novo emprego agrega experiência para a sua carreira e se a empresa para onde deseja ir tem condições de crescer e permanecer no mercado.
Sucesso!

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Um pouco de economia

As economias desenvolvidas e aquelas com um grau maior de organização interna tendem a preparar e desenvolver indicadores econômicos que representam o curso da atividade futura do país.
Assim, os principais indicadores que registram tais fatos dentro de uma economia correspondem às vendas de varejo que é usada para designar os setores de comércio que vendem diretamente para os consumidores finais onde os principais varejistas são os Supermercados e Hipermercados, Farmácias, Concessionárias de Veículos, Lojas de Vestuários, Lojas de Materiais de Construção, Lojas de Móveis e Decoração, Postos de Gasolina, Lojas de Eletroeletrônicos, dentre outros.
Outro indicador importante é a produção industrial que aqui no Brasil é caracterizada por ser relativamente diversificada, porém imatura no sentido de estar se especializando em setores intensivos em recursos naturais e com pouco avanço em direção ao fortalecimento de cadeias produtivas com produtos de maior conteúdo tecnológico. Isso sugere que, se esta tendência não for revertida, a contribuição da indústria para o crescimento da economia deve, inevitavelmente, se reduzir no futuro próximo, reduzindo o potencial de crescimento da economia como um todo.
Cabe lembrar que mais de setenta por cento da produção industrial brasileira encontra-se na região sudeste, representando cinquenta por cento da produção nacional, tendo como responsável um único estado: São Paulo, que concentra quarenta por cento dos estabelecimentos industriais país.
A construção civil também merece destaque nesta análise, pois, engloba a confecção de obras como casas, edifícios, pontes, barragens, fundações de máquinas, estradas, aeroportos e outras bases da infra-estrutura, onde participam arquitetos e engenheiros civis em colaboração com técnicos de outras disciplinas complementares.
Importante também no diagnóstico futuro da economia é a atividade financeira que engloba os processos relacionados com a gestão dos recursos públicos e privados, o nível de dinheiro em circulação em uma economia, o crédito, os títulos, as ações e as obrigações pertencentes ao estado, às empresas e aos indivíduos. E que num sentido mais amplo, engloba todo o setor financeiro nacional e internacional que nos revelam para onde está indo a economia.
Já os indicadores secundários aqueles que nos mostram onde a economia está tem como principal componente as estatísticas relacionadas ao índice de desemprego.
Assim, o desemprego depende do nível de atividade econômica do país onde a oferta de emprego está ligada ao sistema econômico vigente e ao que ele produz, assim como ao grau de tecnologia empregada no ambiente econômico e que guarda conexão com a política econômica governamental e empresarial estabelecida e, principalmente, com a preparação e qualificação da mão de obra que é colocada no mercado pelo sistema de ensino existente, o que deságua invariavelmente na ociosidade involuntária ou não, do contingente populacional que é a força de trabalho que deveria estar ativa em uma sociedade que poderíamos chamar de moderna.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Brava gente brasileira

