Lidamos com a política o tempo
todo, todos os dias, embora não pareça. Nos jornais, na internet, nas
discussões de trabalho, nos descasos dos serviços públicos e
essencialmente na hora de pagar os impostos.
Mesmo que não gostemos, não
entendamos, que não tenhamos o devido interesse, que não compartilhemos
qualquer conteúdo ligado a ela, não temos como escapar de suas garras.
Num país como o nosso, tão
calejado pela idéia da qual a política é um ente de transformação saudável para
a sociedade, não raramente nos decepcionamos, nos indignamos e nos sentimos
agredidos com o descaso e o despreparo dos homens públicos, especialmente
quando esperamos que a resposta para nossos problemas mais imediatos, enquanto
sociedade esteja nos partidos políticos, nos políticos, nos regulamentos
da organização política e no governo.
Assim, passa ano, entra ano, nos
deparamos com obras que nunca chegam, nunca terminam, outras nem começam, melhorias
que não acontecem, pouco avançam, a educação que não progride, a saúde que é um
caos, a segurança que é insegura. Porém, a realidade é dura no dinheiro que
muito some na lama da corrupção deslavada.
Daí as esquisitices
brasileiríssimas.
Parece inacreditável imaginar, mas Paulo
Maluf, político paulista, um dos mais corruptos do país já recebeu da população
paulista e brasileira quase 50 milhões de votos em sua carreira política.
Segundo dados divulgados pelo Pnud (Programa das Nações
Unidas para o Desenvolvimento), nossos políticos desviam por ano mais de
R$ 200 bilhões. Caso você não tenha noção de quanto vale tudo isso? A gente
ajuda, o dinheiro seria suficiente para comprar 600 milhões de cestas básicas
ou construir mais de 14 milhões de salas de aula.
E o roubo não para. Enquanto
você lê esse texto, mais de R$ 380 mil foram desviados, e não adianta tentar
proteger a carteira.
Segundo
especialistas, na vida somente há 2 certezas: morrer e pagar impostos. E por
aqui, isso faz mais sentido do que em qualquer outro lugar do planeta. Apenas
nos últimos 5 anos, os brasileiros já recolheram aos cofres públicos quase R$ 8
trilhões em impostos. Relembrando: R$ 1,27 trilhão em 2010, R$ 1,5 trilhão em 2011, R$ 1,56 trilhão em 2012, R$ 1,7 trilhão em 2013 e R$ 1,8 trilhão em 2014. É trilhão que não acaba mais. E o que é pior, sai
tudo, tudinho, do nosso bolso.
Um estudo realizado pela ONU em
2013 revelou que, considerando-se a paridade de poder de compra, o custo de
cada congressista brasileiro é o segundo mais caro do mundo. Nós
perdemos apenas para os Estados Unidos. Mas não se sinta triste com a
derrota – ainda estamos na frente de 108 países no ranking.
Segundo os autores da pesquisa,
desenvolvida em parceria com a União Interparlamentar dos Estados Unidos, o
brasileiro carrega um fardo equivalente a US$ 7,4 milhões todos os anos para
cada um dos 594 parlamentares em exercício. Já nos Estados Unidos, país com um
uma renda per capita 3,7 vezes maior que a brasileira, cada assento do
congresso custa 9,6 milhões de dólares por ano.
Nossos 4 ex-presidentes (Sarney, Collor, FHC e Lula) custam
R$ 3 milhões por ano aos brasileiros. É, isso mesmo que você leu. Nossos ex-presidentes
ainda nos geram gastos. Cada um deles tem direito a 8 assessores, 2 veículos
oficiais, seguranças, combustível e outros pagamentos, totalizando gastos
estimados entre R$ 500 mil e 760 mil. No total, os quatro ex-presidentes vivos,
incluindo o ex-presidente Collor, que renunciou ao cargo sob ameaça de
impeachment, somam gastos da ordem dos R$ 3 milhões todos os anos. E essa
grana, mais uma vez, sai do nosso bolso.
Os brasileiros cada vez menos elegem candidatos e
cada vez mais coroa dinastias. Segundo um levantamento divulgado pela organização Transparência
Brasil, 49% dos deputados e 60% dos senadores eleitos, em 2014, têm parentes na
política. Ou seja, 6 em cada 10 senadores integram de alguma maneira um clã
político. O estudo mostra também que entre os novos deputados federais com
menos de 35 anos, 85% deles pertencem a famílias que já têm atuação política. Assim,
aqui no Brasil, política, definitivamente, virou negócio de pai pra filho. Como
a máfia.
Nas últimas eleições municipais, de 2012, um juiz auxiliar do Tribunal
Superior Eleitoral, Paulo de Tarso Tamburini, fez as contas de
quanto se gasta com a propaganda eleitoral impressa no Brasil e chegou a uma
conclusão acachapante: se fosse possível gastar todo esse dinheiro investido
pelos partidos em livros impressos, seria possível produzir mais de 20 milhões
de livros ou mais de 20 bilhões de folhas de papel tamanho A4, o equivalente a
417 mil árvores cortadas.
Nas eleições de 2014, só no Rio de Janeiro, a política gerou mais
de 350 toneladas de
lixo eleitoral.
Assim, cabe concluir que a
capacidade para a produção de lixo na política brasileira é
realmente inesgotável.
Simplesmente fantástico o teu texto, Sérgio! Em especial destaco o último parágrafo, onde o fechaste com chave de ouro. Perfeito! Vestiu como uma luva!
ResponderExcluirJoão Alves