Dia 15 de março de 2015 ficará para sempre na história do povo brasileiro.
Numa demonstração cívica e democrática milhares de pessoas no Brasil inteiro marcharam contra todo o atual estado de coisas que estão acontecendo na política e na economia brasileira.
A indignação tomou conta do povo brasileiro que está de “saco cheio” e não agüenta mais tantos desmandos, tanta desfaçatez e tanta corrupção.
Nada mais justo que as pessoas honestas que trabalham e carregam este país nas costas todos os dias virem às Ruas e pedir um basta a esse governo que está na contra mão do que desejam os brasileiros. Mas, o que querem os brasileiros? Os brasileiros não querem muito querem apenas o fim de um “governo” que já nasceu natimorto diante de tanta incompetência, inverdades, corrupção desvairada e que traz em seu bojo um plano de poder insensato com a intenção de implantar um sistema político que foi varrido da face da terra que é o “comunismo”, e que aqui na América Latina vem disfarçado com o nome de “Bolivarianismo” presente insanamente na Venezuela.
As mentiras é outra marca presente nestes doze anos do Partido dos Trabalhadores no poder. Partido esse que traz consigo um viés ditatorial e popularesco, baseado no que temos de pior no ceio da sociedade brasileira que é o sindicalismo de estado que é a incompetência e o parasitismo do sindicalismo no poder apenas com a intenção de servir-se do próprio estado.
A sociedade brasileira não precisa disto, ela tem competência suficiente para se desligar-se deste traste que não nos levou e não nos levará a lugar algum.
Assim, um partido que nem sequer assinou a atual Constituição Brasileira (por ser antidemocrático em suas origens) traz agora nos momentos de cansaço do povo abrasileiro com tudo o que vem acontecendo, um mantra em defesa da Democracia que, contraditoriamente, em seu dia a dia só fez enterrá-la.
Por outro lado o povo ordeiro fora de suas casas e das redes sociais deu a lição aos apátridas trazendo vida e alegria às ruas brasileiras, numa demonstração de amor ao seu país, e deixando o seu recado que está ligada aos acontecimentos e aos personagens destes acontecimentos nefastos à nação e que não aceitará mais tantos desmandos, que tem na corrupção a sua marca maior.
E nesse ínterim o impeachment ou renúncia da atual presidente é uma condição “sine qua non” para que o Brasil siga adiante.
Cabe pensar sim em uma reforma política séria onde deva entrar em pauta o sistema Parlamentarista onde permanece o presidente e cai o primeiro ministro e todo o seu gabinete em caso de crises como a que estamos presenciando por aqui.
Saldemos, porém, a brava gente brasileira que estiveram às ruas no país inteiro! E que as ruas seja o caminho para quantas vezes for necessário dizer basta aos lamentáveis políticos de plantão. Amém!

domingo, 15 de março de 2015

Momento Político Brasileiro

O país tem sido atualmente, refém da mentira e da dissimulação política. Sem qualquer escrúpulo, os cidadãos são abertamente ludibriados, fazendo da nossa frágil democracia uma luta rasteira em favor de um projeto hegemônico de poder. Não se respeita a ética; não há moral; não há lei. Nesse ambiente vergonhoso o crime passa a ser politicamente aceitável, o que transforma larápios em heróis de uma causa corrupta.
Assim, procurando uma espécie de absolvição, setores da sociedade gostam de dizer, com ares de superioridade, que os políticos não os representam, como se o Brasil não fosse uno e indivisível.
É preciso abandonar o comodismo inerte e a indiferença estanque e verificar que é preciso participar do que ocorre no país, começando pela sua cidade, pelo seu condomínio, pois, enquanto perdurar a inação dos bons, o governo dos maus será uma continuidade permanente.
Objetivamente, estamos vivendo uma espécie de “totalitarismo eleitoral”: um sistema de usurpação da soberania popular, de comercialização dos partidos políticos, de financiamento criminoso de campanhas políticas com ostensiva oficialização da mentira, onde o voto é transformado em instrumento de consagração de corruptos, corruptores e estadistas de bordel.
Temos um mecanismo de falseamento doloso da democracia, de aberta “deslegitimação” das urnas e flagrante manipulação da vontade eleitoral.
Os partidos políticos se transformaram em fúteis empresas eleitorais, e ao invés de políticos, passaram a produzir apenas rasos mercadores do poder.
O Brasil está à venda; basta conhecer as pessoas certas e pagar a comissão de intermediação. Os outrora ferozes críticos da privatização aceitam hoje qualquer negócio e nos contratos bilionários, é só cobrar por dentro e receber por fora.
A mídia, frequentemente chamada de golpista tentará estragar a festa. Porém muitas delas são dependentes dos contratos de publicidade de empresas estatais, convertendo-se em auxiliares midiáticos dos partidos sem caráter.
O burocratismo, como modelo de administração marcado por excessiva burocracia, como se viu na antiga União Soviética, tornou-se por aqui, instituição permanente.
Desta forma, o Brasil ostenta a pouco lisonjeira condição de ser o único país em que cada ente federativo tem cadastro fiscal próprio. Assim, o contribuinte se obriga à inscrição nos cadastros da União, dos Estados e dos municípios, reproduzindo basicamente as mesmas informações. O que provoca pura perda de tempo e de dinheiro.
Sem que exista justificação plausível, o brasileiro é identificado por vários números de inscrição (carteira de identidade, carteira de motorista, título eleitoral, título de reservista, CPF, SUS, PIS/Pasep, e vai por aí afora. Nesta toada, as certidões negativas têm merecido destaque. O curioso é que, com referência ao passado, as certidões têm validade para o futuro (seis meses).
Assim, a sociedade brasileira está vivendo um momento de decepção e indignação ante as denuncias envolvendo os partidos políticos, deputados federais e mesmo membros do poder executivo ante as denúncias que se sucedem como um vendaval sem fim.
A reação da sociedade é de indignação, o que por outro lado, é preciso lembrar sempre, que vivemos em sociedade e, por conseguinte, todos os nossos atos são políticos, quer por ação, quer por omissão.
Como bem salientou Bertold Brecht (1898 – 1956): o pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não houve, não fala, não participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio, depende das decisões políticas. O analfabeto político é tão ignorante que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe que de sua ignorância, nascem prostitutas, o menor abandonado, o assaltante e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pilantra, corrupto e explorador das pessoas, das empresas nacionais e mesmo das empresas multinacionais. 

terça-feira, 3 de março de 2015

A bolha do carbono

O mundo pode estar caminhando para uma grande crise econômica na medida em que os mercados de ações inflam uma bolha de investimento em combustíveis fósseis da ordem de trilhões de dólares, de acordo com pesquisas mundiais.
Segundo “Nicholas Stern”, professor da London School of Economics, o risco é grande de fato, pois a última crise financeira mostrou o que acontece quando os riscos se acumulam e se tornam despercebidos.
Assim, a chamada "bolha do carbono" é o resultado de um excesso de valorização das reservas de petróleo, carvão e gás nas mãos de empresas de combustíveis fósseis. De acordo com um relatório publicado recentemente, pelo menos dois terços dessas reservas terá que permanecer sob o solo se o mundo quiser alcançar as metas existentes, acordadas internacionalmente, para evitar o limiar de mudanças climáticas catastróficas no planeta. Se os acordos se mantiverem, essas reservas, de fato, não poderão ser queimadas e serão inúteis - levando a perdas financeiras maciças. Entretanto, os mercados de ações estão apostando na inação dos países em relação às mudanças climáticas.
O duro relatório foi realizado por “Nicholas Stern e o centro Carbon Tracker” e suas advertências são apoiadas por organizações como HSBC, Citi Bank, Standard and Poors, Agência Internacional de Energia e Banco da Inglaterra, os quais reconheceram, em que à medida que as nações combatam o aquecimento global pode haver um colapso do valor dos ativos de petróleo, gás e carvão trazendo um potencial de risco sistêmico para as economias mundiais, com o sistema financeiro de Londres, particularmente, sob risco cruzado devido às suas enormes posições em carvão.
Longe de reduzir os esforços para desenvolver combustíveis fósseis, segundo “Stern”, as 200 maiores empresas gastaram 674 bilhões de dólares em 2012 para encontrar e explorar ainda mais novos recursos fósseis, um montante equivalente a 1% do PIB global, que pode acabar como ativos “encalhados" ou sem valor.
O primeiro relatório de “Stern”, de 2006, sobre o impacto econômico das mudanças climáticas - encomendado pelo então ministro das finanças britânico, Gordon Brown - concluiu que o gasto de 1% do PIB em combustíveis fósseis pagaria os processos de transição para uma economia limpa e sustentável.
Os governos do mundo concordaram em limitar o aumento da temperatura global a 2 graus Celsius, além do qual os impactos climáticos podem se tornar graves e imprevisíveis. Mas “Stern” comenta que os investidores claramente não acreditam que ações para frear as mudanças climáticas serão tomadas. "Eles não podem acreditar nisso e ao mesmo tempo acreditar que os mercados estão, agora, valorizados demais".
Outra fonte importante da bolha de carbono é a visão centrada no curto prazo dos mercados financeiros que somente acreditam na regulação ambiental quando puderem vê-la em prática.
Analogamente analistas dizem que você deve ficar no trem até pouco antes dele cair do penhasco. Por outro lado, cada pessoa pensa que é inteligente o suficiente para escapar a tempo, mas nem todos poderão passar pela porta ao mesmo tempo. Essa é a causa de bolhas e colapsos.
Assim, a ameaça de uma perda de valor contábil do setor de carbono tem características inconfundíveis e imensuráveis.
O relatório calcula ainda, que as reservas mundiais de combustíveis fósseis equivalem a 2,86 bilhões de toneladas de dióxido de carbono, mas que apenas 31% poderiam ser queimadas para manter uma chance de 80% do aumento da temperatura terrestre não exceder 2 graus Celsius. Para essa chance ficar em 50%, apenas 38% das reservas de combustível fóssil pode ser queimadas.
Com precaução as agências de risco já expressaram suas preocupações e a “Standard and Poor” concluiu que o risco poderia levar ao rebaixamento dos “ratings de crédito” de empresas de petróleo de todo o mundo em poucos anos.

Fonte: The Guardian.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Tempestade Perfeita

Como se não bastasse os erros de gerenciamento do Brasil nos últimos 12 anos, agora é o cenário internacional que também preocupa.
A queda abrupta dos preços do petróleo está abalando o mundo. Os principais países a sofrer as conseqüências imediatas são Rússia e Venezuela, que estão numa situação extremamente delicada devido à dependência de comercialização desta commodity (petróleo), o que por aqui, tende a inviabilizar o pré-sal, desenvolvido a um preço de US$ 90 o barril contra um preço atual de US$ 46.
Embora as economias emergentes estejam muito diferentes hoje do que estavam na crise do petróleo de 1998, quando estavam bem mais endividadas, esses países sofrerão o impacto em suas economias. O Brasil, embora ainda com um nível de reservas internacionais maiores do que no passado e com nosso câmbio flutuante, rasteja em cima da má gestão pública do decadente populismo petista. Este é o grande entrave.
Estamos todos preocupados com o cenário brasileiro para 2015 e 2016: economistas, empresários, investidores e, como não poderia deixar de ser, o público em geral, que descobre envergonhado que, em realidade, não se está e nunca se esteve no país das maravilhas vendido e propalado pelo populismo barato.
Temos um cenário de tempestade perfeita pela frente. De um lado, uma economia com crescimento nulo, inflação alta, uma situação fiscal difícil com déficit estratosférico. Por outro, uma realidade desagradável, gastou-se o que tínhamos e o que não tínhamos em nome da Copa das Copas e das eleições e de brinde acrescente-se todo o escândalo de corrupção que afeta as atividades econômicas e políticas, diminuindo os investimentos no país.
Assim, a queda no preço do petróleo internacional força a Petrobrás a repensar o seu negócio, com decisões empresariais importantes que exigirá da empresa uma tomada de decisões estratégicas, difíceis de serem pensadas em momento de tanta turbulência em meio às denúncias de corrupção.  Fica a pergunta: será que a companhia está em condições, neste momento, de tomar tais decisões? Baseando-se na demonstração do balanço do terceiro trimestre do ano passado o qual a Petrobrás não incluiu o rombo de US$ 88 bilhões da corrupção e da desativação de investimentos mal planejados, verificamos que não!
A empresa parece querer jogar para debaixo do tapete a roubalheira, que não será engolida por aqui e nem mesmo pelos investidores internacionais que muito provavelmente jogarão o preço da estatal no chão para adquiri-la em lotes vultosos de ações, numa privatização às avessas do maior patrimônio do país. De sobra, teremos que acompanhar o que os Estados Unidos farão com os seus juros básicos, provavelmente aumentarão em virtude do melhor desempenho da economia do Tio Sam, o que atrairá para lá investimentos do mundo inteiro secando as fontes de dólar barato para os emergentes, tornando a captação de recursos ainda mais cara.
A Petrobrás, por sua vez, enfrenta dois desafios ao mesmo tempo. De um lado, as denúncias de corrupção e os impactos que elas podem ter, inclusive na SEC (Securities and Exchange Comission) dos Estados Unidos. Por outro, o preço do principal produto, o petróleo, caiu pela metade e isso requer decisões estratégicas na empresa.
Por aqui pode haver uma retração brusca do nível de atividade da economia o que atingiria a arrecadação pública com impacto crescente nas contas governamentais já tão combalidas com os episódios sabidos.
Assim, sem crescimento e sem arrecadação fica muito difícil bancar os superávits desejados. Então, se tivermos uma retração forte do PIB (Produto Interno Bruto), a situação fiscal deve se contrair e piorar ainda mais a situação que já não é das melhores.
Por outro lado, o Brasil apresenta um déficit de R$ 1 trilhão no setor de infra-estrutura, os quais grandes fundos soberanos e de investidores de longo prazo internacionais indicam interesse em investir. A preocupação dos investidores internacionais é, em até que ponto um cenário de tempestade perfeita pode inibir o potencial desse investidor de longo prazo em 2015, respingando em 2016?
O capital estrangeiro de curto prazo, arisco ao risco, já bateu azas. Já o capital de longo prazo tende a esperar os resultados da busca de credibilidade da economia brasileira combalida na gestão Guido Mantega, o que refletiu nas atividades do mercado de capitais brasileiro em 2014, que contabilizou o pior ano, desde os últimos dez anos, superando até os anos da crise de 2008/2009.
Assim uma tempestade perfeita fica por conta da soma de dificuldades internas - economia estagnada, inflação alta, situação fiscal difícil e denúncias de corrupção - com incertezas externas vindas da queda do preço do petróleo e da expectativa de alta dos juros nos Estados Unidos.
Quem viver, verá!

O Vale do Aço está ficando ilhado!

Em viagem via automóvel no trajeto Ipatinga/São Paulo, nesta última semana, apenas me certifiquei do que todos já sabemos! O estado das estradas paulistas é excelente, exemplares, eu diria, enquanto a BR 381, de responsabilidade do Governo Federal, entre Ipatinga a Belo Horizonte é, simplesmente, uma lástima.
Apesar das frustrações anteriores, a fantasia da “duplicação da BR-381” na pré-campanha eleitoral ainda cabalou votos para a reeleição de um governo desastroso.
O estado da rodovia, se é que podemos chamá-la assim, é tão ruim, tão lastimável que me dei conta de que, quando funcionário da Usiminas, nos anos setentas, podíamos viajar nos fins de semana para as nossas cidades de origem pela Rio-Bahia, sem maiores transtornos. A mencionada rodovia, construída por Juscelino Kubstchek de Oliveira nos anos cinquentas, já abrigava um fluxo intenso de caminhões pesados e que transportavam a produção brasileira proveniente do Sul e, Sudeste para o Norte do país.
A dificuldade da época era o trecho de Ipatinga até a rodovia no município e Caratinga, que há muito merece também uma duplicação, dada a importância de nossa região. No entanto, estranhamente, ninguém comenta sobre isto, principalmente os “dispensáveis” políticos de plantão que, infelizmente, apenas enxergam o próprio umbigo.
Já a “Rio-Bahia” com mais de 25 anos de uso à época, era super conservada com toda a sinalização pertinente a uma estrada que poderíamos chamar de decente.
Mas, o que é sinalização pertinente perguntaria o usuário da BR-381?
Simples, basta reler os manuais de sinalização rodoviária, aqueles que a gente estudou para tirar a Carteira de Habilitação, e para os mais jovens, o “google” tem todas as informações. Ou seja, uma estrada com sinalização pertinente é aquela que contém todas as faixas no centro da estrada, onde se vê aquelas faixas picotadas onde se permite ultrapassagens. As faixas duplas, onde se deve estar atento e não fazer ultrapassagens perigosas como se faz hoje os “espertinhos do volante” para não dizer outra coisa. As faixas brancas nas laterais da pista são o direcionador do limite de trafego para o motorista. E ainda existiam os chamados “olhos de gato e os percevejos” que sinalizam para um trafego noturno seguro e facilitavam o tráfico nos dias chuvosos. Deparávamos ainda, nos pontos chaves da rodovia, com os guardas rodoviários monitorando a rodovia. E posso lhes dizer com tranqüilidade, numa extensão de quase 500 quilômetros, raramente se via acidentes envolvendo transeuntes.
É bem verdade que na “Rio-Bahia” não existia acostamento o que para hoje é inaceitável, porém pouco a pouco, isto foi sendo equacionado, não com muita demora como nos dias de hoje. Daí se poderia trafegar na rodovia a qualquer horário do dia ou da noite, com chuva ou sem chuva, bastava o piloto programar a sua viagem e seguir a diante.
A qualidade da “Rio-Bahia” acontecia em toda a sua extensão de, aproximadamente, 4.380 quilômetros, contra um trecho traiçoeiro de apenas 220 quilômetros entre Ipatinga a Belo Horizonte. Como diria um apresentador chato da “Rede Globo” aos domingos, “é brincadeira”, não?
Já na BR-381, o motorista precisa descobrir onde está a pista o tempo todo, pois, simplesmente, não existem faixas adequadas de orientação de tráfego. Quando chove, a pista, inesperadamente, desaparece de seu foco de visão pela falta de sinalização pertinente.
Saliências e asfalto danificado encontram-se em abundancia. Curvas aos montes. Quando acaba uma começa a próxima. Os acostamentos! ah! os acostamentos! Esses, o motorista não os pode utilizar, principalmente, no trafego noturno, pois não se sabe, com segurança, onde eles começam e onde eles terminam produzindo uma tremenda insegurança tanto para os caminhoneiros quanto para os motoristas de veículos particulares que desejam trafegar mais moderadamente ou com mais segurança de uso da estrada. O acostamento, que tem por finalidade principal a parada emergencial, é também utilizado, com reservas para facilitar as ultrapassagens de trafego dos “espertinhos do volante” que não respeitam as limitações e a precariedade da estrada, principalmente, no trafico noturno e no tráfego noturno em dias chuvosos.
Passei por essa triste experiência na última semana e ao chegar num local decente para uma parada completa, aquela que atende plenamente aos anseios de higiene para ambos os sexos, senti a indignação de quem se depara com os altos preços praticados pelas casas de atendimento.
Como ficamos mais de cinco horas na pista, pessoas com destino de viagem mais longas estavam perdidas e assustadas com os gastos elevados com os combustíveis que cresceram assustadoramente e ainda como iriam passar a noite, já que não estava previsto todo esse tempo de viagem, muitos com cães e gatos de estimação à procura de um abrigo que pudesse acolher, razoavelmente, humanos e felinos sem estourar o cartão de crédito. Incrível não?
Interessante é que, ao retornar a Ipatinga percebi o mesmo desleixo com o asfalto, em boa parte pelo “inovador” piso colocado pelo Dnit no lugar do antigo que estava em boas condições na BR 458, mas foi trocado em ano eleitoral por razões bastante conhecidas... Assim, não é de estranhar que o Vale do Aço está ficando ilhado e muitas pessoas estão evitando vir por aqui, pois os riscos e as dificuldades não compensam!
Escoar a produção da região é outro “calo” preocupante, com custos elevados e todas as dificuldades de tráfego.
No entanto, o mais incrível, é identificar como muitos brasileiros estão erroneamente se acostumando com todo esse estado de penúria produzido pelo desgoverno central do país. Apesar da insatisfação pela obrigatoriedade de trabalhar para pagar os impostos ao seu sócio majoritário, chamado “governo central” assiste passivamente a vaca indo para o brejo.